• O café arábica avançou 6,6% e alcançou a máxima em 13 anos
• Os preços nesse patamar só foram vistos em 1977, 1997 e 2011
• As cotações futuras do café robusta subiram 4,4%, para USD 4.985/ton
• No Brasil, os preços do café arábica e robusta renovaram suas máximas
• O USDA reduziu sua estimativa para a produção no Brasil
• A estimativa do USDA se aproxima da estimativa da StoneX
• O USDA atualizou as estimativas para Colômbia, Indonésia e Índia
• Coffee Network: O USDA deve reduzir sua projeção de excedente para 2024/25
Os preços futuros do café arábica e robusta voltaram a avançar nesta semana, impulsionados pelas preocupações com a nova legislação antidesmatamento da União Europeia (EUDR), pelo corte de 5% na estimativa de produção do USDA para 2024/25 e pela perspectiva de uma menor produção de arábica no Brasil em 2025/26, conforme apresentado nas estimativas da StoneX.
Com o avanço de 640 pontos (2,16%) nesta sexta-feira (22), os preços futuros de café arábica contabilizaram um incremento de 1.880 pontos (6,6%) na semana, ultrapassando o nível dos US¢ 300,00/lb e fechando a sexta cotado em US¢ 302,10/lb, máxima em 13 anos. Os preços futuros de arábica só ultrapassaram esse patamar três vezes nos últimos 50 anos, em 1977, 1997 e 2011. No terminal londrino, os preços também avançaram, terminando a semana com uma alta de USD 212/ton (4,4%), cotados a USD 4.985/ton.
Histórico dos preços de café arábica em Nova York (US¢/lb)

No mercado doméstico brasileiro, o cenário não foi diferente. Além disso, a manutenção do dólar em patamar elevado contribuiu para a valorização no mercado interno. O indicador Cepea para o café arábica já contabilizava um incremento de 8,6% até o fechamento de quinta-feira, cotado a R$ 1.907,06/saca, renovando sua máxima histórica. Para o robusta, o indicador também renovou a máxima da série histórica, mas teve uma alta de apenas 0,45% até quinta-feira, para R$ 1.595,89/saca.
Do ponto de vista dos fundamentos, o foco dos participantes continua no desenvolvimento da safra 2025/26 no Brasil, na colheita no Vietnã, Colômbia e América Central e nas incertezas relacionadas à nova legislação EUDR. Recentemente, a divulgação da atualização das estimativas do USDA para a safra brasileira em 2024/25 atuou de forma altista para as cotações.
O último relatório do USDA reduziu a estimativa da agência para a produção brasileira em 3,5 milhões de sacas (-5%) para a temporada 2024/25, passando de 69,9 para 66,4 milhões de sacas. Com o ajuste, a estimativa do USDA se aproxima da estimativa da StoneX, que havia sido atualizada em agosto. Inicialmente, a StoneX projetava, em fevereiro, a produção em 67 milhões de sacas, mas no início de agosto ajustou para 65,9 milhões de sacas, após reduzir em quase 7% a estimativa para a produção de robusta, para 21,3 milhões de sacas.
Exportações brasileiras de café cru (milhões de sacas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Além do Brasil, o USDA atualizou suas estimativas para a produção na Colômbia, Indonésia e Índia em 2024/25. De acordo com o departamento, a produção colombiana de café deve alcançar 12,9 milhões de sacas, volume 4% maior que a estimativa anterior e 1% maior que a produção na temporada anterior. Para a Indonésia, a produção deve avançar 30,7%, para 10 milhões de sacas, volume 8,3% menor que a estimativa anterior. Para a Índia, o USDA aumentou sua estimativa em 3,3%, para 6,2 milhões de sacas, contabilizando um incremento de 2,3% em comparação ao ano anterior.
Recentemente, o Coffee Network publicou uma análise apontando que o USDA deverá reduzir o excedente no balanço global de oferta e demanda, que será divulgado em dezembro. Além das estimativas para os países citados acima, resta ainda a divulgação das projeções para o Vietnã. Ainda assim, considerando os cortes na produção do Brasil e da Indonésia, mesmo com o avanço na Colômbia e Índia, existe a expectativa de que o USDA reduza sua projeção de excedente para 2024/25, que apontava um excedente de 5,6 milhões de sacas na divulgação de junho deste ano.
TABELA DE INDICADORES



