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Semanal de Açúcar e Etanol

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Rússia x Ucrânia: Como o conflito pode impactar o mercado sucroenergético?
 
Marina Malzoni
João Pedro Lopes
Arthur Machado
 
Marcelo Di Bonifácio
Produção de etanol pode ser pressionada pela menor disponibilidade global de milho
O conflito russo-ucraniano traz preocupações acerca do plantio de primavera na Ucrânia, com alguns indicativos oficiais apontando para uma redução de 50% na área plantada, para cerca de 7 milhões de hectares. Neste contexto, o país deve priorizar a produção de trigo, visando a segurança alimentar.
Ainda que a Ucrânia não tenha participação significativa na oferta global de açúcar, a invasão russa pode impactar a sua produção de grãos, com destaque para o milho – o país representou cerca de 13,1% das exportações do cereal em 2020/21. Os desdobramentos do conflito sobre as decisões de plantio acendem um alerta acerca da disponibilidade de matéria-prima para a destilação de etanol em importantes players, especialmente nos Estados Unidos e Brasil. 
Possíveis impactos sobre o mercado açucareiro

A produção de açúcar pela Ucrânia correspondeu por cerca de 0,7% da oferta global em 2020/21 (out-set). As tensões geopolíticas recentes trazem incertezas para as intenções de plantio de beterraba no país, que usualmente se inicia a partir do final de março. Embora em menor proporção, uma possível perda de área a ser destinada ao tubérculo poderia conferir aperto para o saldo global da commodity em 2022/23.

Até o momento, cerca de 30% da área a ser destinada ao tubérculo se encontra comprometida, mas o mercado ainda aguarda a contabilização dos impactos. De modo preliminar, considerando uma perda de 20% de área plantada em 2022/23, o país poderia deixar de produzir volume pouco abaixo de 300 mil toneladas de açúcar.

Produção de açúcar na Ucrânia (milhões de toneladas)
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*Estimativa. Fontes: USDA, IKAR e StoneX. Elaboração: StoneX. 

A firme valorização do trigo também poderia pressionar a extensão com o tubérculo, porém é preciso lembrar que a maior parcela dos agricultores do continente europeu já adquiriu sementes para a próxima temporada. Sendo assim, há pouco espaço para mudanças significativas em torno da decisão de semeadura. Em um horizonte de longo prazo, contudo, a relação de preços com culturas concorrentes será acompanhada de perto, de modo a avaliar as intenções de plantio em 2023 no continente europeu.

Especificamente na Rússia, os danos devem ser menores, sendo que o plantio de beterraba também tende a iniciar em breve. A preocupação gira em torno das sanções econômicas impostas contra o país, o que pode prejudicar a capitalização do agricultor para a compra de insumos – colocando-se como ponto de atenção para a produtividade agrícola das lavouras. Estimativas apontam para uma alta anual de 20% a 25% em seu custo de produção.

Por fim, os entraves no mercado de fertilizantes também podem limitar os investimentos agrícolas visando ganhos de produtividade em outros players. Ainda é cedo para estimar os efeitos disto sobre o saldo global de açúcar, mas tais discussões permanecerão no radar das análises.

