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Semanal de Açúcar e Etanol

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Exportação de açúcar e etanol na safra 2021/22 apresenta queda em relação à anterior
 
Filipi Cardoso
 
Arthur Machado
 
Marcelo Di Bonifácio
Perspectivas de aumento na produção da safra 2022/23 podem inverter cenário de queda observado em 2021/22

A venda de açúcar para o mercado externo no acumulado da safra 2021/22 alcançou cerca de 25,9 milhões de tonelada, sendo 22,9 milhões de açúcar bruto e 2,9 milhões de açúcar branco, que corresponde a uma redução de 19% na comparação com o ciclo anterior. O açúcar branco apresentou uma queda de 30%, enquanto o açúcar bruto uma diminuição de 17%.

Os impactos climáticos, como a falta de chuvas e fortes geadas, prejudicaram o andamento da safra de cana-de-açúcar em todo o Centro-Sul, que apresentou a menor moagem dos últimos 10 anos, de aproximadamente 525 milhões de toneladas, registrando redução de 13% em relação à safra passada.

Assim como a moagem, o ATR – Açúcar Total Recuperável e o TCH – Tonelada de Cana por Hectare, também registraram queda. O ATR médio, quando comparado com a safra 2020/21, apresentou baixa de aproximadamente 1,5% e o TCH de cerca de 14%.

Quando observado os resultados da safra 2020/21 em relação à safra 2019/20, nota-se aumentos expressivos nas exportações de açúcar e etanol, com ganhos na ordem de 70% e 53%, respectivamente. Contudo, esse cenário se inverteu na safra 2021/22, influenciado principalmente pela queda da produtividade na safra, redução da oferta interna e a antecipação da entressafra em algumas usinas da região Centro-Sul, que colaboraram para o aumento do preço do açúcar no mercado doméstico.

EXPORTAÇÕES DE AÇÚCAR BRUTO E BRANCO (MILHÕES DE TONELADAS)
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Fonte: ComexStat. Elaboração: StoneX.

Em relação ao mercado de etanol, o Brasil exportou na safra 2021/22 cerca de 1,77 bilhão de litros, o que corresponde a uma redução de 39% em relação à safra passada. Assim como o açúcar, a queda é influenciada pela limitação da produção na temporada e pela restrição da oferta doméstica.

Além da baixa produção que influenciou a redução nas exportações, a queda do volume de compras estrangeiras também gerou impacto na oferta nacional, visto que diante da taxa de câmbio elevada as importações vindas dos EUA apresentaram uma queda de 46% em relação ao ciclo anterior, acumulando um volume de 229 milhões de litros. Já o Paraguai, a segunda maior origem de importação, apresentou uma queda mais sutil, de apenas 2%, mantendo os patamares de 150 milhões de litros comercializados do biocombustível.

