Nas semanas anteriores, além do cenário positivo para o mercado de café, parte dos ganhos foram reflexo da aproximação do primeiro dia de aviso para o vencimento de março, que foi no dia 17/02. Desta forma, foi observado um importante volume de rolagem de contratos e compra por parte dos agentes comerciais. Contudo, com a passagem da referida data, houve uma redução nas atividades comerciais, o que pode ser notado na redução no volume comercializado.
Além disso, a escalada nas tensões entre a Rússia e a Ucrânia fez com que os operadores permanecem retraídos no final da semana. Os agentes têm sido cautelosos com relação as tensões e evitado ativos com maior risco, como as commodities, fator que deve permanecer afetando os mercados nesta semana, como será abordado com mais detalhes na sessão macro.
Ademais, a forte redução nos estoques certificados foi protagonista na valorização dos contratos futuros de café. No entanto, durante a semana, houve um incremento de mais de 100 mil sacas pendentes para classificação nos estoques certificados, o que chamou a atenção dos agentes. Alguns operadores acreditam que se trata de uma reclassificação de cafés que foram retirados dos estoques certificados há alguns meses.
Do ponto de vista dos fundamentos, o mercado segue com sentimento positivo em meio aos problemas enfrentados na produção brasileira e a expectativa de um balaço mais equilibrado em 2022/23, após um ano com expectativa de balanço negativo em 2021/22. Após a condução de um estudo nas regiões produtoras no Brasil, a StoneX divulgou suas estimativas para a safra 2022/23. A produção brasileira foi estimada em 58,9 milhões de sacas, sendo 38,3 milhões de café arábica e 20,6 milhões de café robusta. A estimativa apresentada consolida a expectativa do mercado de forte redução no potencial produtivo brasileiro para 2022/23 – caso o Brasil não tivesse enfrentado os problemas climáticos em 2020 e 2021, a produção no país poderia alcançar volumes próximos de 70 milhões de sacas.
Com relação ao clima, a agência Australiana BOM apontou que o La Niña ainda está ativo, porém deverá enfraquecer nos próximos meses e a região do El Niño no oceano pacífico deverá passar para uma condição neutra no outono no hemisfério sul. A permanência do La Niña tem afetado principalmente a produção colombiana, devido ao excesso de chuva que o país tem recebido nos últimos meses.
Durante a semana, foi divulgado também os estoques de café nos portos americanos pela Green Coffee Association, apontando que os estoques totalizaram 5.795.841 sacas em janeiro, representando uma queda de 37.851 sacas, ou 0,6% com relação ao mês anterior. Além disso, o volume está 47.330 sacas ou 0,2% menor que o observado em janeiro de 2021. Nos últimos 5 anos os estoques tiveram uma média de 6.195.380 sacas e apresentaram um recuo médio de 66 mil sacas na passagem de dezembro para janeiro. Apesar do recuo menos intenso, existe a expectativa de que os estoques avancem nos próximos meses, tendência que é sazonal, como pode ser observado no gráfico de sazonalidade dos estoques GCA.
Estoques de café nos Portos Americanos – GCA (milhões de sacas)
Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.
Fundos estendem posição comprada em Nova Iorque; número de contratos abertos cai em meio a atividade comercial
A movimentação dos agentes especulativos continua refletindo o momento de fundamentos altistas. Segundo o último relatório CFTC divulgado na última sexta-feira (18), os fundos especulativos elevaram entre os dias 8 e 15 de fevereiro 2.232 posições compradas em futuros e opções de café em Nova Iorque, indo de 58.881 para 61.113, enquanto reduziram suas posições vendidas em 129 contratos, passando de 7.963 para 7.834. A posição líquida dos fundos passou de um saldo comprado de 50.918 posições para 53.279, maior patamar líquido comprado desde novembro de 2016.
Posição dos fundos especulativos em futuros e opções de café
em Nova Iorque
Fonte: CFTC. Elaboração: StoneX.
Importante notar que houve uma forte redução no número de contratos abertos, de quase 50 mil contratos, indo de 347.387 para 297.599 contratos. O forte recuo foi reflexo da liquidação e recompra de contratos por parte dos agentes comerciais, principalmente. O último relatório mostra que os agentes comerciais reduziram suas posições compradas em 17.053 contratos, para um total de 82.921 no dia 15/02. Além disso, os agentes comerciais diminuíram suas posições vendidas em 14.935 contratos, indo para um total de 186.310 contratos vendidos.