Desdobramentos do conflito sobre o mercado do milho
Como comentado, a tensão política no mar Negro deverá gerar um grande impacto negativo no plantio das culturas de primavera da região, em especial na Ucrânia, e para o milho não será diferente. No início da segunda quinzena de março, o Ministério da Agricultura do país declarou que os produtores ucranianos semeariam até 3,3 milhões de hectares na próxima temporada (out/22 a set/23), contra 5,4 milhões de hectares em 2021/22, o que representaria uma queda de 38,9%. Em relação à produção total, já se estima uma contração de 50% no comparativo anual.
Usando como base os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) e considerando a média entre as temporadas 2016/17 e 2020/21, 79% da produção ucraniana é destinada ao mercado externo. Desse modo, levando em consideração o peso das exportações no balanço do país e o fato de que os estados tendem a priorizar e estimular o direcionamento da produção agrícola para suprir as necessidades domésticas em anos de oferta restrita, a tendência é que a menor produção do cereal refletiria majoritariamente em uma redução nas exportações do país. Com isso, caso essa queda de 50% em relação à safra 2021/22 se confirme, o país iria colher 20,9 milhões de toneladas. Supondo que a Ucrânia mantenha o consumo médio por safra de 6,5 milhões de toneladas observado entre 2016/17 e 2020/21, o país teria disponível 14,4 milhões de toneladas para exportar (sem considerar os volumes em estoque), quase 10 milhões a menos que média dos embarques entre 2016/17 e 2020/21.
Com a redução do excedente exportável ucraniano, a tendência é que a demanda seja direcionada para Estados Unidos (EUA), Brasil e Argentina, que, juntamente com a Ucrânia, formam o grupo dos quatro principais exportadores do cereal. Os países sul-americanos vêm de um ano de estoques muito apertados, com isso, a disrupção da cadeia logística no mar Negro tem, nesse primeiro momento, refletido mais em um aumento na procura pelo milho dos EUA, que, apesar de também vir de uma temporada com estoques mais baixos, ainda assim é um volume bem expressivo e capaz de atender aumentos de demandas pontuais.
O USDA estima que os embarques norte-americanos totalizarão 63,5 milhões de toneladas na temporada 2021/22 (set/21 a ago/22), 6,4 milhões a menos que na última safra, mas 5,9 milhões a mais que a média dos últimos cinco anos. Essa estimativa é calculada considerando as exportações ucranianas em 2021/22 em 27 milhões de toneladas. Contudo, em meio à continuidade dos conflitos e aos problemas logísticos no país, é possível que esse volume seja ainda menor, aumentando a demanda internacional pelo grão norte-americano.
No caso do Brasil, as expectativas para o volume exportado também são positivas. Em 2020/21 (fev/21 a jan/22), o Brasil exportou apenas 20,9 milhões de toneladas, reflexo da quebra da safrinha naquela temporada. Para a safra 2021/22, em meio à expectativa de um recorde de produção da segunda safra (91,9 milhões de toneladas) e total (118,6 milhões de toneladas) – a StoneX divulgou hoje, 1º de abril, suas novas estimativas para a safra de grãos, clique aqui para acessar o material completo – estimamos que o Brasil irá embarcar 40 milhões de toneladas na temporada atual. Apesar das perspectivas positivas, será fundamental acompanhar o clima nos próximos meses, visto que, devido ao maior risco envolvendo a safrinha, o cenário pode sofrer grandes alterações até o final da temporada. Desse modo, a concretização da safrinha é fundamental para que o país consiga suprir a robusta demanda internacional e a demanda doméstica, prevista atualmente em 75,5 milhões de toneladas.
Nos EUA, o foco já se volta para o plantio da safra 2022/23, que iniciará neste trimestre. Na última quinta-feira (31), o USDA divulgou seu relatório de Intenções de Plantio, indicando que o país semeará 36,2 milhões de hectares de milho, 1,6 milhão a menos que o registrado na safra 2021/22 e 1 milhão a menos que o esperado pelo mercado. Considerando a porcentagem da área que não será colhida – que contempla tanto a área abandonada quanto a área destinada à silagem – calculada pelo Fórum Agrícola (8,3%) e um rendimento de 11,4 t/ha (em linha com a tendência histórica e considerando um clima dentro do normal), o país produziria 378,5 milhões de toneladas, mais de 5 milhões a menos que na temporada 2021/22, o que tende a promover mais um ano de preços fortalecidos, dada a expectativa de forte demanda internacional e menor oferta nos EUA. Contudo, é necessário ponderar que grande parte da pesquisa foi realizada antes do conflito entre Rússia e Ucrânia, não contabilizando totalmente o rali nos preços do milho. Portanto, é possível que a área plantada seja maior que a estimada nas Intenções de Plantio.
