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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Café recua em meio a aversão a risco global
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Conflito geopolítico na fronteira entre Rússia e Ucrânia afetou as commodities de maneira geral na semana
Resumo

•    Cotações de café arábica recuaram 605 pontos (2,4%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 246,00/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica recuou 3,5%, encerrando a R$ 1466,51/sc.
•    Preços de café robusta caem USD 15 (0,6%) em Londres, para USD 2255/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta fica em estabilidade, cotado a R$ 819,78/sc.
•    Tensões em Rússia e Ucrânia afetam os preços de café na semana. 
•    ICE Registra aumento de estoques pendentes para classificação.
•    StoneX estima produção de 58,9 milhões de sacas em 2022/23, significativamente abaixo do potencial de 70 milhões. 
•    La Niña tende a enfraquecer nos próximos meses. 
•    GCA registra queda de 37,8 mil sacas de café nos portos americanos. 
•    Fundos atingem maior patamar líquido comprado desde 2016. 
•    Na contramão do exterior, moeda brasileira segue em valorização. 
•    Conflito Rússia-Ucrânia deve provocar volatilidade nos mercados globais na semana. 
•    Forte alta das cotações de petróleo pode refletir em inflação acima do esperado.

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Apesar do cenário construtivo no ponto de vista fundamental, as preocupações com a tensão entre Rússia e Ucrânia aliado a fatores técnicos contribuíram para pressionar as cotações de café na semana. O contrato mais ativo (maio/22) encerrou a sexta-feira (18) cotado a US₵ 246,00 /lb, um recuo de 605 pontos (2,4%) em relação à sexta-feira anterior (11). No Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica seguiu a movimentação de Nova Iorque e terminou a semana em queda, apresentando um recuo de 3,5%, cotado a R$ 1466,51/saca.

De forma similar ao observado em Nova Iorque, os papeis futuros de café robusta terminaram a semana em queda. O contrato mais ativo do robusta (maio/22), recuou USD 15 (0,6%) para encerrar a semana cotado a USD 2.255/ton. No Brasil, o indicador CEPEA para o café robusta permaneceu praticamente estável, cotado em R$ 819,78/sc na sexta-feira (18).

INTRADAY SEMANAL (CONTRATO MAIS ATIVO) - 14/02 A 18/02
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Nas semanas anteriores, além do cenário positivo para o mercado de café, parte dos ganhos foram reflexo da aproximação do primeiro dia de aviso para o vencimento de março, que foi no dia 17/02. Desta forma, foi observado um importante volume de rolagem de contratos e compra por parte dos agentes comerciais. Contudo, com a passagem da referida data, houve uma redução nas atividades comerciais, o que pode ser notado na redução no volume comercializado.

Além disso, a escalada nas tensões entre a Rússia e a Ucrânia fez com que os operadores permanecem retraídos no final da semana. Os agentes têm sido cautelosos com relação as tensões e evitado ativos com maior risco, como as commodities, fator que deve permanecer afetando os mercados nesta semana, como será abordado com mais detalhes na sessão macro. 

Ademais, a forte redução nos estoques certificados foi protagonista na valorização dos contratos futuros de café. No entanto, durante a semana, houve um incremento de mais de 100 mil sacas pendentes para classificação nos estoques certificados, o que chamou a atenção dos agentes. Alguns operadores acreditam que se trata de uma reclassificação de cafés que foram retirados dos estoques certificados há alguns meses. 

Do ponto de vista dos fundamentos, o mercado segue com sentimento positivo em meio aos problemas enfrentados na produção brasileira e a expectativa de um balaço mais equilibrado em 2022/23, após um ano com expectativa de balanço negativo em 2021/22. Após a condução de um estudo nas regiões produtoras no Brasil, a StoneX divulgou suas estimativas para a safra 2022/23. A produção brasileira foi estimada em 58,9 milhões de sacas, sendo 38,3 milhões de café arábica e 20,6 milhões de café robusta. A estimativa apresentada consolida a expectativa do mercado de forte redução no potencial produtivo brasileiro para 2022/23 – caso o Brasil não tivesse enfrentado os problemas climáticos em 2020 e 2021, a produção no país poderia alcançar volumes próximos de 70 milhões de sacas.

Com relação ao clima, a agência Australiana BOM apontou que o La Niña ainda está ativo, porém deverá enfraquecer nos próximos meses e a região do El Niño no oceano pacífico deverá passar para uma condição neutra no outono no hemisfério sul. A permanência do La Niña tem afetado principalmente a produção colombiana, devido ao excesso de chuva que o país tem recebido nos últimos meses.

