• Café arábica avança 8,6% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 248,75/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 10,3% para USD 4617/t
• Dólar recua 0,6% para USDBRL 5,43 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 5,1%, cotado a R$ 1.460,32/sc
• Indicador Cepea de café robusta avança 4,6% para R$ 1.292,34/saca
• Oferta reduzida na Ásia segue dando suporte aos preços de café
• Preocupação com o tamanho da safra no Brasil dá suporte aos preços
• Foco dos participantes será no clima e na florada no Brasil
• Cecafé: Brasil bateu novo recorde exportando 47,3 milhões de sacas em 2023/24
Na última semana, os preços futuros de café apresentam um expressivo aumento tanto no terminal americano como no terminal britânico. O cenário de oferta reduzida de café robusta e as preocupações com o rendimento da atual safra no Brasil fomentaram o avanço dos preços observados na semana. Além disso, a queda do dólar na semana também suportou os avanços dos contratos de café no exterior.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo de café arábica, com vencimento em setembro, terminou a semana com um avanço de quase 2000 pontos (+8,6%), fechando a sexta-feira (12) cotado em US₵ 248,75/lb. Em Londres, o contrato mais líquido de café robusta renovou sua máxima histórica na terça-feira (09), quando avançou USD 286/ton (+6,6%) na sessão e fechou cotado em USD 4634/ton – no balanço semanal, os preços em Londres tiveram um avanço de USD 432/ton (+10,3%), fechando a sexta-feira (12) cotado em USD 4617/ton. Na semana, o Dollar Index teve uma queda de 0,8% para 103,72 pontos e o par USDBRL recuou 0,6% para 5,43.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 08/07 a 12/07

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café arábica e robusta seguiram a tendência no exterior e terminaram a semana em alta, porém com menor intensidade. O indicador Cepea para o café arábica teve um avanço de 5,1% na semana para R$ 1.460,32/saca. O indicador para o café robusta também teve um avanço simular, contabilizando um incremento de 4,6% para R$ 1.292,34/saca. O avanço menos intenso no mercado doméstico pode ser explicado pela queda do dólar na semana.
Do ponto de vista dos fundamentos, o cenário segue praticamente inalterado, com o mercado tendo suporte na oferta reduzida de café robusta na Ásia e na preocupação com o rendimento da safra 2024/25 no Brasil. Como foi apresentado em outras edições deste relatório, o cenário de oferta apertada de robusta na Ásia não deve se arrefecer no curto prazo, tendo em vista que a colheita da safra 2024/25 no Vietnã, maior produtor mundial de robusta, só terá início a partir de meados de novembro, com o café chegando de fato no mercado a partir de meados de dezembro.
Com relação ao Brasil, como já foi abordado em outras edições deste relatório, o rendimento da safra brasileira de café, que atualmente está com 73% colhido, está aquém do esperado, o que indica uma oferta menor que o esperado no Brasil. Desta forma, é possível que as organizações ajustem para baixo suas estimativas para a safra brasileira. Além disso, a qualidade da safra está inferior, com um aspecto e peneira inferiores. A média das projeções para a safra brasileira de café apontaram para um incremento de 6% para 68 milhões de sacas, com o USDA projetando uma safra de 69,9 milhões de sacas e outras instituições apostando em um número ainda maior, acima de 70 milhões de sacas. A StoneX, depois de conduzir um giro de safra nas regiões produtores no Brasil projetou um avanço de 4,2% na safra brasileira para 67 milhões de sacas.
Nas próximas semanas, além do acompanhamento dos aspectos citados acima, o foco dos participantes do mercado será o clima. Enquanto a manutenção de um clima adequado é essencial para o desenvolvimento da safra no Vietnã, no Brasil, o retorno das chuvas nos próximos meses é necessário para garantir a abertura adequada da florada no país. Com relação a isso, a possibilidade do retorno do La Niña será monitorada de perto. No entanto, as últimas atualizações da agência americana NOAA apontam que o fenômeno só terá início a partir de outubro/novembro/dezembro e seria de fraca intensidade, o que não seria capaz de provocar danos severos para a florada. No entanto, é essencial monitorar esse cenário de perto, tendo em vista a incerteza ligadas as previsões do clima.
Brasil bate novo recorde nas exportações de café em 2023/24
Na última semana, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou os dadas das exportações de café em junho e fez um balanço das exportações de café no ano safra 2023/24 (jul/23-jun/24). Em junho o Brasil totalizou 3,297 milhões de sacas exportadas, um volume que apesar de marcar um recuo de 18% frente ao mês anterior, representou um aumento de quase 44% em relação a junho do ano passado.
Novamente, o café robusta foi um grande destaque. As exportações de robusta totalizaram 817 mil sacas, um aumento de 254% frente ao mesmo mês de 2023, enquanto os embarques do café arábica cresceram 20% no comparativo anual, para quase 2,5 milhões. Com isso, nós chegamos aos números consolidados das exportações na temporada 2023/24. A soma entre as exportações de café arábica, robusta, café solúvel e café torrado, totalizaram 47,3 milhões de sacas, um aumento de 32,7% em relação ao ano passado, quando foi de 35,6 milhões, e inclusive superando as exportações da safra recorde de 2020/21, quando os embarques foram de 45,7 milhões de sacas.
Evolução das exportações brasileiras de café (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
O volume maior se deu tanto em função de uma safra com bom volume, quanto pela alta competitividade do café robusta. Enquanto o arábica registrou uma alta de 16,7% frente ao ano-safra anterior, totalizando mais de 35 milhões de sacas, o café robusta saiu de menos de 1,5 milhão de sacas na temporada anterior para 8,2 milhões na safra que acabou de se encerrar, um aumento de 461%. A participação do café robusta na pauta exportadora nunca foi tão grande. A título de comparação, nas duas temporadas anteriores, o robusta representou 6,7% e 4,1% respectivamente de todas as exportações do Brasil, enquanto em 2023/24 foi responsável por 17,4% das exportações.
A receita das exportações também cresceu e renovou sua máxima histórica em 2023/24. A receita das exportações brasileiras de café totalizou 9,8 bilhões de dólares na temporada, representando um avanço de 20,7% se comparado com a temporada anterior. A maior receita veio das exportações de café arábica, que avançou 7% para 7,6 bilhões de dólares. No entanto, o maior avançou veio nas receitas das exportações de café robusta, que avançou quase 536% para quase 1,4 bilhões de dólares. Já a receita das exportações de café industrializado avançou apenas 0,7% para 767,9 milhões de dólares, sendo que o café solúvel representou 97% deste montante.
Volume (milhões de sacas) e receita (bilhões de dólares) das exportações brasileiras de café

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES






