• Café arábica fechou em US¢ 384,40/lb na ICE, alta semanal de 3,0%
• Café robusta avançou 0,4%, fechando a USD 5353/t na bolsa de Londres
• Dólar teve queda de 1,7% na semana
• Secex: exportações brasileiras têm recuo de mais de 20% em fevereiro
• Produção e exportação de café na Colômbia avançaram
• Exportações reduzidas no Vietnã refletem menor produção
Em uma semana bastante volátil, os preços futuros do café arábica e do café robusta terminaram o período em alta. Nas três primeiras sessões da semana, os preços registraram avanços expressivos, com o contrato mais ativo em Nova York atingindo a máxima de US¢ 418,55/lb e encerrando a sessão da quarta-feira, 5 de março, a US¢ 409,95/lb. No entanto, nos dias seguintes, os preços voltaram a cair. No balanço semanal, o contrato futuro para vencimento em maio, em Nova York, registrou uma valorização de 3,0%, encerrando a semana a US¢ 384,40/lb. Em Londres, a variação foi mais modesta, mas ainda assim positiva, com um incremento de 0,4%, fechando a semana a USD 5353/ton.
Sem grandes novidades do ponto de vista dos fundamentos, as movimentações foram lideradas por fatores técnicos. Além disso, a semana foi marcada pelo feriado de Carnaval no Brasil e, a partir da quinta-feira, grande parte dos participantes do mercado nos Estados Unidos esteve envolvida na convenção da National Coffee Association (NCA), realizada em Houston no Texas.
No mercado doméstico brasileiro, os preços também avançaram: o indicador Cepea para o café arábica apresentou um aumento de 1,3%, alcançando R$ 2.514,82/saca. Por outro lado, o indicador para o café robusta teve um recuo de 0,2%, encerrando o período a R$1.981,46/saca. O pior desempenho do mercado doméstico está ligado a queda de 1,7% do dólar na semana, que fechou a última sexta-feira (07) cotado em USDBRL 5,79.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 03/03 a 07/03

Sem alterações significativas nos fundamentos, o mercado de café continua sendo influenciado por um conjunto de fatores altistas e baixistas. Entre os fatores altistas, destacam-se a oferta limitada de café no mercado físico, a perspectiva de uma safra menor de café arábica no Brasil na temporada 2025/26 e os gargalos logísticos que impactam as exportações. Por outro lado, entre os fatores baixistas, merece atenção o cenário inflacionário, que pode levar à redução do consumo de café nos próximos meses. Além disso, outro ponto relevante é o crescimento expressivo da produção de café robusta no Brasil. Como já mencionado em edições anteriores deste relatório, a primeira estimativa da StoneX, divulgada em novembro, indicava um aumento de quase 21% na produção brasileira de café robusta, totalizando 25,6 milhões de sacas. A StoneX segue realizando levantamentos de campo e divulgará até o final de março um novo relatório com a atualização das estimativas para a safra brasileira 2025/26.
Nesta semana, o mercado estará atento à divulgação dos dados de exportação de café do Brasil. O último relatório, referente ao mês de janeiro, mostrou que o país exportou 3,97 milhões de sacas, representando um recuo de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para fevereiro, os dados ainda não foram divulgados pelo Cecafé, mas os números preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam para uma queda de 20,5% nas exportações, totalizando 2,87 milhões de sacas. É importante destacar que as exportações brasileiras continuam sendo impactadas por gargalos logísticos, conforme já reportado pelo próprio Cecafé.
Recentemente, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) divulgou os dados de produção e exportação do país em janeiro. Em 2024, a Colômbia registrou uma produção de 13,99 milhões de sacas, o que representa um aumento de 23,4% em relação ao ano anterior e um volume superior à média histórica. As exportações colombianas totalizaram 12,32 milhões de sacas no ano, um crescimento de 16,5% em comparação com 2023 e um aumento de quase 4% em relação à média histórica. No mês de janeiro, a produção colombiana foi de 1,35 milhão de sacas, um crescimento de 41,4% em relação ao mesmo mês do ano passado e um aumento de 40,5% na comparação com a média dos últimos cinco anos. As exportações do país também registraram crescimento em janeiro, atingindo 1,15 milhão de sacas, um aumento anual de 23% e um acréscimo de 16,8% em relação à média dos últimos cinco anos.
Produção mensal de café na Colômbia (milhões de sacas)

Fonte: FNC. Elaboração: StoneX.
Outro ponto relevante são as exportações do Vietnã. De acordo com os últimos dados da autoridade aduaneira, o país exportou 2,8 milhões de sacas em fevereiro, um aumento de 5,24% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado da safra 2024/25, que compreende o período de outubro de 2024 até janeiro, as exportações vietnamitas somam 8,98 milhões de sacas, um volume 29,6% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. Esse declínio reflete a produção abaixo do esperado, impactada por condições climáticas adversas que afetaram os cafeicultores vietnamitas.
TABELA DE INDICADORES





