- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Avanço satisfatório no plantio do trigo de primavera;
- Perspectivas otimistas para a produção Europeia para nova safra.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Enfraquecimento do dólar no cenário internacional;
- Seca em província produtora de trigo na China pode despertar maior demanda por importações do país asiático;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
A última semana foi marcada por considerável recuperação nas cotações do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). O contrato futuro de julho/25, por exemplo, apresentou valorização semanal de 3,33%, tendo registrado fechamento de 542,5 cents/bushel na última sexta-feira (23), frente os 525 cents/bushel no fechamento de sete dias antes. O posicionamento dos investidores, que de um modo geral assumiram maior cobertura de posições vendidas, favoreceu o movimento altista para o cereal.
Outro fator que contribuiu para os ganhos obtidos foi o enfraquecimento do dólar no cenário internacional. A perda de valor relativo do dólar se reflete em um aumento da competitividade do trigo no comércio global, pois torna as exportações estadunidenses mais baratas em relação aos insumos de outros importantes players deste mercado. Em linha com esse movimento cambial, o Relatório de Exportações Semanais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que as exportações semanais foram de 438,4 mil toneladas, 18% acima da semana anterior, mas 5% abaixo da média das quatro semanas anteriores. As inspeções de exportação também se elevaram, o que deve indicar uma continuidade do aquecimento na demanda pelo trigo dos EUA.
Além disso, outro importante fator de suporte aos preços do cereal na última semana foi a oscilação nas condições de safra e progresso das lavouras de trigo nos Estados Unidos. Indo na direção contrária das projeções de analistas, as condições dos cultivos de trigo de inverno dos Estados Unidos apresentaram um ligeiro declínio em relação à semana anterior, classificadas agora em 52% como boas ou excelentes, fator que ajudou a impulsionar os preços futuros do trigo ao longo da semana. Por outro lado, o plantio do trigo de primavera tem avançado em ritmo acelerado, à frente do que fora observado para o ano passado e, também, da média dos últimos cinco anos, fator que limitou os ganhos para o setor.


Na União Europeia, os preços também apresentaram ganhos no acumulado semanal, assim como se observou nos Estados Unidos. O contrato de julho/2025 negociado na Bolsa de Paris apresentou valorização de 1,23% entre os dias 16 e 23 de maio, com fechamento de 206,5 cents/bushel na última sexta-feira. Entre os principais fatores que estimularam os ganhos para o mercado do trigo, pode-se destacar as condições das lavouras de trigo de inverno pelo continente.
Na França, o clima seco continuou a ser uma preocupação. Embora a falta de chuva seja mais preocupante nas fases finais do ciclo da safra, o clima seco ainda pode trazer prejuízos à produtividade do cereal europeu. Na Alemanha, um breve período de chuva melhorou um pouco a umidade do solo, mas o risco de seca continua a aumentar, especialmente na região norte. Ainda assim, as previsões de produção de safra da EU se apresentam mais animadoras do que no ano anterior.
Em meio a este cenário, também se destacam algumas incertezas sobre as exportações da Ucrânia para o bloco econômico, considerando que o regime atual deve expirar dentro de três semanas, sem uma alternativa anunciada pela Comissão Europeia até o momento. Com o prazo se esgotando, os integrantes do mercado passaram a esperar que deve haver um retorno ao sistema de tarifas e cotas (TQR) que estava em vigor antes de fevereiro de 2022. A restauração do TQR deve restringir as exportações de trigo livres de impostos da Ucrânia a 1 milhão de toneladas, com volumes excedentes sujeitos a uma tarifa de €5,30 ($5,58) por tonelada.

Na região do Mar Negro, também pesaram sobre os futuros do trigo as incertezas acerca das exportações de grãos da Ucrânia para a União Europeia. Há menos de três semanas para o fim do regime comercial atual, nenhuma decisão oficial da Comissão Europeia foi anunciada até o momento. A expectativa inicial, que era de continuidade do regime atual, tem se adaptado, com o retorno do sistema anterior de tarifas e cotas (TQR) ganhando força.
A atividade comercial russa permaneceu limitada na última semana. A valorização da moeda russa, o Rublo, em relação ao dólar americano tornou o cereal russo menos competitivo no mercado de exportação. A liquidez para a nova safra russa permaneceu baixa, com os produtores segurando as vendas domésticas.
No cenário geopolítico, novos ataques russos ao porto de Odessa levantaram temores de que a guerra pudesse trazer novos prejuízos à capacidade logística e de armazenamento de grãos da região, restringindo a distribuição dos insumos produzidos por ali.






