- USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente.
O mercado do trigo apresentou recuperação nos últimos dias, após queda significativa nas cotações na semana anterior. O contrato futuro de setembro/2025 – o mais ativo na Bolsa de Chicago (CBOT) atualmente – apresentou fechamento semanal de 556,75 cents/bushel, em uma semana mais curta devido ao feriado de 4 de julho nos Estados Unidos, após ter registrado valorização de 2,96% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior (27).
Os agentes que operam no mercado estiveram atentos aos dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), especialmente a atualização trimestral de perspectivas de estoques do país, divulgada na segunda-feira (30), que apresentou números ligeiramente acima do esperado nas expectativas de analistas para o trigo. Nesse sentido, de acordo com o USDA, os estoques de trigo dos EUA devem apresentar aumento de 22% em relação do ano anterior, atingindo 23,16 milhões de toneladas, acima das 22,75 milhões de toneladas esperadas.
Além disso, o USDA ainda projetou um aumento da área destinada ao plantio de trigo no país para esta safra, o que contribui para as expectativas de uma ampla oferta global do cereal neste ano.
Ao mesmo tempo, a colheita do trigo de inverno avança nos principais estados produtores do país, mesmo com os agricultores tendo que lidar com os efeitos do grande volume de chuvas que tem sido registrado em algumas regiões. No estado do Kansas, o maior produtor do país, a colheita atinge os 53%, atrás do ritmo das atividades do ano passado (76%), mas próxima da média dos últimos cinco anos (56%).
Em meio a esse cenário, os ganhos obtidos na semana parecem ser resultado do uma postura mais ativa dos investidores, após a queda expressiva nos preços do trigo na semana anterior, que tornou viável a aquisição do cereal por preços mais baixos, do que pela conjuntura dos fundamentos em si.


Segundo o IDR-Paraná, até junho, 96% da área prevista para o trigo já havia sido plantada. Eventos recentes de frio favoreceram o desenvolvimento, especialmente nas lavouras em fase inicial, que podem se beneficiar da continuidade do frio intenso.
Após cerca de 15 dias com chuvas significativas (acima de 50 mm no sul do estado), os modelos indicam agora tempo estável. O modelo GFS é mais otimista quanto à entrada de umidade, mas os volumes devem permanecer abaixo da média. O ECMWF restringe as chuvas ao litoral, com tempo aberto no restante do estado.
O frio deverá persistir. Caso as lavouras estejam em fases finais do desenvolvimento vegetativo ou de formação da espiga, temperaturas abaixo de 8 °C podem representar um limiar de atenção, com risco baixo, mas sensível, a variações microclimáticas. Já para lavouras em fase vegetativa (perfilhamento/alongamento), as temperaturas são consideradas seguras e até benéficas.
No Rio Grande do Sul, após excesso de chuvas e episódios de geada, os próximos dias devem ser mais estáveis. O tempo aberto predominará, com possibilidade de alguma nebulosidade. As mínimas previstas variam entre 7 °C e 9 °C.
Com umidade no solo, tempo seco e temperaturas amenas, o cenário é favorável à intensificação da semeadura, especialmente em regiões com janela de plantio mais ampla, como a Serra e os Campos de Cima da Serra.
Na União Europeia, os preços futuros do trigo se mantiveram próximos da estabilidade, sem oscilações significativas nos preços entre uma semana e outra. Desse modo, o contrato futuro de setembro/2026 do trigo, negociado na Bolsa de Paris, apresentou fechamento de 196 cents/bushel, na sexta-feira (04), pouco acima dos 195,5 cents/bushel obtidos sete dias atrás.
As exportações da União Europeia atingiram as 20,19 milhões de toneladas para o ciclo comercial de 2024/25, uma queda de 35% em comparação ao mesmo período do ciclo comercial anterior. Os principais destinos das exportações europeias continuam sendo países do norte da África e do Oriente Médio.
Paralelamente, observa-se a colheita do trigo de inverno progredindo pouco a pouco nos países do bloco. Na França, a colheita se encontra 11% concluída.

Na região do Mar Negro, as exportações também apresentam queda acumulada ao longo deste ciclo de comercialização, de cerca de 21% no caso da Rússia. A elevação dos impostos de exportação em períodos de maior fluxo comercial pode ter sido motivação importante para a queda observada nas exportações do país, com países asiáticos e africanos se mantendo entre os principais destinos do cereal russo.
Com relação à colheita, o avanço da colheita russa tem sido em ritmo mais lento em relação ao ano anterior, com produtividade significativamente menos no sul do país. Em geral, as condições climáticas são o principal motivo para o atraso da colheita. As projeções atuais do Ministério da Agricultura do país estimam um a produção em torno de 90 milhões de toneladas de trigo.






