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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Cotações avançam em meio a queda dos estoques certificados
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
 
Queda no dólar e nas exportações brasileiras também impactaram os preços na semana
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 595 pontos (2,52%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 241,85/lb
•    Indicador Cepea de café arábica avançou 0,67%, encerrando a R$ 1481,20/sc
•    Preços de café robusta avançaram USD 29 (1,3%) em Londres, para USD 2113/ton
•    Indicador Cepea para o robusta recuou 0,7%, cotado a R$ 822,28/sc
•    Diferenciais de café robusta avançam para campo positivo
•    Estoques certificados recuaram mais de 177 mil sacas na semana 
•    Exportação brasileira deve recuar em torno de 20% em janeiro 
•    La Niña continuará até o início outono no hemisfério sul 
•    Produção de café na Colômbia recua 20% em janeiro em meio a clima adverso 
•    Exportações avançam em países da América Central 
•    Excesso de chuva poderá impactar a colheita secundária na Colômbia 
•    Dólar fecha semana em menores patamares desde setembro de 2021 
•    Copom aumenta Selic para 10,25% a.a, mas sinalização em comunicado eleva a procura por dólar no final da semana 
•    Ata do Copom e inflação no Brasil e Estados Unidos devem estar no foco da semana no mercado cambial

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Queda do dólar, recuo nos estoques certificados e restrição na oferta de café contribuíram para que os preços futuros de café terminassem a semana em alta. O contrato mais ativo (mar/22) encerrou cotado a US₵ 241,85 /lb, um avanço de 595 pontos (2,52%) em relação à sexta-feira anterior (28). No Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica seguiu a movimentação de Nova Iorque, mas avançou apenas 0,67% na semana para terminar a sessão cotado a R$ 1481,20/saca.

Revertendo a tendência baixista que havia se iniciado em janeiro, o mercado de café robusta apresentou importante avanço na semana, reflexo de uma menor atividade no Vietnã, devido ao feriado Tet. O contrato mais ativo do robusta (maio/22), avançou USD 29 (1,3%) para encerrar a semana cotado a USD 2.213/ton. No Brasil, o indicador CEPEA para o café robusta terminou a semana cotado a R$ 822,28/saca, com um recuo de apenas 0,7%.

INTRADAY SEMANAL (CONTRATO MAIS ATIVO) - 07/02 A 11/02
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Durante a semana, além do suporte devido à queda do dólar, a forte queda dos estoques certificados e os dados preliminares das exportações brasileiras endossaram a tendência altista. Entre os dias 28/01 e 04/02, os estoques certificados de café arábica apresentaram um recuo de mais 177 mil sacas 13,8% - como já foi abordado em outras publicações da StoneX, o fortalecimento dos diferenciais e os altos custos logísticos desestimulam as empresas a certificarem o café na bolsa, enquanto este mesmo cenário estimula a retirada desse café dos estoques certificados nos países consumidores.

Além da queda nos estoques, dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), indicaram que as exportações brasileiras de café apresentaram queda de 19,7% em janeiro, com um total de 2,97 milhões de sacas exportadas, confirmando a perspectiva de oferta limitada e problemas logísticos. Os dados oficiais das exportações brasileira serão divulgados ainda nesta semana pelo Cecafé.

evolução dos estoques certificados de café arábica
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Fonte: ICE – Intercontinental Exchange. Elaboração: StoneX.

Para o mercado de robusta, o recuo nos preços observado no mês de janeiro – reflexo da maior disponibilidade da variedade no Vietnã, o que pôde ser notado pelo aumento de 57% nas exportações em dezembro e de 9% em janeiro –, associado a queda do dólar, contribuiu para o avanço nos diferenciais no Brasil. Enquanto o mercado recuava em Londres, as cotações se mantiveram firmes no Brasil, mantidos pela demanda firme pela variedade no mercado doméstico. Desta forma, desde o início do ano, os diferenciais tiveram uma trajetória ascendente e a partir de meados de janeiro passou a ser positivo, fechando a última semana em torno dos USD 160/ton, ou seja, o mercado doméstico brasileiro pagou um de prêmio de 160 dólares com relação ao contrato mais ativo na bolsa de Londres.

Diferencial de preços do café robusta Espírito santo - Londres (usd/ton)
 
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Fonte: ICE/London, CEPEA. Elaboração: StoneX.

Além dos fatores acima, as estimativas para a produção brasileira e para o balanço global de café ainda estão no foco dos participantes do mercado. Como foi apresentado no último semanal, algumas estimativas para a produção brasileira já foram divulgadas e apresentaram uma forte divergência, o que evidencia as incertezas do mercado com relação a produção brasileira.

Com relação ao clima, os dados das agências climáticas continuam indicando a permanência do La Niña até o início do outono no hemisfério sul, o que continua sendo um problema, já que a ocorrência do evento tem provocado volumes expressivos de chuva na Colômbia e afetado a produção do país. Os dados da FNC apontam que o país produziu 868 mil sacas em janeiro, volume 20% inferior ao observado em janeiro de 2021, resultado do impacto do excesso de chuva na produção do país. 

produção mensal de café na colômbia (mil sacas)

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Fonte: FNC. Elaboração: StoneX.