Importações de etanol (milhões de m3)
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Fonte: ComexStat. Elaboração: StoneX.
Como trazido em análise recente, o mix açucareiro no Centro-Sul ainda carrega uma série de incertezas para esta safra 2022/23 e, consequentemente, pode afetar diretamente as perspectivas de produção e exportação de açúcar. Os preços dos combustíveis se encontram em forte escalada e podem incentivar a oferta de etanol por parte das usinas daqui para frente, cenário corroborado principalmente pela valorização do petróleo no mercado internacional, desde o ano passado.
Para a produção da cana em si, o ritmo de chuvas acima da média ao longo do último trimestre no Centro-Sul brasileiro aponta para boas condições de umidade de solo, na média, para a região, sendo assim um fator positivo para este início de ciclo. Essa regularidade, observada também no final de 2021, contribuiu para o desenvolvimento dos canaviais, os quais serão colhidos a partir de meados de abril. Na última Estimativa de Safra da Equipe de Açúcar e Etanol da StoneX, divulgada em março/22, o ATR médio ficou estipulado em 140,7 kg/t e o mix açucareiro, em 45,5% - 0,5 pontos percentuais à frente do número estimado para a safra 2021/22.
Seguindo essas variáveis e estimando um TCH médio em 73,4 toneladas/hectare, o relatório trouxe a expectativa de que se produzam 34,5 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul na temporada 2022/23, alta anual de 7,5%. Nesse aspecto, os preços da commodity no mercado internacional e o avanço esperado de 7,6% na moagem da cana favorecem o adoçante. Em março, as fixações de açúcar para exportação referente ao ciclo 2022/23 estavam bastante avançadas, registrando 76% da produção fixada na ICE/NY, contra 70% no mesmo período do ano anterior.
Nesse sentido, as exportações de açúcar até o final da nova safra podem, certamente, ser beneficiadas por uma maior perspectiva produtiva, citada anteriormente, e pelo grande comprometimento de vendedores com o fornecimento futuro do produto. No entanto, é importante ressaltar que a moeda brasileira valorizou mais de 15% frente ao dólar no primeiro trimestre de 2022, fato que tende a tornar as mercadorias do Brasil mais caras no comércio global, assim desincentivando nossas exportações. Outros pontos ficarão no radar do mercado, especialmente no que diz respeito à incerteza que ainda existe no quanto da cana será destinada, de fato, à fabricação do adoçante e do biocombustível.
Nos últimos meses, a dinâmica do mercado de combustíveis pode ser importante para potenciais revisões nos números do mix açucareiro. O petróleo continua sustentado e nos maiores patamares desde 2014com o Brent operando próximo a US$ 100/barril. Os conflitos entre Rússia e Ucrânia e déficits produtivos em outras regiões do mundo trouxeram importantes fatores altistas ao setor, que deve continuar monitorando esses pontos daqui para frente. Contudo, a pandemia da Covid-19 avança na China, podendo desacelerar sua recuperação no consumo de combustíveis, no geral, e existem rearranjos do lado da oferta acontecendo em outras praças, como a liberação de barris das Reservas Estratégicas nos Estados Unidos – dois agentes baixistas para o mercado do óleo bruto.
No geral, o setor sucroenergético se depara, desde fevereiro, com um aumento significativo das cotações do etanol hidratado. Quando observamos a paridade entre o #11 em NY e o hidratado com base em Ribeirão Preto, a partir do último terço de março, existe um favorecimento do combustível em relação ao adoçante. Quando olhamos a trajetória, é clara a tendência acelerada de alta no etanol, e isso pode fazer com que o mercado revise o mix produtivo nas usinas nos próximos meses captando um possível maior direcionamento da cana para a fabricação do biocombustível – assim, podendo diminuir, mesmo que marginalmente, a produção de açúcar e, consequentemente, menos dessa commodity estará disponível para embarques no ciclo 2022/23.
Paridade entre o açúcar* e o hidratado**
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*#11 (ICE/US) **Nas usinas, com base em Ribeirão Preto/SP. Fontes: ICE/NY e StoneX. Elaboração: StoneX.
 
 
 
Semana do Açúcar e do Etanol 
#11 apresenta forte aumento em meio à perspectiva de menor produção brasileira de açúcar
  • Nesta sexta-feira (8), o K2 do #11 registrou forte valorização, da ordem de 2,9%, fechando o pregão em Nova Iorque (ICE/US) cotado a US¢ 20,41/lb. Enquanto isso, em Londres (ICE Europe), o contrato equivalente do #5 também se valorizou frente ao fechamento da véspera (+2,1%), alcançando os US$ 560,4/t. De modo geral, os preços futuros do açúcar foram influenciados pela perspectiva de um maior desvio para a produção de etanol no mês de abril/22.

  • Em meio ao aumento dos custos de produção, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) estima que o plantio de beterraba-sacarina em 2022/23 (out-set) deve se estender por 462,7 mil hectares, cerca de 1,4% abaixo do registrado no ciclo passado. De fato, dentre os quatro principais estados produtores, três deles devem apresentar queda sobre a área plantada – Idaho, -1,2%; Michigan, -6,5%; e Minnesota, -0,7%. Caso seja observado comportamento similar ao ciclo passado, podem ser colhidos cerca de 441,8 mil hectares.

  • No acumulado do ciclo 2021/22 (out-set), até o dia 27 de março, as exportações de açúcar pelo México com destino aos EUA totalizaram 485,7 mil toneladas, representando uma alta anual de 48,4%. Vale destacar que os EUA correspondem a um dos principais parceiros econômicos mexicanos, de modo que a redução da produção açucareira no país em 2022/23 pode abrir maior espaço para exportações mexicanas do adoçante.

  • Na Índia, a Associação de Usinas de Açúcar Indianas (ISMA, em inglês) elevou sua estimativa para a produção de açúcar no país para 35 milhões de toneladas em 2021/22 (out-set) – que já desconsidera o desvio de 3,4 milhões de toneladas para a produção de etanol. Isso corrobora com o cenário que vimos discutindo, de maior oferta em alguns estados-chave, como Karnataka e Maharashtra. Vale destacar que este resultado de safra se deve, sobretudo, a maior produtividade e aumento do ATR médio dos canaviais.

