- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Melhora nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- Avanço satisfatório no plantio do trigo de primavera.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Enfraquecimento do dólar no cenário internacional;
- Seca em província produtora de trigo na China pode despertar maior demanda por importações do país asiático.
A última semana foi marcada por uma tímida valorização dos preços futuros do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT), demonstrando ligeira recuperação das perdas que vinham sendo acumuladas ao longo das últimas semanas. Com isso, o contrato de julho/2025 – o mais ativo em Chicago atualmente - acumulou ganhos de 0,62%, encerrando a sexta-feira (16) cotado em 525 cents/bushel.
Na segunda-feira (12), os preços do trigo atingiram seu valor mais baixo desde 2020, o que acabou atraindo novos compradores, em busca de barganhas, e surtiu efeitos positivos sobre as cotações do cereal em Chicago. Apesar da influência positiva deste evento sobre o mercado, o principal elemento que contribuiu para a recuperação dos preços foi o receio de alguns agentes sobre a seca que atinge algumas regiões produtoras de trigo na China, o que pode se transformar em um novo foco de demanda mundial futuramente.
O declínio acentuado nos preços do trigo na última segunda-feira (12) foi reflexo dos relatórios mensal de oferta e demanda (WASDE) e semanal de condições de safra, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), ambos indicando uma perspectiva favorável para a produção do cereal para o próximo ciclo produtivo.
O WASDE projetou produção e estoques finais acima das expectativas de analistas para o cenário estadunidense, o que pode ter contribuído para a desvalorização do cereal. Essas projeções mais altas para estoques e produção tenderam a exercer pressão de baixa sobre os preços no início da semana.
Apesar das condições de safra favoráveis que têm sido reportadas pelo USDA, o Serviço Nacional de Meteorologia fez previsões de que os EUA devem enfrentar um verão mais quente que a média neste ano, incluindo condições mais secas em grande parte das regiões centro-oeste e das Grandes Planícies do país. Este cenário desperta um alerta entre os agentes do mercado, mas nada alarmante até o momento.
Do lado da demanda, a semana parece ter sido bem movimentada com compras em licitações, totalizando quase um milhão de toneladas. Entre os principais interessados em adquirir volumes de trigo, destacam-se Taiwan, Argélia, Japão e Coreia do Sul. A Arábia Saudita também lançou uma licitação, para a compra de 650 mil toneladas de trigo, mas o trigo russo parece mais competitivo neste concurso. Essa atividade de compra por grandes importadores sinaliza uma retomada da demanda, o que geralmente dá suporte aos preços e parece ter sido fator importante para os ganhos da semana.


A volatilidade dos preços do trigo levou as cotações do contrato de julho/25 na Bolsa de Paris para a direção contrária do que se observara em Chicago no fechamento semanal. Nesse sentido, a sexta-feira (16) apresentou fechamento de 204 cents/bushel, após desvalorização semanal de 0,61%.
Houve uma falta de atividade de negociação na Europa em geral, em parte devido à baixa disponibilidade de estoques de trigo nos mercados do norte europeu, conforme reportado por agentes locais. O que se observa é uma transferência do foco do mercado global para a nova safra, com pouco interesse em negociar a safra antiga.
Na França, a agência estatal responsável pelo acompanhamento das condições de safra reportou uma redução na proporção do trigo classificado como bom ou muito bom, mas ainda acima do que era observado para o mesmo período do ano anterior. Na Alemanha, a seca persistente nas partes do norte do país foi citada como um fator que auxiliou na sustentação dos preços.

Assim como relatado pelos agentes do mercado de trigo mais focados na Europa Ocidental, na região do Mar Negro também se observa um deslocamento do foco para a nova safra. As perspectivas de produção melhoraram na região devido às condições climáticas favoráveis, com a ocorrência de mais chuvas nas semanas recentes. A partir desse contexto, a expectativa de uma safra futura potencialmente maior exerceu pressão adicional sobre os preços, especialmente para os contratos que atendem a nova safra.
Paralelamente, os sinais de demanda parecem ter se intensificado na última semana, com importantes países compradores lançando licitações para a aquisição de grandes volumes de trigo. O trigo da região do Mar Negro enfrentou grande uma competição acirrada em meio a este cenário, no mercado internacional.