Durante a semana, foi divulgado também os estoques de café nos portos americanos pela Green Coffee Association, apontando que os estoques totalizaram 5.795.841 sacas em janeiro, representando uma queda de 37.851 sacas, ou 0,6% com relação ao mês anterior. Além disso, o volume está 47.330 sacas ou 0,2% menor que o observado em janeiro de 2021. Nos últimos 5 anos os estoques tiveram uma média de 6.195.380 sacas e apresentaram um recuo médio de 66 mil sacas na passagem de dezembro para janeiro. Apesar do recuo menos intenso, existe a expectativa de que os estoques avancem nos próximos meses, tendência que é sazonal, como pode ser observado no gráfico de sazonalidade dos estoques GCA.

Estoques de café nos Portos Americanos – GCA (milhões de sacas)
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Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.

 

Fundos estendem posição comprada em Nova Iorque; número de contratos abertos cai em meio a atividade comercial

A movimentação dos agentes especulativos continua refletindo o momento de fundamentos altistas. Segundo o último relatório CFTC divulgado na última sexta-feira (18), os fundos especulativos elevaram entre os dias 8 e 15 de fevereiro 2.232 posições compradas em futuros e opções de café em Nova Iorque, indo de 58.881 para 61.113, enquanto reduziram suas posições vendidas em 129 contratos, passando de 7.963 para 7.834. A posição líquida dos fundos passou de um saldo comprado de 50.918 posições para 53.279, maior patamar líquido comprado desde novembro de 2016.

Posição dos fundos especulativos em futuros e opções de café
em Nova Iorque
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Fonte: CFTC. Elaboração: StoneX.

Importante notar que houve uma forte redução no número de contratos abertos, de quase 50 mil contratos, indo de 347.387 para 297.599 contratos. O forte recuo foi reflexo da liquidação e recompra de contratos por parte dos agentes comerciais, principalmente. O último relatório mostra que os agentes comerciais reduziram suas posições compradas em 17.053 contratos, para um total de 82.921 no dia 15/02. Além disso, os agentes comerciais diminuíram suas posições vendidas em 14.935 contratos, indo para um total de 186.310 contratos vendidos.

Na contramão do exterior, moeda brasileira segue em valorização

Mantendo sua trajetória de desvalorização durante boa parte de 2022, o dólar completou sua sexta semana consecutiva em desvalorização frente à moeda brasileira. O par real/dólar encerrou a última sexta-feira (18) cotado a R$ 5,142, e já acumula queda de 7,7% neste ano. Entre os principais fatores, continua figurando o forte fluxo de entrada de divisas estrangeiras em ativos brasileiros que têm sido precificados como “baratos”. No cenário externo, o dollar index se manteve praticamente estável em 96,1 pontos apesar de um período de volatilidade observada nos mercados financeiros, que vêm alternando entre momentos de maior aversão e apetite por risco conforme as tensões geopolíticas na fronteira entre Rússia e Ucrânia prosseguem. 

Nesta semana, o agravamento do conflito Rússia-Ucrânia deve ser a principal fonte de volatilidade nos mercados internacionais. Nesta segunda-feira (22), o presidente russo Vladimir Putin, reconheceu em declaração em rede nacional a independência das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk, atualmente dominadas por separatistas pró-Rússia, afirmando que enviaria tropas para tais áreas para uma” missão de paz”. Entre as principais reações até o momento, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou nesta terça-feira (22) uma série de sansões contra bancos e executivos no país. Os desdobramentos do conflito devem pautar a movimentação dos mercados e moedas nos próximos dias, com uma continuidade das tensões podendo elevar a busca dos agentes por ativos mais seguros, como o ouro, títulos de dívidas governamentais e divisas como o dólar, o franco suíço e o iene e pressionar outros ativos de risco, como commodities e moedas de países emergentes. Apesar de o real ter apresentado um descolamento no mercado externo de divisas nas últimas semanas, tal cenário tende a atuar de maneira desfavorável à moeda brasileira.

Outro fator de destaque neste quadro são os efeitos altistas do conflito sobre as cotações de petróleo no mercado internacional, com as cotações do petróleo WTI e Brent sendo observadas em suas máximas desde setembro de 2014. Os preços muito elevados do petróleo tendem a impacto na inflação da economia americana e brasileira de maneira geral, fazendo-se importante acompanhar a divulgação dos próximos índices de preços e com potencial de influenciar as próximas tomadas de decisão das autoridades monetárias de ambos os países.

Entre os principais indicadores no Brasil da semana, os agentes devem acompanhar a divulgação de dados preliminares da inflação em fevereiro, com o IBGE publicando na quarta-feira (23) o Índice Nacional de preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), e a FGV divulgando na sexta-feira (25) o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) para o mês. Merece atenção também os dados de Estatísticas do Setor Externo e Fiscais para janeiro, que serão publicadas pelo Banco Central (BC) na quarta e sexta-feira, respectivamente.
 

 

 

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Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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