Como esta conjuntura influencia o mercado de etanol?
Em meio à escalada do petróleo no mercado internacional, importantes players visam aumentar a mistura de biocombustíveis em seus equivalentes fósseis – de modo a reduzir a dependência com o óleo bruto e, por consequência, caminhar em linha com os planos de descarbonização do setor de transportes. Tal tendência já vinha sendo observada no continente europeu, e com maior destaque na Índia. Vale lembrar que Nova Delhi alcançou uma taxa de mistura média de 9,4% em 2022, com planos de aumentar sua frota flex nos próximos anos.
No entanto, em meio aos possíveis desdobramentos do conflito sobre a oferta de milho, o mercado se atenta à disponibilidade de matéria-prima para a destilação – sobretudo nas regiões que dependem do cereal para a produção do álcool, a exemplo dos EUA e Brasil. No caso da Índia, o setor vem apostando recentemente na ampliação da sua capacidade de produção de etanol a partir de grãos.
Para o ciclo global corrente, os impactos não devem ser significativos, dado que a maior parte das usinas adquiriram o cereal de modo antecipado. Ainda assim, será importante avaliar as perspectivas para o balanço de O&D de milho em 2022/23 (out-set) – safra que pode ser marcada por menor oferta e preços elevados.
Até o momento, a lucratividade das plantas de etanol de milho nos EUA se situa em US$ 0,275/galão, nível 48,6% superior no comparativo anual. Apesar da firme apreciação do contrato contínuo do milho em Chicago, o preço do biocombustível e coprodutos também apresentaram ganhos no período – o que limitou perdas mais expressivas na margem da operação. Caso a relação estoque/uso do cereal se mostre mais apertada nos próximos meses, a expectativa é de que os custos elevados possam pressionar a lucratividade da destilação do biocombustível no país.
Lucratividade das plantas de etanol de milho nos EUA (US$/galão)
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Fontes: EIA, USDA e StoneX. Elaboração: StoneX.
Já no mercado brasileiro, a remuneração da produção do álcool a partir do grão também se mostra atrativa. Cálculos da StoneX apontam para um lucro de R$ 593,5 por tonelada de milho no Mato Grosso, representando uma alta anual de 36,1%. Supondo que a demanda por exportações aumentasse, ou a produção reduzisse, diminuindo a disponibilidade interna do cereal entre outubro/22 e setembro/23, parte considerável deste impacto seria absorvido pelo mercado pecuário – sobretudo ao considerar que o encarecimento proporcionalmente maior do grão em relação ao preço dos animais, o que pode pressionar as intenções de confinamento de gado, bem como limitar a ampliação do rebanho efetivo de suínos e aves. Em março, a equipe de inteligência de mercado da StoneX elaborou uma matéria especial sobre o assunto. Clique aqui para acessar o material completo.
Vale reforçar, contudo, que o período de possível encarecimento do cereal pode coincidir com a entressafra de cana no Centro-Sul, momento em que a produção de etanol de milho assume maior protagonismo. Além de trazer risco para a disponibilidade de matéria-prima em 2022/23 (abr-mar), os efeitos negativos sobre a lucratividade das plantas também podem pressionar a destilação da temporada seguinte.
Evidentemente, os possíveis impactos sobre o mercado do biocombustível dependerão do desempenho da relação estoque/uso global de milho e, principalmente das condições climáticas ao longo dos próximos meses. Sendo assim, nós ainda mantemos nossa expectativa de que a oferta de etanol de milho seja de 4,2 milhões de m³ no Centro-Sul em 2022/23 (abr-mar) – tendência que será constantemente revisada em nossas próximas estimativas de safra para a região.
Para além destes fatores, a análise dos fundamentos de O&D de petróleo também será importante para traçar perspectivas mais assertivas em relação ao nível de negociação do etanol nestes players em relação ao custo de aquisição do milho. Especificamente no mercado brasileiro, a safra 2022/23 (abr-mar) deve ser marcada por recuperação da produtividade dos canaviais, corroborando conforto no balanço de O&D do biocombustível – tendência que é corroborada também pela decisão de zerar o imposto de importação de etanol até o fim do ano corrente.
