• Futuros de arábica avançaram 5,8% na semana, fechando em US¢ 347,55/lb
• Em Londres, os preços tiveram um avanço de 10,7%% para USD 5544/ton
• No mercado doméstico brasileiro, os preços de café também registraram alta
• Estoques certificados de café arábica tiveram queda na semana
• Forte queda do dólar deu suporte às cotações no exterior
• Cenário indica oferta apertada no Brasil nos primeiros meses de 2025
Os preços futuros de café voltaram a apresentar aumentos expressivos, tanto em Nova Iorque quanto em Londres. Além das preocupações com a oferta na próxima temporada, os participantes do mercado reagiram à queda dos estoques certificados de café arábica e à desvalorização do dólar, que tende a favorecer avanços nos preços futuros. Os estoques certificados de arábica tiveram uma redução de mais de 26 mil sacas na terça-feira (21) e de 7,5 mil sacas na quinta-feira (23).
Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em março encerrou a semana com valorização de 1920 pontos (5,8%), fechando a sessão de sexta-feira (21) cotado em US¢ 347,55/lb. No terminal londrino, os preços futuros de robusta subiram USD 538/ton (10,7%), alcançando USD 5544/ton. No Brasil, os preços domésticos também avançaram, com o arábica atingindo quase R$ 2.400,00/saca e o robusta ultrapassando R$ 2.100,00/saca.
O dólar, que contribuiu para a valorização dos preços de café no exterior, apresentou uma forte queda refletindo um ambiente externo mais favorável. O mercado refletiu uma postura mais branda que o antecipado de Donald Trump para a imposição de barreiras tarifárias, que optou por não impor nenhuma sobretaxa de importação em sua primeira semana. Isso diminuiu os receios de uma "guerra tarifária" e favoreceu o desempenho de ativos arriscados, como commodities e moedas de economias emergentes. Para mais detalhes leia os conteúdos de Câmbio no portal de Inteligência de Mercado da StoneX.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 20/01 a 24/01

Impactos no mercado doméstico brasileiro
Além das movimentações no exterior, o cenário de aperto na oferta também afeta o mercado brasileiro, o segundo maior consumidor mundial de café, com quase 22 milhões de sacas consumidas anualmente. Nos últimos anos, o parque industrial nacional tem operado com estoques reduzidos, adotando práticas de gestão "Just in Time" para reduzir os estoques. Contudo, a indústria enfrentará desafios na originação de café em 2025 devido à menor disponibilidade nos primeiros meses do ano.
A menor produção causada por problemas climáticos e o aumento expressivo das exportações em 2024, que ultrapassaram 50 milhões de sacas, reduziram substancialmente os estoques nacionais, agravando a situação. O robusta, em particular, apresenta maior preocupação, com a produção de 2024 estimada pela StoneX em 21,2 milhões de sacas (-1,6%). Além disso, as exportações do tipo robusta cru atingiram 9,35 milhões de sacas (+97,9%), enquanto o café solúvel, produzido majoritariamente a partir de robusta, somou 4,09 milhões de sacas (+13%).
Refletindo este cenário, os preços do robusta permanecem firmes no mercado doméstico, superando R$ 2.100,00/saca. Além disso, os diferenciais de preços avançaram significativamente: os preços pagos ao produtor passaram de USD -40/ton no início do ano para USD +500/ton na última semana, tornando o robusta brasileiro substancialmente mais caro que o preço negociado na bolsa de Londres.
Esse cenário deverá se estabilizar com a chegada da nova safra, especialmente de robusta, que promete um avanço significativo. Em novembro, a StoneX estimou a safra de robusta para 2025/26 em 25,6 milhões de sacas, um aumento de quase 21%. Por outro lado, a produção de arábica foi projetada em queda de mais de 10%, com estimativa de 40 milhões de sacas. A próxima atualização das projeções será divulgada em março, após nova coleta de dados em campo.
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