• Café arábica recuou 0,3% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 224,40/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta recuaram 2,9% para USD 4009/t
• Dólar tem alta de 0,6% para USDBRL 5,38 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 1,8%, cotado a R$ 1.340,74/sc
• Indicador Cepea de café robusta recuou 1,6% para R$ 1.193,78/saca
• Exportações brasileiras avançaram 79,6% em maio
• Vietnã teve queda de 48% nas exportações de café em maio
• Dados da StoneX indicam que 42% da safra brasileira já foi colhida
• USDA divulgará relatório final na quinta-feira (20)
• USDA divulga estimativas para Uganda e Quênia
• Expectativas são de que o USDA mostre um superávit no balanço de 2024/25
Sem grandes mudanças do ponto de vista dos fundamentos, os preços futuros de café foram impactados principalmente por fatores técnicos. Em Nova Iorque, apesar da volatilidade na semana, os preços futuros de café arábica terminaram a semana praticamente inalterados, com o contrato mais ativo recuando apenas 50 pontos (-0,2%) na semana, fechando a sexta-feira (14) cotado em US₵ 224,40/lb. Em Londres, os preços futuros de café robusta também terminaram a semana em queda, com o contrato mais ativo recuando USD 119/ton (-2,9%) e fechando a última sessão cotado em USD 4009/ton.
Do ponto de vista macro, a deterioração do cenário fiscal no Brasil contribuiu para disparada do dólar no mercado doméstico brasileiro, que avançou 0,6% na semana para USDBRL 5,38 e chegou a alcançar o valor máximo desde janeiro do ano passado. A valorização do dólar impactou diretamente os preços de café no mercado doméstico brasileiro. Enquanto Nova Iorque recuou 0,2% na semana, o indicador Cepea para o café arábica avançou 1,8% para R$ 1340,74/saca. Para o robusta, enquanto Londres recuou quase 3%, o indicador Cepea para o tipo apresentou um recuo de 1,6% para R$ 1193,78/saca.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 10/06 a 14/06

Do ponto de vista dos fundamentos, o cenário segue praticamente inalterado, com o foco principal dos agentes na divulgação do relatório final do USDA, que será divulgado nesta quinta-feira (20) e trará as perspectivas da instituição para o balanço global de oferta e demanda de café em 2024/25. Na quarta-feira (19), o CoffeeNetwork, empresa do grupo StoneX nos EUA, divulgará seu relatório com a projeção do balanço global de oferta e demanda de café. Além disso, os agentes seguem de olho nas condições climáticas no Brasil e no Vietnã. No Brasil, segue como ponto de atenção a possibilidade da chegada de ondas de frio no cinturão cafeeiro, o que poderia dar suporte aos preços e aumentar a volatilidade. Por outro lado, o avanço da colheita e a maior disponibilidade de café no mercado físico pode pressionar as cotações no curto prazo.
De acordo com relatório divulgado na última sexta-feira (14) pela StoneX, 42% da safra brasileira de café já foi colhida, o que representa um volume de 28,1 milhões de sacas, considerando a projeção da StoneX de 67 milhões de sacas para a safra brasileira. Ainda de acordo com o levantamento, 56% da safra de café robusta foi colhida enquanto o avanço da colheita foi de 35% para as regiões produtoras de café arábica. Das regiões produtoras, Rondônia está com um ritmo mais avançado, com 66% colhido, enquanto a produção de café arábica na Bahia está com apenas 25% da safra colhida.
Ainda na última semana, o IBGE divulgou sua última atualização para a safra brasileira de café em 2024/25. De acordo com o instituto, o Brasil deve produzir 61,4 milhões de sacas, o que representa um aumento de 1,7% se comparado com a estimativa anterior e um incremento de 7,7% se comparado com a safra 2023/24. A produção de café arábica foi estimada em 42,3 milhões de sacas, o que é 7,1% maior que na temporada anterior. Para o café robusta, a produção deve avançar 9,1% para 19,1 milhões de sacas, refletindo um incremento de mais de 6% na produtividade e de quase 3% na área colhida. A estimativa do IBGE se posiciona dentre as menores estimativas do mercado, sendo superior apenas a projeção da Conab. A StoneX projetou a safra brasileira em 67 milhões de sacas (+4,2%) e o USDA estimou a produção em 69,9 milhões de sacas (+5,4%).
Amplitude das estimativas para a produção brasileira de café (milhões de sacas)