Perspectivas para a janela de importação do etanol norte-americano
Em meio ao cenário de elevada incerteza em relação à oferta do cereal descrito anteriormente, causada tanto pelo conflito na Ucrânia como pelo clima adverso na América do Sul, os preços do milho vêm apresentando fortes oscilações e uma tendência predominantemente de alta ao longo de 2022. No primeiro trimestre deste ano, o contrato contínuo do cereal avançou cerca de 27,1% em Chicago, para 748,75 cents/bu, sendo que apenas ao longo de março, o grão apresentou uma valorização de 13,5%. Nos próximos meses, o plantio nos EUA, o desenrolar do conflito na Rússia e o desenvolvimento da safrinha no Brasil irão ditar o ritmo dos preços do milho e, por consequência, impactar o mercado de etanol, visto que nos EUA, o cereal é a principal matéria-prima utilizada em sua produção.
Desde o início do ano, os EUA vêm apresentando um arrefecimento da demanda por gasolina quando comparado com os últimos cinco anos.  No ano corrente, o consumo semanal superou a média histórica apenas uma vez – evidenciando uma menor procura nacional motivada pela alta expressiva dos preços do combustível ao consumidor final, que no início de março/22 registraram a máxima histórica, chegando a US$ 4,144/galão.
As estimativas do relatório STEO, divulgados pelo Departamento de Energia (DOE, em inglês) dos EUA, apontam que a demanda pelo derivado deverá seguir operando próximas às médias sazonais, totalizando um consumo anual de 8,91 mbpd – avanço de 0,12 mbpd em relação ao registrado em 2021.
Caso a taxa de mistura do etanol se mantenha em 10%, as expectativas são de que o consumo do biocombustível alcance 53,4 milhões de m³ em 2022. De modo a conter a inflação, rumores apontam para um possível relaxamento das políticas do programa de incentivo ao uso de biocombustíveis a nível federal, conhecido como Renewable Fuel Standard (RFS) – justamente para conter a competição entre o uso do grão para a alimentação humana.
No entanto, ainda não há nenhuma indicação sobre a efetivação disto. Além das incertezas deste contexto, o mercado também se atenta aos planos norte-americanos para que os elétricos correspondam por 50% das vendas de novos veículos no país até 2030. Caso alcançado, isto poderá pressionar a procura por combustíveis em geral.
Consumo de etanol nos EUA (milhões de m³)
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*Estimativa. Fontes: EIA e StoneX. Elaboração: StoneX.
Por outro lado, conforme projeto de lei bipartidário apresentado por congressistas na Câmara dos Representantes dos EUA, também há uma aposta na taxa de mistura de 15% para conter a inflação. Atualmente, o E15 é proibido no país ao longo do verão, em vista de estudos que apontam para maiores níveis de poluição em dias de maior temperatura quando comparado com o E10. Ainda assim, a medida é considerada pelo congresso dos EUA, principalmente para conter a valorização dos preços da gasolina em todo país, que deverão se manter em patamares sustentados ao longo do ano.
Caso haja uma transição para o E15, o consumo do etanol deverá ser ampliado. Considerando que, entre janeiro/22 e abril/22, a taxa de mistura se mantenha E10 e, para o resto do ano, ela aumente para o E15, a demanda pelo biocombustível pode alcançar 69,8 milhões de m³ em 2022.
Diante dos pontos citados para a O&D do biocombustível nos EUA, é evidente que fatores altistas devem manter os preços domésticos valorizados – sobretudo em meio à proximidade com a driving season. Tal perspectiva deve limitar a abertura da janela de importação brasileira, mesmo com o imposto zerado – o que é corroborado, também, pelo maior conforto no balanço do álcool no Brasil e perspectiva de que os fretes marítimos continuem valorizados. No entanto, a recente desvalorização do dólar comercial abriu margem para que a aquisição do produto norte-americano se mostrasse mais vantajosa em alguns meses na praça de Suape/PE, de acordo com nossos cálculos.
Arbitragem de importação do etanol dos EUA em Suape/PE
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* Preço spot em Chicago. ** Anidro PVU + frete + PIS/Cofins + Cabotagem. Elaboração: StoneX. Os dados, em R$/m³, se referem ao fechamento da última semana. As células destacadas em dourado referem-se à estimativa do valor do etanol originado no Meio-Oeste americano colocado em Suape/PE, considerando câmbio e preços atuais e futuros. Esses valores devem ser comparados aos valores do etanol B3 colocado na região (células em verde).
 