  • Sob a ótica das exportações, de acordo com a ISMA, cerca de 7,4 milhões de toneladas já foram contratadas para o ciclo corrente, sendo que aproximadamente 5,7 já deixaram o país. Para o mês de abril, a perspectiva é de que o país embarque entre 700 e 800 mil toneladas. Diante deste cenário, parece provável que o país tenha potencial de exportar 8,5 milhões de toneladas na temporada atual.

  • Apesar do cenário positivo para a oferta, é importante destacar os entraves logísticos para o comércio mundial. Na China, o número de casos de Covid-19 segue crescendo, de modo que a média móvel do número de novos casos diários da doença vem alcançando novas máximas históricas desde o dia 25 de março, o que levou o governo local a adotar medidas de isolamento social mais rigorosas. Nesta sexta-feira (8), a média móvel dos últimos sete dias chegou a 16 mil casos.

  • Na Tailândia, a perspectiva também se mostra positiva para a oferta no ciclo 2021/22 (out-set). Até o final de março/22, usinas tailandesas já haviam processado 90,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, cerca de 98,3% do total que pode ser moído, de acordo com contatos da StoneX no país. Na prática, caso concretizado, a produção de açúcar na Tailândia pode apresentar um crescimento anual de 33%, alcançando cerca de 10 milhões de toneladas.

  • Para o ciclo 2022/23, números preliminares apontam para o processamento de 100 a 105 milhões de toneladas de cana, podendo levar a uma produção de açúcar no entorno de 11 milhões de toneladas. Contudo, como já vem sendo comentado, a expansão da área de cultivo de cana e o regime de chuvas serão determinantes para a concretização desse cenário e devem ser monitorados de perto ao longo dos próximos meses.

Futuros do petróleo se recuperam em meio a cenário ajustado de oferta
  • Os futuros do Brent se mostraram bastante voláteis ao longo da semana, à medida que o mercado absorvia as mudanças em seus fundamentos. Na segunda-feira (4), apesar de serem sustentados pela perspectiva de um aumento das sanções econômicas à Rússia, os preços futuros foram pressionados nas sessões seguintes pelos desdobramentos da liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo, pela extensão das medidas de isolamento social na China e pelo avanço dos estoques de óleo bruto nos EUA.

  • Nesta sexta-feira (8), por outro lado, os mercados do petróleo voltaram a operar em campo positivo, sustentados pela preocupação dos agentes quanto a oferta de petróleo no mercado global. As cotações de futuros do Brent e do WTI encerraram as negociações com sensíveis variações, sendo cotadas a USD 102,8 (+2,2%) e USD 98,3 bbl (+2,2%), respectivamente.

  • Pelo lado da oferta de etanol, como vem sendo indicado em nossas análises, a Índia busca se destacar no mercado de biocombustíveis. No que se refere ao desenvolvimento da infraestrutura nacional, na última terça-feira (5), o governo indiano estendeu até o final de setembro a retirada de empréstimos para projetos ligados à produção sucroenergética no país.

  • Por fim, até o final de março/22, a taxa média de mistura do etanol na gasolina chegou a 9,6% na Índia – vale lembrar que, em junho/21, Nova Delhi adiantou o prazo para 2025 a meta de alcançar o E20. No que se refere à produção de etanol, por sua vez, de acordo com a ISMA, até o dia 27 de março, a oferta chegou a 4,2 milhões de m3.

PERSPECTIVAS E CFTC
Nesta sexta-feira (8), o relatório Commitments of Traders do CFTC, referente à posição dos agentes na última terça-feira (5), mostrou que o saldo comprado dos especuladores apresentou forte ampliação, na ordem de 35,6%, para 132.253 contratos. Em meio a isso, entre os dias 29 de março e 05 de abril, o contrato contínuo do #11 se valorizou em 2,8% na ICE/NY, com os ganhos sendo limitados pela perspectiva de maior oferta de açúcar em importantes países produtores, como Índia e Tailândia.
Os fundos indexados também aumentaram o seu saldo comprado no período, que alcançou 243.235 contratos, acumulando variação semanal positiva de 2,5%. Enquanto, por outro lado, agentes comerciais aumentaram suas posições liquidamente short para 375.487 lotes (+12,1%).
Após a data de referência do relatório, o K2 do açúcar bruto apresentou ganhos de 3,9% na bolsa americana, fechando a semana em forte alta, na ordem de 2,9%, sustentado pela perspectiva de menor oferta brasileira do adoçante. 
 
Tabela de Indicadores
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  • Combustíveis Renováveis

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