Fonte: StoneX, USDA e Conab. Elaboração: StoneX.
Na última semana, foi divulgado pelo Cecafé os dados das exportações brasileiras de café em maio. De acordo com o conselho, o Brasil exportou 4,396 milhões de sacas no mês, o que representou um incremento de 79,6% se comparado com maio de 2023. Como resultado, a receita brasileira das exportações avançou mais de 90% para 5,2 bilhões de reais. As exportações de café cru tiveram um incremento de 90,2% para 4,03 milhões de sacas, sendo 868,3 mil sacas de café robusta (+559%) e 3,16 milhões de sacas de café arábica (+59%). As exportações de café industrializado também avançaram 11% para 364,8 mil sacas, sendo o café solúvel o principal produto, avançando quase 12% para 362,3 mil sacas.
No ano-safra até o mês de maio (jul-mai) o Brasil exportou 43,7 milhões de sacas, o que representa um incremento de 32,4% se comparado com o mesmo período do ano anterior. As exportações de café arábica avançaram 16,4% para 32,9 milhões de sacas e as exportações de café robusta avançaram quase 500% para 7,4 milhões de sacas. Por outro lado, as exportações de café industrializado recuaram 3,3% para 3,35 milhões de sacas.
Exportações brasileiras de café (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Enquanto as exportações brasileiras avançaram em maio, os dados do Vietnã mostraram que as exportações do país tiveram uma expressiva queda no mês de maio. De acordo com os dados da autoridade aduaneira do país, o Vietnã exportou 1,32 milhões de sacas em maio, o que representa uma queda de quase 48% nas exportações do país no comparativo anual. Ainda de acordo com o relatório, as exportações acumuladas no ano-safra até o momento, que contabiliza os dados entre os meses de out/23 e maio/24, totalizaram 19,7 milhões de sacas, o que representa um recuo de 6,43% se comparado com o mesmo período do ano anterior. A queda nas exportações Vietnamitas e o avanço nas exportações brasileiras de café robusta expõe o cenário em que o Brasil está tomando parte do espaço que antes era preenchido pelo Vietnã no mercado internacional.
USDA publica estimativas de produção para mais dois países. Dados consolidados e saldo global serão divulgados nessa semana
Na semana passada foram divulgados os relatórios dos adidos do USDA, que precederam a divulgação do número consolidado para todos os países e para o saldo global nessa semana. O maior destaque foi o relatório de Uganda, sexto maior produtor global de café. O Departamento estima uma produção de 6,9 milhões de sacas para o país na temporada 2024/25, o que representa um crescimento de 0,6% em relação à safra anterior, que recebeu um leve ajuste, de 6,85 para 6,86 milhões de sacas. Já para as exportações do país é esperado um crescimento de 0,9%, indo de 6,5 milhões de sacas em 2023/24 para 6,6 milhões na próxima temporada.
Outro destaque importante foi o aumento da representatividade no café arábica no país. Tradicionalmente, o café robusta é responsável por cerca de 80% da produção local, enquanto o arábica representa 20%. Já neste ano, o robusta deve representar apenas 63%, enquanto o arábica deve atingir cerca de 38% da produção do país.
O USDA também revelou as estimativas para o Quênia, com perspectiva de que a produção do país recue 6,3% no comparativo anual, saindo de 800 mil sacas em 2023/24 para 750 mil sacas em 2024/25. As exportações do país devem recuar 1,3% para 720 mil sacas. Dessa forma, o balanço total parcial das estimativas do USDA mostra uma revisão de -1,3% na atual temporada, para 149,7 milhões de sacas, com um crescimento anual de 4,9% para totalizar 157 milhões de sacas em 2024/25. As exportações, praticamente em estabilidade na atual temporada após as revisões, são estimadas para crescerem em 3,0% para 124,9 milhões de sacas.
O mercado tende a operar de maneira mais lateral na semana até a divulgação na próxima quinta-feira (20). Vale destacar que, apesar de as expectativas para uma maior produção já estarem consolidadas após a divulgação dos principais produtores com exceção à Etiópia, existe uma grande dúvida quanto ao que o USDA mostrará em relação ao consumo. Já é consolidado entre os agentes a expectativa de que o saldo global de 2024/25 deve mostrar um saldo global positivo, todavia, o mercado deve balizar a intensidade desse superávit a partir do relatório dessa semana.
Tabela resumo das estimativas do USDA

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES






