• Café arábica recuou 1,3% na semana, mas avançou 6,5% no mês em Nova Iorque
• Em Londres, os preços de robusta avançaram 4,9% na semana e 16% no mês
• Indicador Cepea para o café arábica avançou 1,1% na semana e 2,3% no mês
• Para o robusta, o indicador Cepea avançou 7,9% na semana e 16,7% no mês
• Preços de café robusta ultrapassaram os preços de café arábica
• Oferta reduzida de café robusta segue dando suporte aos preços
• Dados preliminares da Secex apontam para queda de 20% nas exportações
• A condição de déficit hídrico e temperaturas acima do normal deve continuar
• Modelos apontam para chuvas nas últimas semanas do mês de setembro
Sem grandes mudanças no campo dos fundamentos, os preços futuros de café arábica terminaram a última semana com uma queda de 1,3% para US¢ 244,05/lb, devido principalmente a alta de 2,3% no dólar, que fechou cotado em R$ 5,61. Por outro lado, os preços futuros de café robusta tiveram um avanço de 4,9% para USD 4948/ton, refletindo o cenário inalterado de oferta restrita do tipo devido a menor produção na Ásia e o rendimento menor na produção brasileira.
No balanço mensal, ambos os mercados terminaram o período em forte alta. No terminal americano, os preços de café arábica tiveram um avanço de 6,5% no mês. Em Londres, o avanço foi ainda mais intenso de mais de 16%. Os preços seguiram essa trajetória altista devido principalmente aos eventos climáticos que impactaram as regiões produtoras em agosto.
No início do mês, a passagem de uma massa polar derrubou as temperaturas e provocou geadas de forma localizada em algumas regiões como cerrado e mogiana. Na sequência, a manutenção de um clima seco em meio a florada do café atuou de forma altista para os preços. Esse cenário de clima adverso na florada persiste e deve continuar impactando os preços nas próximas semanas.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 26/08 a 30/08

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café arábica também avançaram, com o indicador Cepea terminando a semana com uma valorização de 1,1%, cotado em R$ 1448,24/saca. No balanço mensal, os preços de arábica tiveram um avanço de 2,3%. Para o café robusta, o avanço foi ainda mais intenso, com o indicador Cepea para o tipo avançando 7,9% na última semana e 16,7% no comparativo mensal.
Além disso, pela primeira vez o café robusta foi negociado acima dos preços praticados no mercado de arábica. O indicador Cepea para o café robusta fechou na última sexta-feira (30) cotado a R$ 1483,95/saca, valor 2,5% superior à cotação do indicador para o café arábica. Como citado anteriormente, a oferta reduzida de café robusta na Ásia e a menor produção que o esperado no Brasil tem resultado em fortes avanços nos preços do tipo.
Indicador Cepea para os preços de café arábica e robusta no Brasil (R$/saca)

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX. .
Do ponto de vista dos fundamentos, o cenário segue praticamente inalterado, com os participantes do mercado de olho no clima no Brasil e nas etapas iniciais de desenvolvimento da safra 2025/26. A persistência de um clima seco em meio à abertura da florada continuará dando suporte às cotações do café, tendo em vista o risco para o potencial produtivo da próxima temporada.
Para uma floração adequada e, por conseguinte, uma boa produtividade, são necessários volumes significativos de chuva e uma boa distribuição ao longo do tempo. Além disso, neste momento, é fundamental restabelecer a umidade ao ambiente e amenizar o atual estado de déficit ou falta de água. Até o momento, foram observados volumes de chuva e temperaturas anormais para as regiões produtoras, o que está afetando cada vez mais o potencial produtivo das lavouras para a safra 2025/2026.
Ademais, serão repercutidos os dados de exportação dos países em agosto, principalmente do Brasil, que deverá ser divulgado pelo Cecafé na próxima semana. A divulgação de dados que apontem para uma redução no ritmo das exportações tende a atuar de forma positiva para as cotações, tendo em vista que evidenciaria uma condição de menor disponibilidade de café e possíveis problemas logísticos na exportação. Os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) indicaram que o Brasil exportou 2,6 milhões de sacas até a quarta semana do mês, o que representa uma queda de 20% se comparado com o mesmo período de 2023.
O mês de agosto foi caracterizado pela seca e por eventos extremos de temperatura
O mês de agosto para as regiões Sudeste e Centro-Oeste foi caracterizado por ser seco e com temperaturas extremas, o que agravou o estado de déficit hídrico nas principais regiões cafeeiras do Brasil. O Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Mogiana acumulam mais de 110 dias sem chuva efetiva (superior a 10 mm no acúmulo de 10 dias).

