• Café arábica avançou 1,3% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 247,30/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 5,9% para USD 4715/t
• Indicador Cepea para o café arábica registrou alta de 0,6%, cotado a R$ 1.432,53/sc
• Indicador Cepea de café robusta avançou 3,8% para R$ 1.375,16/saca
• Clima seco no Brasil pode impactar negativamente a florada do café
• StoneX divulga matéria especial sobre o ritmo de compra de fertilizantes
• Última atualização NOAA reduz a probabilidade de La Niña no fim do
• O clima seco deve prevalecer ao longo de setembro
• Clima seco favorece a ocorrência de queimadas
• Expectativa é de que as condições voltem ao normal apenas em outubro
Preços futuros de café terminaram a última semana em alta, refletindo as preocupações dos agentes com o clima no Brasil associado a alguns fatores técnicos. Enquanto na última quinta-feira (22) foi o primeiro dia de aviso (FND, sigla em inglês) para o contrato de café arábica com vencimento em setembro, nesta terça-feira (26) será o FND para o contrato de café robusta em Londres – o mercado londrino segue fechado nesta segunda-feira (26) devido a um feriado no país. Os preços de café também foram influenciados pela grande volatilidade do dólar na semana.
Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em dezembro teve uma alta de 1,3%, fechando a sexta-feira (23) cotado em US¢ 247,30/lb. Em Londres o contato mais ativo, com vencimento em novembro, apresentou uma alta ainda mais intensa de 5,9% para USD 4715/ton. No mercado doméstico brasileiro, o indicador Cepea teve um avanço de 0,6% para o café arábica e de 3,8% para o café robusta, fechando a sexta-feira cotado em R$ 1.432,53/saca e R$ 1.375,16/saca, respectivamente. Em meio a grande volatilidade, o par USDBRL terminou a semana com uma variação de 0,3% cotado em 5,49.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 19/08 a 23/08

Do ponto de vista dos fundamentos, o foco dos agentes continua sendo o clima no Brasil e o desenvolvimento dos estágios iniciais da safra 2025/26. A florada nas regiões produtoras no Brasil segue avançando, mas o clima seco e quente tem impactado negativamente essas etapas iniciais de desenvolvimento. Conforme será analisado abaixo, os modelos apontam que o retorno regular das chuvas só deverá acontecer a partir da segunda metade de setembro. Desta forma, o clima seco continuará sendo uma preocupação para os agentes e atuando de forma altista para as cotações de café.
Além do clima, outro fator determinante para o potencial produtivo da próxima temporada é o nível de investimento do produtor na aquisição de insumos. Para entender esta situação a StoneX divulgou uma análise sobre a relação de troca entre café e fertilizantes e o ritmo de compra dos produtores em algumas regiões cafeeiras no Brasil. Os dados mostram um cenário favoráveis para o produtor brasileiro e que a aquisição de fertilizantes chegou a alcançar 70% no cerrado até o mês de julho. Para mais detalhes leia a análise completa: Café e Fertilizantes | Ritmo de compra de fertilizantes e os impactos sobre o café.
Na última semana foi divulgada a atualização dos modelos do NOAA para a probabilidade da ocorrência de La Niña e a projeção da variação da temperatura na superfície do Oceano Pacífico. A última atualização reduziu a probabilidade da ocorrência de La Niña nos próximos meses, com uma probabilidade bastante similar da ocorrência do fenômeno ou da permanência de uma condição neutra. De acordo com o modelo, existe uma probabilidade entre 46% e 48% da ocorrência de La Niña entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, enquanto a probabilidade de uma condição neutra é entre 45% e 47%. Ademais, a projeção da variação da temperatura mostra que caso o La Niña ocorra, ele teria uma intensidade fraca e uma curta duração no final de 2024 e início de 2025.
Previsões probabilísticas de La Niña/El Niño (%) e projeção de variação na temperatura de superfície do Oceano Pacífico (em °C)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
O clima seco deve prevalecer ao longo de setembro, com a expectativa de que as condições voltem ao normal apenas em outubro
Durante o fim de semana de 24-25 de agosto, a passagem de uma frente fria trouxe umidade para a região cafeeira no Sul de Minas Gerais. As estações meteorológicas do INMET registraram precipitações nos municípios de Machado (66 mm), Varginha (2,2 mm) e Maria da Fé (26 mm) nas últimas 48 horas. Entretanto, essa precipitação não trouxe volumes significativos para reestabelecer a umidade do solo, mas está induzindo a floração de algumas áreas cafeeiras desta região.
A frente fria, ao seguir para o oceano, deixará o tempo aberto e seco, o que pode ocasionar abortamento das flores ou baixa fecundação. Registros de precipitação não foram observados no Cerrado. É importante lembrar que, na região do centro e sudeste do Brasil, as precipitações não têm sido significativas por mais de 3 meses consecutivos. Para a região do Cerrado mineiro, o Índice Integrado de Seca (IIS3) do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) classifica o Cerrado entre seca severa e extrema.
Durante a semana de (26-31 de agosto), a presença de uma massa polar que está se estabelecendo no sul do Brasil reduzirá as temperaturas no Sudeste do país, especialmente nas áreas de altitude. As anomalias de precipitação para o mês de agosto se caracterizaram pelo estado de déficit destacando-se o Sul de Minas e o Espírito Santo com valores negativos entre 20 e 40 mm.
Anomalia de chuva frente a média histórica dos últimos 30 dias (mm)

Fonte: StoneX.
Eventos de seca consecutiva e falta de umidade tornam o ambiente mais propenso a incêndios, aumentando sua frequência, intensidade, tamanho e severidade. A vegetação seca é altamente inflamável e se tornam combustível em potencial e, na presença de um fator de ignição, podem resultar em incêndios que se espalham rapidamente, levando a desastres ambientais. Um exemplo disso ocorreu recentemente, quando movimentos de fumaça com gases tóxicos foram observados no céu de São Paulo, gerando preocupação com a saúde da população. As consequências desses eventos para a vegetação e as plantações de café ainda não são amplamente pesquisadas, mas sabe-se que prejudica a atividade fotossintética das plantas.
Os cafeicultores e o agronegócio como um todo aguardam ansiosamente o mês de setembro e, com isso, o início da temporada de chuvas regulares e volumosas, fundamentais para o começo das práticas culturais, assim como para a florada e o desenvolvimento do chumbinho. No entanto, modelos como o CFSv2 preveem que a precipitação em milímetros para o mês será abaixo da média histórica no Cerrado e no Sul de Minas, agravando o déficit hídrico. Em outubro, as chuvas provavelmente voltarão à normalidade, mas os volumes esperados podem não ser suficientes para restabelecer a umidade adequada do solo, diminuindo a disponibilidade de água para as lavouras de café devido aos baixos volumes totais previstos.
Previsão da anomalia de chuva e umidade do solo para os meses de setembro e outubro

Fonte: Cemaden/MCTI.
TABELA DE INDICADORES