Já nos países da América Central, as exportações de café têm registrado avanços. De acordo com a Associação Nacional do Café da Guatemala (Anacafe), as exportações do país avançaram 36% no ano-safra, que se iniciou em outubro, até meados de janeiro, totalizando quase 366 mil sacas. Já o Instituto do Café da Costa Rica (ICafe) indicou que o país exportou mais de 87 mil sacas em janeiro, volume 75% maior que o observado no mesmo mês do ano passado. De acordo com o Instituto Nacional do Café de Honduras (IHCAFE), as exportações do país totalizaram quase 523 mil sacas no mês passado, volume 12,3% acima do observado em janeiro de 2021.

Dólar fecha a semana em menores patamares desde setembro de 2021

O par real/dólar encerrou a última semana cotado a R$ 5,325, registrando queda de 1,2% na semana e acumulando uma variação de -4,5% no ano. Diferentemente da semana anterior, quando o real se apreciou apesar da forte alta do dólar no exterior, nesta semana o ambiente externo auxiliou na queda da taxa de câmbio no Brasil, com o dollar index caminhando em sentido semelhante para terminar com forte retração de 1,9%, cotado a 95,4 pontos. Os agentes globais demonstraram maior apetite por risco apesar do conflito geopolítico na fronteira entre Rússia e Ucrânia, e reagiram à decisão de elevação da taxa de juros pelo Banco Central da Inglaterra e à declaração firme da presidente do Banco Central Europeu, que elevou a expectativa de que altas na taxa de juros na zona do euro possam ocorrer ainda em 2022.

A moeda brasileira garantiu sua valorização durante os dois primeiros pregões da semana. A continuidade do fluxo de capitais no mercado acionário brasileiro atuou de forma favorável para este movimento de queda do dólar. De acordo coma a B3, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou no mês de janeiro uma entrada líquida de capital estrangeiro de R$ 32,491 bilhões, mais que o dobro ao de dezembro passado (R$ 14,547 bilhões) e superior ao de janeiro de 2020 (R$ 23,556 bilhões). Este movimento tem ocorrido não apenas no Brasil, mas em alguns mercados emergentes, onde investidores internacionais têm precificado ativos de determinados setores dos países como “baratos”, devido a estes não terem acompanhado as altas dos mercados globais no último ano.

A queda da divisa brasileira tem contribuído para dar suporte às cotações de café na bolsa. Um fortalecimento do real torna a comercialização menos atraentes para os produtores e exportadores brasileiros, que tendem a reduzir o número de negócios para esperarem por momentos mais favoráveis. Esta redução de oferta tende a oferecer um viés altista para as cotações do café. Um movimento semelhante nas cotações do peso colombiano também tem contribuído neste sentido.

A semana foi marcada pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) por elevar a taxa básica de câmbio (Selic) em 150 pontos base, indo de 9,25% ao ano para 10,75% ao ano. Apesar da alta dentro do esperado e da sinalização de que os patamares máximos da Selic em 2022 devem chegar a 12,00% (contra 11,75% na reunião anterior), os agentes reagiram com maior cautela à indicação de que que o Copom deve desacelerar o ritmo de ajuste na próxima reunião, sem ter especificado sua magnitude. Além disso, o comunicado destacou que sua estratégia de política monetária para a convergência da inflação para a meta do BC considera “em maior grau” o ano de 2023. Desta maneira, o entendimento dos investidores foi de que o Copom não manterá um forte ritmo de elevação da taxa de juros para controlar a inflação “a qualquer custo” neste ano, o que contribuiu para uma maior aversão ao risco na segunda metade da semana, com o dólar avançando da mínima de R$ 5,273 registrado no pregão da terça-feira (2), antes da divulgação do comunicado. Na próxima terça-feira (8), o mercado acompanhará a publicação da ata da reunião do Copom da última semana, que deve apresentar maiores informações acerca dos debates dos colegiado sobre os próximos passos da autoridade monetária.

Nesta semana, os agentes também devem acompanhar os indicadores da inflação em janeiro. Na quarta-feira (9), o IBGE divulgará o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do último mês. A apreciação do real em janeiro pode ajudar a amenizar os efeitos da aceleração inflacionária, que terminou o dezembro com um acumulado de 10,06% em 12 meses e continua sendo uma das principais preocupações dos investidores no país. Por outro lado, a alta do petróleo no mercado internacional e o novo ajuste em janeiro no preço dos combustíveis indicam que o ritmo a inflação pode continuar acelerado. 

Nos Estados Unidos, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) divulgará o índice de Preços ao Consumidor (CPI) na quinta-feira (10), que deve ajudar a nortear as expectativas para as próximas decisões de política monetária no país, uma vez que o Fed que tem adotado um discurso bastante amplo, o que tem mantido as apostas para a elevação da taxa de juros muito dispersas. Em caso de um resultado acima do esperado, a expectativa de maiores altas na taxa de juros nos Estados Unidos para controlar a aceleração dos preços tende a elevar a procura pela moeda americana, o que pode atuar contra moedas de economias consideradas mais arriscadas, como Brasil e Colômbia.
 

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Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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