- USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente.
A semana foi marcada por fortes quedas nos preços futuros do trigo, negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato futuro de julho/2025 registrou desvalorização semanal de 7,57%, encerrando a semana cotado em 524,75 cents/bushel. As perspectivas, já bem estabelecidas no mercado, de que a safra 2025/26 deve contar com uma ampla oferta global, foram o principal fator dentre os que contribuíram para as baixas semanais expressivas.
O Conselho Internacional de Grãos revisou, na quinta-feira (26), as suas estimativas para a safra global de trigo, elevando as projeções em 2 milhões de toneladas. Desse modo, a safra passa a ser estimada agora em 808 milhões de toneladas. A previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é de que a safra alcance 808,59 milhões de toneladas, o que representaria um aumento de 1,1% em relação à safra anterior, de 2024/25.
As tensões geopolíticas, amplificadas pela escalada do conflito entre Israel e Irã, elevaram os preços do trigo às suas máximas de vários meses na semana entre os dias 16 e 20 de junho. As preocupações foram amenizadas, devido ao cessar-fogo entre ambos os países no Oriente Médio, e, sem tal fator de suporte, os preços não se sustentaram diante dos fundamentos majoritariamente baixistas.
O foco dos agentes passou a se deslocar aos relatórios divulgados pelo USDA nesta segunda-feira (30). O relatório de área plantada e posição trimestral dos estoques dos EUA indicou elevação de 50 mil hectares na área destinada aos cultivos no país, em relação ao balanço de março/2025, enquanto os estoques apresentaram elevação de 4,21 milhões de toneladas, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Paralelamente, a colheita do trigo de inverno no Kansas, o maior produtor do trigo de inverno nos EUA, agora avança em ritmo mais acelerado, depois que as chuvas e a umidade deram uma trégua para as atividades no campo. Ao mesmo tempo, o vírus mosaico das estrias do trigo tem levantado preocupações sobre os rendimentos da produção em algumas partes do estado.


Na União Europeia, as cotações futuras do trigo negociado na Bolsa de Paris (MATIF) também apresentaram declínio significativo ao longo da última semana. O contrato futuro de julho/2025 recuou 5,88% no comparativo semanal, de modo que seu fechamento na última sexta-feira (27) foi de 196 cents/bushel. A pressão observada no mercado é fruto, principalmente, das perspectivas favoráveis para a oferta global do cereal no ciclo produtivo 2025/26, que se iniciou recentemente.
Entre os países da União Europeia, espera-se que haja uma recuperação da produção em relação à safra anterior. As expectativas positivas para a produção local contribuíram para a revisão na estimativa do Conselho Internacional de Grãos, que elevou em 2 milhões de toneladas a previsão para a safra mundial de trigo. Na Alemanha, a associação agrícola nacional indicou a previsão de uma safra recorde para o país, mesmo com intempéries climáticas registradas na primavera.

A região do Mar Negro também registrou queda nos preços de comercialização do trigo. Neste caso, as redução estão mais relacionadas ao anúncio de que o governo russo reduziu o impostos de exportação de grãos no período entre 25 de junho e 1º de julho, conforme anunciado pelo Ministério da Agricultura do país, na sexta-feira anterior (20). A tarifa, que foi reduzida de 317,70 rublos para 248,30 rublos/tonelada (equivalente a US$ 3,15/tonelada), é a mais baixa desde a invasão russa ao território ucraniano, em 2022.
Nesse contexto, o trigo russo – que já se posiciona entre os mais competitivos internacionalmente – tornou-se ainda mais barato para os compradores estrangeiros. Enta medida incentivou algumas vendas, principalmente para destinos localizados no Sudeste Asiático, em um momento que o trigo australiano é ofertado em preço pouco competitivo.