 
Semana do Açúcar e do Etanol 
Semana é marcada pelo bom desempenho da safra 2021/22 em players asiáticos
  • Nesta sexta-feira (01), o maio/22 do #11 encerrou as negociações da ICE/NY cotado a US¢ 19,37/lb, apresentando desvalorização semanal de 1,2%. Em paralelo, o contrato contínuo do #5 ficou em US$ 538,50/t em Londres (+4,3 %).
  • A semana foi marcada pelas preocupações em torno do avanço da Covid-19 na China, o que tende afetar a logística portuária global e, consequentemente, o trade flow de algumas commodities agrícolas. Tal contexto, aliado à liberação de reservas estratégicas de petróleo nos Estados Unidos, atuou como fator baixista para os futuros do óleo bruto. No caso do açúcar, nós mantivemos nossa expectativa de que as importações chinesas alcancem cerca de 5,0 milhões de toneladas em 2021/22 (out-set) – mas, tal estimativa será revisada a depender da evolução do quadro pandêmico nas próximas semanas.
  • No campo da oferta, as atenções seguem direcionadas à Ásia. Na Índia, a contratação de açúcar para exportação já alcança 7,5 milhões de toneladas no ciclo corrente. Diante do ganho de competitividade do produto indiano em players consumidores, acompanhando a alta dos fretes marítimos, o governo do país discute a possibilidade de limitar o volume a ser embarcado ao exterior em 2021/22. Caso efetivada, esta medida daria suporte aos futuros do adoçante. 
  • Na próxima temporada internacional, por sua vez, a Índia pode exportar cerca de 5,0 a 6,0 milhões de toneladas – volume que responde tanto a ampliação da produção de etanol quanto as perspectivas de monções dentro da normalidade, o que deve contribuir positivamente com o potencial produtivo dos canaviais do país.
  • O Paquistão também assume destaque neste contexto, dado o desempenho positivo da safra corrente. Em meio ao clima benéfico e preços atrativos, fontes oficiais já apontam para uma oferta de 7,5 milhões de toneladas de açúcar na safra atual – com o setor já visando direcionar maior volume ao exterior nos próximos meses, o que tende a trazer conforto para o saldo global da commodity.
  • No Brasil, novo acompanhamento de safra da UNICA, referente à primeira quinzena de março, evidenciou que a moagem segue pressionada no Centro-Sul do país, totalizando 142,3 mil toneladas – o menor volume registrado desde o ciclo 2013/14 (abr-mar). Com as perspectivas para a temporada corrente já desenhadas, as atenções se direcionam ao desempenho climático, que vem se mostrando favorável para ganhos de rendimento dos canaviais da região. Sob a ótica do mix produtivo, o avanço da fixação de açúcar para exportação na bolsa americana corrobora nossa estimativa de mix açucareiro de 45,5% em 2022/23 (abr-mar).
Volatilidade no mercado de petróleo segue assumindo protagonismo
  • Dados da UNICA mostraram uma recuperação do consumo de etanol no Centro-Sul do Brasil. Nesta 1ª quinzena de março, a procura interna pelo biocombustível foi de 1,1 milhão de m3, apresentando crescimento quinzenal de 14,6%, mas queda anual de 8,7%.
  • Apesar do maior protagonismo do anidro, vale destacar que o share do hidratado no consumo de Ciclo Otto apresentou alta quinzenal de 1,6 ponto percentual –desempenho que responde à paridade de preços entre o etanol e a gasolina mais próxima de 70%. Ainda assim, as incertezas no campo macroeconômico seguem como ponto de atenção para o consumo de combustíveis.
  • Nas próximas semanas, o preço do etanol será guiado pelos estoques confortáveis no Centro-Sul. No entanto, o acompanhamento das perspectivas cambiais e para o petróleo serão importantes para avaliar a necessidade de reajuste nos preços das refinarias. Acesse relatório interativo da StoneX contendo informações sobre o basis dos preços domésticos de combustíveis em relação ao praticado no mercado internacional.
  • O destaque neste contexto é o diesel, em meio ao aperto nos estoques globais. Nos EUA, um dos principais ofertantes do derivado, as reservas de diesel já se aproximam das mínimas históricas – tendência que deve resultar em custos de produção mais elevados no mercado brasileiro.
PERSPECTIVAS E CFTC
Nesta sexta-feira (01), relatório Commitments of Traders, divulgado pelo CFTC e referente à posição dos agentes na última terça-feira (29), mostrou que o saldo comprado dos especuladores se ampliou em 2,8%, para 97.556 contratos. Apesar do prolongamento do conflito russo-ucraniano, o menor crescimento das apostas compradas por parte dos specs – se comparado às semanas anteriores – foi resultado da pressão por fatores baixistas, como o elevado nível de oferta do adoçante em países asiáticos e as preocupações quanto ao aumento do número de casos da Covid-19 na China, o que pode afetar o consumo global.
Em paralelo, fundos indexados praticamente mantiveram suas posições liquidamente compradas no período, apresentando um leve aumento de 0,3%, para 237.308 lotes. Por outro lado, agentes comerciais aumentaram suas posições liquidamente short para 334.865 lotes (+1,0%). 
 
Tabela de Indicadores
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