• Café arábica avançou 1,6% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 224,90/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 3,5% para USD 4128/t
• Dólar tem alta de 1,9% para USDBRL 5,34 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 2,4%, cotado a R$ 1.317,07/sc
• Indicador Cepea de café robusta avançou 5,5% para R$ 1.212,60/saca
• Inverno brasileiro pode contribuir para maior volatilidade nos preços
• Vietnã recebeu volumes de chuva acima da média nos últimos 30 dias
• Dados preliminares Secex apontam para aumento de 73% nas exportações
• Cecafé divulgará relatório com exportações na terça-feira (11) às 16 horas
• USDA divulgará no dia 20/06 o relatório com o balanço global de oferta e demanda
• StoneX realiza pesquisa de progresso de colheita no Brasil
• Exportações hondurenhas avançaram 13,6% em maio
• Produção colombiana de café avançou 39% em maio
• J.M. Smucker Co. tem queda de 4% na receita das vendas de café
• Luckin Coffee faz compromisso de comprar 2 milhões de sacas do Brasil
Nota: Na última semana foi veiculado uma notícia de que a StoneX havia estimado a produção vietnamita de café. Gostaríamos de comunicar que esta notícia é falsa e que a StoneX não fez nenhuma divulgação oficial das estimativas de produção no Vietnã.
Os preços futuros de café arábica e café robusta seguiram uma trajetória altista durante quase toda a semana, mas apresentaram um forte recuo no final do período. No entanto, os preços ainda terminaram a semana com um balanço positivo. A oferta reduzida de café robusta na Ásia segue sendo um dos principais fatores altistas para as cotações de café tanto no terminal londrino como em Nova Iorque. Por outro lado, de acordo com operadores, uma forte venda no spread entre os vencimentos de julho e setembro pressionou as cotações no final da semana.
Em Nova Iorque, do início da semana até a sessão da quinta-feira (06), os preços futuros de café arábica já haviam acumulado ganhos de 5,5%, com o contrato mais ativo fechando a quinta cotado em US₵ 233,35/lb. Na sexta-feira (07), os preços futuros de café arábica tiveram um recuo de 3,6%, fechando a sexta cotado em US₵ 224,90/lb, resultando em um avanço semanal de 1,6%. Em Londres, os preços futuros de café robusta avançaram 8,4% até na quarta-feira (05), mas tiveram uma queda de 4,5% na sexta-feira, fechando a semana cotado em USD 4128/ton, representando uma alta semanal de 3,5%.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 03/06 a 07/06

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café seguiram a tendência observada no exterior, porém com maior intensidade. O indicador Cepea para o café arábica teve um avanço de 2,4% para R$ 1.317,07/saca. O indicador para o robusta avançou 5,5% para R$ 1.212,60/saca. O avanço mais intenso no mercado doméstico foi reflexo da alta de 1,9% do dólar na semana, que fechou a sexta-feira (07) cotado em USDBRL 5,34.
Do ponto de vista dos fundamentos, o cenário segue praticamente inalterado, com os participantes do mercado focados nas condições climáticas nos países produtores, a divulgação dos dados de exportação pelo Cecafé e as divulgações das projeções do USDA. Com relação ao clima no Brasil, segue sendo um ponto principal as temperaturas mínimas nas regiões produtoras durante o inverno, já que, apesar de ainda não ter nenhuma previsão de onda de frio, a aproximação de massas polares no cinturão cafeeiro poderia suportar os preços futuros, tendo em vista a memória da geada em 2021, aumentando a volatilidade. Além disso, a expectativa da chegada do La Niña no segundo semestre segue como ponto de atenção. No entanto, a última atualização dos modelos do NOAA aponta para um fenômeno de fraca intensidade, o que não seria suficiente para impactar negativamente a produção no Brasil.
Ainda sobre o clima, é foco dos agentes o acompanhamento das chuvas no Vietnã, cuja produção está passando pelo período de pegamento e expansão dos frutos, etapas cruciais para definir o potencial em 2024/25. Como foi comentado em outras edições deste relatório, o Vietnã enfrentou condições adversas do clima nos primeiros meses do ano devido aos efeitos no El Niño. No entanto, a mudança para uma condição neutra favoreceu o retorno das chuvas no país nas últimas semanas. De acordo relatório climático da StoneX, que usa dados de NOAA/NCEP/EMC, todo o cinturão cafeeiro vietnamita recebeu expressivos volumes de até 300 mm no acumulado dos últimos 14 dias. Desta forma, o mapa de anomalia mostra que o país recebeu volumes acima da média histórica no acumulado dos últimos 30 dias. Para as próximas duas semanas, os modelos têm apontado para volumes acumulados entre 30 e 150 mm na região das terras altas centrais do país.
Vietnã: Acumulado dos últimos 30 dias frente a média histórica (%) e previsão acumulada de chuva para os próximos 14 dias

Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2024.
Na semana será repercutido os dados de exportação de café no Brasil, que, conforme nota oficial, será divulgado pelo Cecafé na terça-feira (11) às 16 horas. Desde o início do ano, o Brasil tem apresentado expressivo crescimento no volume das exportações, com crescimentos elevados nas exportações de robusta, mas também de café arábica. Para o café robusta, o grande destaque é que o Brasil segue sendo a origem mais competitiva do mundo enquanto os países produtores de robusta na Ásia tem enfrentado problemas com a produção. Os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam para um crescimento de quase 73% nas exportações em maio para 4,065 milhões de sacas.
No último mês o Departamento Americano de Agricultura (USDA, sigla em inglês) divulgou os relatórios dos adidos nos países produtores de café, terminando uma sequência de divulgações com os relatórios dos dois maiores produtores mundiais de café, Brasil e Vietnã. Para o Brasil o departamento projetou um avanço de 5,4% na produção para 69,9 milhões de sacas, para o Vietnã a estimativa foi de uma queda de apenas 0,3% para 29 milhões de sacas. Além destes países, o departamento projetou um avanço de 1,6% na produção colombiana e uma recuperação de 42,5% na produção da Indonésia. Os dados dos países que foram divulgados apontam para um crescimento parcial na produção de 5,2% para 149,4 milhões de sacas. Desta forma, no relatório final que será divulgado quinta-feira (20) da próxima semana, o USDA deve apontar para um aumento na produção global de café. Com relação ao consumo, ainda é incerto qual seria o apontamento do USDA, mas existe a expectativa que a agência aponte para um balanço de oferta e demanda mais confortável na próxima temporada.
Tabela resumo das estimativas do USDA

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Com relação a produção brasileira de café, na última semana a StoneX realizou uma pesquisa de progresso de safra, que indicou que as regiões produtoras de robusta seguem com a colheita mais avançada no Brasil, principalmente no estado de Rondônia, onde a colheita está em torno de 60%, enquanto no Espírito Santo a colheita já alcançou 46%. Nas regiões produtoras de café arábica o ritmo de colheita está na casa de 30% para quase todas as regiões, com um avanço um pouco maior de 35% nas matas de minas, enquanto São Paulo está com aproximadamente 28% colhido.
De acordo com Instituto Nacional do Café de Honduras (IHCAFE, sigla em espanhol) o país centro americano exportou 938,8 mil sacas em maio, o que representa um incremento de 13,6% se comparado com o volume exportado em maio de 2023. Desta forma, o acumulado das exportações no ano safra do país totalizou 3,64 milhões de sacas, o que representa um incremento de 1,6%. Por outro lado, para a temporada 2024/25, a Associação dos Exportadores de Café de Honduras (ADECAFEH, sigla em espanhol) projeta uma queda de 11% nas exportações do país para 4,7 milhões de sacas. A ADECAFEH não justifica a redução das exportações com uma possível queda na produção do país, no entanto, os dados climáticos têm mostrado que todos os países da América Central têm enfrentado uma condição climática adversa, com o acumulado de chuva nos últimos 30 dias bem abaixo da média histórica. Para as próximas duas semanas, os modelos apontam para o retorno de acumulados expressivos de chuva para os países da região.
América Central: Acumulado dos últimos 30 dias frente a média histórica (%) e previsão acumulada de chuva para os próximos 14 dias

Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2024.
De acordo com Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC), a produção de café no país sul-americano avançou 39% em maio para 1,12 milhões de sacas. Desta forma, o acumulado nos primeiros 5 meses do ano totalizou 4,65 milhões de sacas, o que representa um avanço de 14% se comparado com o mesmo período de 2023. Com o aumento da produção, as exportações também avançaram para 933 mil sacas (+10%). Neste contexto, os estoques de café em maio avançaram 6,2% para 1,039 milhões de sacas.
Ainda na última semana, a empresa americana J.M. Smucker Co., dona das marcas Folgers, Café Bustelo e Dunkin’ Brands, divulgou o relatório financeiro para o 1º trimestre de 2024. De acordo com o relatório, a receita das vendas de café no varejo nos EUA teve uma queda de 4% no trimestre, refletindo de uma queda de 2% nos preços e 2% no volume de café vendido. Por outro lado, foi anunciado que a rede de cafeterias Chinesa Luckin Coffee fez um acordo com o governo brasileiro se comprometendo a comprar do país 120 mil toneladas de café (2 milhões de sacas).
TABELA DE INDICADORES






