• Café arábica avançou 1,9% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 222,35/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 2,4% para USD 3987/t
• Dólar tem alta de 1,5% para USDBRL 5,24 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 4,2%, cotado a R$ 1286,07/sc
• Indicador Cepea de café robusta avançou 6,8% para R$ 1149,20/saca
• NOAA aponta para La Niña fraco no segundo semestre do ano
• Ministério da Agricultura do Vietnã projeta queda de 20% na produção
• Estoques de café nos portos europeus caíram 37% em abril no comparativo anual
• USDA projeta produção no Vietnã praticamente inalterado, em 29 milhões de sacas
• Produção brasileira deve avançar para 69,9 milhões de sacas segundo o USDA
Na última semana, os preços futuros de café arábica e café robusta voltaram a subir em meio a um maior apetite dos agentes especulativos em meio ao cenário de oferta reduzida de café robusta na Ásia. No início da semana, atuou de forma altista para as contações a notícia de que o ministério de agricultura vietnamita projetou uma queda de 20% na produção do país na próxima temporada. No entanto, a divulgação de dados mais otimistas por parte do USDA na tarde da quinta-feira (30) atuou de forma baixista para os preços na sessão da sexta-feira (31) – conforme será abordado à frente, o USDA projetou a produção do país em 29 milhões de sacas em 2024/25, quase inalterado se comparado com a atual temporada.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, com vencimento em julho, terminou a semana com alta de 410 pontos (+1,9%), fechando a sexta-feira (31) cotado em US₵ 222,35/lb. No terminal londrino, os preços futuros de café robusta avançaram USD 95/ton (+2,4%), fechando a sexta-feira cotado em USD 3987/ton. Nesse mesmo período, o dólar index teve uma queda de 0,1% para 104,57 pontos e o par USDBRL avançou 1,5% para 5,24.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 28/05 a 31/05

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café seguiram a tendência observada no exterior e terminaram a semana em alta. O indicador Cepea para o café arábica teve um avanço de 4,2% para R$ 1286,07/saca. O indicador para o robusta avançou 6,8% para R$ 1149,20/saca. O avanço mais intenso no mercado doméstico foi reflexo da alta do dólar na semana.
Nas próximas semanas o mercado ficará de olho na divulgação dos dados de exportação no Brasil pelo Cecafé e nas condições climáticas tanto no Brasil como no exterior. No Brasil, a aproximação do inverno e a possibilidade de ondas de frio pode dar algum suporte aos preços, tendo em vista a memória da geada de 2021, e gerar maior volatilidade. No Vietnã, manutenção de um clima adequado é essencial para o desenvolvimento da safra 2024/25 no país. Ademais, os modelos do NOAA seguem apontando para o retorno do La Niña no segundo semestre do ano, o que não teria impactos severos já que os modelos apontam para um fenômeno de fraca intensidade, no entanto, caso o fenômeno seja de forte intensidade poderia haver atrasos na chegada das chuvas no cinturão cafeeiro.
A última atualização da agência americana NOAA indicou uma probabilidade 49% para o retorno do La Niña a partir do trimestre ASO (agosto, setembro e outrubro) e acima de 60% a partir do trimestre OND (outubro, novembro e dezembro). Com relação a intensidade, os modelos apontam para uma um fenômeno de fraca intensidade durante todo o segundo semestre do ano.
Previsões probabilísticas de La Niña/El Niño e projeção de variação na temperatura de superfície do Oceano Pacífico (em ºC)

Fonte: IRI/CPC, NOAA. Elaboração: StoneX.
Dados da ECF apontam para queda dos estoques nos portos europeus
Na última semana foram divulgados os dados da Federação Europeia de Café (ECF, sigla em inglês) indicaram os estoques de café nos portos europeus de Antuérpia, Hamburgo, Le Havre, Barcelona, Trieste, Genova, Napoli, Tallinn, Londres, Felix Stowe e Bremen (parcialmente) nos meses de março e abril. De acordo com o relatório, os estoques de café totalizaram 6,4 milhões de sacas em março, o que representa uma queda de 42% no comparativo anual e de 4,4% se comparado com o mês anterior.
Em abril, os estoques avançaram 10,6% para 7 milhões de sacas se comparado com março, mas ainda contabilizavam uma queda de 37% se comparado com abril de 2023. Destes, 31,8% dos estoques eram compostos de café robusta, 28,2% de café arábica natural e 40% de café arábica lavado.
USDA: produção vietnamita de café deve alcançar 29 milhões de sacas em 2024/25
Na última semana, o USDA divulgou seu relatório attaché para o Vietnã, ajustando sua projeção para a produção em 2023/24 a expectativa para 2024/25. De acordo com o departamento, a produção de café em 2023/24 foi de 29,1 milhões de sacas, 5,8% maior que a projeção anterior, que era de 27,5 milhões de sacas. Para a temporada 2024/25, a organização projeta uma produção praticamente estável de 29 milhões de sacas. Segundo o relatório, a área plantada deve permanecer estável nos próximos anos, mesmo com os agricultores diversificando com novas culturas.
Parte dos produtores investiram na produção de durião e maracujá devido à maior rentabilidade se comparado com o café. No entanto, o aumento dos preços incentivou os produtores a investir nas lavouras de café. Ainda de acordo com o relatório, com o cultivo de durião, os produtores podem ter uma renda duas vezes maior se comparado com o café. Ademais, enquanto por um lado o clima foi desfavorável para a produção do país, o uso de sistemas de irrigação mitigou parcialmente os efeitos do clima.
Apesar do relatório trazer uma perspectiva substancialmente otimista para a produção do país, não é consenso entre os participantes do mercado que a produção vietnamita poderia alcançar tal volume. Como foi reportado no último relatório semana, a empresa Volcafe, por exemplo, divulgou sua estimativa para a produção do país em 24 milhões de sacas. Alguns players não são tão pessimistas como a Volcafe, mas também não concordam com o otimismo do USDA. Tendo em vista o cenário de oferta reduzida de café robusta, o desenvolvimento da produção por lá, cuja colheita começa em meados de novembro, deve ser acompanhada de perto.
Com relação ao consumo, o relatório ajustou sua projeção para 2023/24 em 7,8% para 3,45 milhões de sacas. Para 2024/25, o departamento aponta para um crescimento de 4,3% para 3,6 milhões de sacas. O forte crescimento no consumo estaria associado a uma cultura do café, ao crescimento econômico do país e ao fator de o café ser mais acessível perante outras bebidas. O relatório também destaca o fato de que a economia do país cresceu 5,6% no primeiro trimestre de 2024.
Já em relação às exportações, o USDA aumentou em 7,4% sua projeção para as exportações em 2023/24, projetada para alcançar 26,85 milhões de sacas. Para 2024/25, os embarques devem ter um leve recuo de 1,3% para 26,5 milhões de sacas. Os estoques finais devem permanecer estáveis em 492 mil sacas.
USDA: produção brasileira deve avançar para 69,9 milhões de sacas
O Departamento Americano de Agricultura (USDA, sigla em inglês) divulgou hoje o relatório attaché com as projeções para a produção brasileira em 2024/25. De acordo com o departamento, a produção brasileira de café deve avançar 5,4% para 69,9 milhões de sacas na próxima temporada. Segundo o relatório, o aumento na produção é reflexo de uma condição climática favorável após o período de seca e calor extremo. A produção de café robusta deve avançar 1,4% para 21,7 milhões de sacas, já a produção de café arábica deve avançar ainda mais 7,3% para 48,2 milhões de sacas.
Com relação as exportações o USDA ajustou em 3,9% a sua projeção para a temporada 2023/24, cujo volume é visto em 45,55 milhões de sacas. Para a temporada 2024/25, as exportações do país devem avançar 2,4% para 46,65 milhões de sacas. Para o consumo, o relatório aponta para um crescimento de apenas 0,5% na próxima temporada para 22,67 milhões de sacas, sendo 21,7 milhões de sacas de café torrado e moído e 970 mil sacas de café solúvel. Ainda de acordo com o relatório, os estoques finais devem avançar 22,7% para 3,54 milhões de sacas.
Dessa forma, com a divulgação dos dois principais produtores e exportadores globais, o agregado de todos os países divulgados até o momento foi de um ajuste para baixo na temporada 2023/24, indo de 143,9 milhões de sacas nas estimativas anteriores para 142 milhões na revisão atual. Por outro lado, a revisão da última temporada contribuiu para elevar o avanço estimado para o próximo ano-safra. Em 2024/25, os dados parciais do USDA apontam para produção de 149,4 milhões de sacas, uma alta anual de 5,2%. Para as exportações, em 2023/24 passou por uma revisão de 0,1% até o momento, ficando em 114 milhões de sacas, com os embarques avançando 3,2% em 2024/25, para 117,6 milhões de sacas.
De maneira geral, os resultados confirmam o que vem sendo discutido há alguns semanais sobre a percepção dos participantes do mercado de um balanço global provavelmente superavitário em 2024/25. O balanço superavitário esperado pelos agentes se baseia principalmente em um forte desempenho produtivo do café arábica, enquanto o café robusta ainda enfrenta maiores dúvidas.
Já a visão do USDA para os principais produtores de robusta projeta uma recuperação significativa no próximo ano-safra. Este deve seguir como o principal em questionamento pelo mercado e passível de revisões futuras para baixo, todavia, tende a fornecer um teto para os recentes avanços das cotações na bolsa.
Tabela resumo das estimativas do USDA

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES






