• Café arábica atingiu US¢ 373,05/lb na ICE, queda semanal de 4,2%
• Café robusta recuou 6,8%, fechando a USD 5330/t na bolsa de Londres
• Alta do dólar contribuiu para pressionar as cotações no exterior
• Estoques pendentes seguem acima de 100 mil sacas, podendo virar certificados
• Modelos climáticos divergem quanto às chuvas no cinturão cafeeiro
• Início da colheita no Brasil pode pressionar as cotações
• Participantes ficarão de olho nos dados de exportação no Brasil em fevereiro
• Inflação do café ao consumidor avança no Brasil, EUA e Europa
Após encerrar a semana anterior com expressivas quedas, os contratos futuros de café arábica e café robusta voltaram a cair na última semana. A perspectiva de melhora nas condições climáticas no Brasil e a expectativa de aumento nos estoques certificados de arábica têm pressionado as cotações. Além disso, a alta do dólar também contribuiu para esse movimento nos terminais internacionais. Em Nova York, o contrato mais ativo, com vencimento em maio, registrou queda de 4,2%, sendo cotado a US¢ 373,05/lb. Em Londres, o contrato mais negociado teve uma desvalorização de 6,8%, fechando USD 5330/ton.
No mercado doméstico brasileiro, os preços de café também encerraram a semana em queda. O indicador CEPEA para o café arábica registrou uma desvalorização de 1,4% na variação mensal até o fechamento da quinta-feira, dia 27, e uma queda de 3,4% na semana, alcançando o patamar de R$ 2472/sc. Para o café Robusta, o indicador CEPEA apontou uma queda de 4,2% na avaliação mensal, além de uma desvalorização de 2,9% na última semana, fechando o período em R$ 1985/sc.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 24/02 a 28/02

Além dos fundamentos do mercado, o comportamento do dólar tem exercido grande influência sobre as cotações. Um exemplo disso foi o forte avanço observado no início do ano. Desde o final de 2024 até a máxima registrada em 13 de fevereiro, o contrato em Nova York subiu 35%, enquanto o dólar apresentou uma queda de 6,7% em relação ao real. Essa correlação inversa entre o dólar e os preços do café ficou evidente na última semana: o café arábica registrou queda de 4,2%, enquanto o robusta recuou 6,8%, em contraste com a valorização do dólar de 2,8%, que alcançou a cotação de R$ 5,899.
No cenário climático, o tempo seco e quente nas primeiras semanas de fevereiro gerou preocupações entre os agentes do mercado, já que o Brasil está na fase final do desenvolvimento da safra de café. Para os próximos 15 dias, os modelos climáticos americano e europeu divergem. O modelo europeu é mais otimista, prevendo volumes de até 80 mm de chuva na região sul da Bahia, Espírito Santo, leste de Minas Gerais e partes do Cerrado Mineiro, enquanto São Paulo pode registrar até 50 mm. Em contrapartida, o modelo americano é mais cauteloso, prevendo chuvas significativas apenas na região sul da Bahia e norte do Espírito Santo.
A oferta limitada de café continua sendo um fator altista para as cotações, especialmente durante o período de entressafra no Brasil. No entanto, a entrada da nova safra pode trazer um alívio na oferta e exercer pressão baixista sobre os preços. Em 2025, espera-se um impacto significativo na produção de arábica devido às condições climáticas adversas no final de 2024, que afetaram a florada do café. A StoneX já estimou uma queda de 10,5% na produção de arábica, com previsão de 40 milhões de sacas. Por outro lado, a produção de café robusta deve crescer cerca de 21%, alcançando 25,6 milhões de sacas, o que pode aliviar as preocupações com a oferta do tipo. Nas próximas semanas, diversas empresas atualizarão suas projeções para a produção brasileira, enquanto o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, sigla em inglês) divulgará suas primeiras estimativas em maio, seguido do relatório final com o balanço global de oferta e demanda em junho.
Outro ponto de atenção será a divulgação dos dados de exportação do Brasil em fevereiro pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Problemas logísticos têm impactado as exportações, com mais de 600 mil sacas acumuladas e não exportadas em janeiro devido a gargalos logísticos. O relatório do Cecafé de janeiro mostrou que o Brasil exportou 3,97 milhões de sacas. Ainda assim, os desafios logísticos persistem, afetando o desempenho das exportações brasileiras.
Outro fator relevante é o impacto da inflação sobre o consumo global de café. Segundo dados do IBGE, a inflação acumulada nos últimos 12 meses até janeiro de 2025 superou 50% no Brasil. Nos Estados Unidos, a inflação alcançou 14,6%, enquanto na União Europeia o índice para o café torrado e moído atingiu 8,2%. O aumento expressivo nos preços pode impactar o consumo mundial, o que preocupa os agentes do mercado.
Diante desse cenário, um conjunto de fatores altistas e baixistas continuará influenciando as cotações. Do lado altista, destacam-se as possíveis preocupações climáticas no Brasil, a menor oferta no mercado físico durante a entressafra (a colheita no Brasil terá início a partir de abril, com ritmo acelerado a partir de maio), e os desafios logísticos. Por outro lado, a expectativa de aumento dos estoques certificados de café arábica em Nova York, o crescimento da produção de robusta no Brasil e o efeito da inflação no consumo global são fatores que podem pressionar os preços para baixo. No que diz respeito aos estoques certificados, cabe destacar que os estoques pendentes ainda superam 100 mil sacas, o que significa que, caso sejam aprovados no processo de classificação, poderão ser incluídos nos estoques oficiais da Bolsa de Nova York.
TABELA DE INDICADORES