Fonte: StoneX. Decêndio período de dez dias consecutivos
Anomalia de chuva frente a média histórica – últimos 60 dias (mm)

Fonte: StoneX.
Temperaturas acima do normal, com períodos curtos e intensos de variações devido aos episódios de friagem e à passagem de massas polares, caracterizaram o mês. Um exemplo foi em Patrocínio, onde, em um dia, foram registradas temperaturas mínimas (tmin) de 2,3 graus durante a passagem de frentes frias, e três dias depois, a tmin estava acima dos 16°C. O mês de agosto terminou com o estabelecimento de uma massa de ar quente no centro do Brasil, o que vai gerar um bloqueio atmosférico e desencadear mais uma onda de calor no início de setembro para toda a região Centro-Oeste e Sudeste do Brasil
Setembro continua com tempo seco e quente, e volumes significativos de chuva são esperados somente para o final do mês, com o início da primavera
No mês de setembro, espera-se normalmente um volume de chuvas variando entre 19 e 30 mm na região da Bahia, entre 59 e 67 mm no Espírito Santo, entre 41 e 69 mm no Cerrado, entre 55 e 64 mm nas Matas de Minas, entre 69 e 73 mm no Sul de Minas, entre 59 e 63 mm na Mogiana, entre 55 e 71 mm no Rosp e entre 72 e 99 mm no Paraná para as regiões produtoras de arábica. Para as regiões produtoras de robusta, como Rondônia, os volumes esperados variam entre 76 e 86 mm, entre 72 e 92 mm no Sul da Bahia, e entre 62 e 69 mm no Norte do Espírito Santo. Normalmente, espera-se que esses volumes de chuva sejam eficazes e tenham uma distribuição que transforme gradativamente a paisagem de uma estação seca para uma mais úmida.
Normais climatológicas do Brasil 1991-2020. Precipitação acumulada para o mês de setembro: A) 1° Decênio, B) 2° Decênio, C) 3° Decênio

Fonte: Inmet .
Entretanto, segundo o modelo GFS, para os primeiros 15 dias de setembro, vai perdurar o tempo seco e com temperaturas máximas superando os 32 - 34°C
Previsão da precipitação acumulada (mm) e temperatura máxima (graus) do modelo GFS entre os dias 02 e 15 de setembro.

Fonte StoneX.
Os modelos indicam que, após o dia 15/09, é possível que comecem a ocorrer chuvas significativas no Sul do Brasil, e a umidade poderá alcançar as regiões cafeeiras. Dessa forma, espera-se que o mês de setembro apresente uma concentração de volumes de chuva nas duas últimas semanas. No entanto, existem algumas divergências na previsão dos modelos ECMWF e GFS para o médio prazo, em termos de volumes, distribuição e duração das chuvas acumuladas, as quais devem ser monitoradas.
Previsão de chuva acumulada (mm) para os meses de setembro e início de outubro, conforme a semana: A) 15 a 21/09, B) 22 a 28/09, C) 29/09 a 05/10, D) 06 a 12/10. Dados provenientes do modelo ECMWF rodado em 01/09/2023.

Fonte: Rural Clima
Previsão de chuva acumulada (mm) para os meses de setembro e início de outubro, conforme a semana: A) 15 a 21/09, B) 22 a 28/09, C) 29/09 a 05/10, D) 06 a 12/10. Dados provenientes do modelo GFS rodado em 01/09/2023.

Fonte: Rural Clima.
TABELA DE INDICADORES





