Durante a semana, além do suporte devido à queda do dólar, a forte queda dos estoques certificados e os dados preliminares das exportações brasileiras endossaram a tendência altista. Entre os dias 28/01 e 04/02, os estoques certificados de café arábica apresentaram um recuo de mais 177 mil sacas 13,8% - como já foi abordado em outras publicações da StoneX, o fortalecimento dos diferenciais e os altos custos logísticos desestimulam as empresas a certificarem o café na bolsa, enquanto este mesmo cenário estimula a retirada desse café dos estoques certificados nos países consumidores.
Além da queda nos estoques, dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), indicaram que as exportações brasileiras de café apresentaram queda de 19,7% em janeiro, com um total de 2,97 milhões de sacas exportadas, confirmando a perspectiva de oferta limitada e problemas logísticos. Os dados oficiais das exportações brasileira serão divulgados ainda nesta semana pelo Cecafé.
evolução dos estoques certificados de café arábica
Fonte: ICE – Intercontinental Exchange. Elaboração: StoneX.
Para o mercado de robusta, o recuo nos preços observado no mês de janeiro – reflexo da maior disponibilidade da variedade no Vietnã, o que pôde ser notado pelo aumento de 57% nas exportações em dezembro e de 9% em janeiro –, associado a queda do dólar, contribuiu para o avanço nos diferenciais no Brasil. Enquanto o mercado recuava em Londres, as cotações se mantiveram firmes no Brasil, mantidos pela demanda firme pela variedade no mercado doméstico. Desta forma, desde o início do ano, os diferenciais tiveram uma trajetória ascendente e a partir de meados de janeiro passou a ser positivo, fechando a última semana em torno dos USD 160/ton, ou seja, o mercado doméstico brasileiro pagou um de prêmio de 160 dólares com relação ao contrato mais ativo na bolsa de Londres.
Diferencial de preços do café robusta Espírito santo - Londres (usd/ton)
Fonte: ICE/London, CEPEA. Elaboração: StoneX.
Além dos fatores acima, as estimativas para a produção brasileira e para o balanço global de café ainda estão no foco dos participantes do mercado. Como foi apresentado no último semanal, algumas estimativas para a produção brasileira já foram divulgadas e apresentaram uma forte divergência, o que evidencia as incertezas do mercado com relação a produção brasileira.
Com relação ao clima, os dados das agências climáticas continuam indicando a permanência do La Niña até o início do outono no hemisfério sul, o que continua sendo um problema, já que a ocorrência do evento tem provocado volumes expressivos de chuva na Colômbia e afetado a produção do país. Os dados da FNC apontam que o país produziu 868 mil sacas em janeiro, volume 20% inferior ao observado em janeiro de 2021, resultado do impacto do excesso de chuva na produção do país.
produção mensal de café na colômbia (mil sacas)
Fonte: FNC. Elaboração: StoneX.
Já nos países da América Central, as exportações de café têm registrado avanços. De acordo com a Associação Nacional do Café da Guatemala (Anacafe), as exportações do país avançaram 36% no ano-safra, que se iniciou em outubro, até meados de janeiro, totalizando quase 366 mil sacas. Já o Instituto do Café da Costa Rica (ICafe) indicou que o país exportou mais de 87 mil sacas em janeiro, volume 75% maior que o observado no mesmo mês do ano passado. De acordo com o Instituto Nacional do Café de Honduras (IHCAFE), as exportações do país totalizaram quase 523 mil sacas no mês passado, volume 12,3% acima do observado em janeiro de 2021.
O par real/dólar encerrou a última semana cotado a R$ 5,325, registrando queda de 1,2% na semana e acumulando uma variação de -4,5% no ano. Diferentemente da semana anterior, quando o real se apreciou apesar da forte alta do dólar no exterior, nesta semana o ambiente externo auxiliou na queda da taxa de câmbio no Brasil, com o dollar index caminhando em sentido semelhante para terminar com forte retração de 1,9%, cotado a 95,4 pontos. Os agentes globais demonstraram maior apetite por risco apesar do conflito geopolítico na fronteira entre Rússia e Ucrânia, e reagiram à decisão de elevação da taxa de juros pelo Banco Central da Inglaterra e à declaração firme da presidente do Banco Central Europeu, que elevou a expectativa de que altas na taxa de juros na zona do euro possam ocorrer ainda em 2022.