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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Fatores macro continuam pressionando as cotações de café
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Alta do dólar na semana e a extensão da guerra, que tem impacto negativo no consumo, atuaram de forma baixista para as cotações internacionais de café 
Resumo

•    Cotações de café arábica recuaram 505 pontos (-2,2%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 222,10/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica teve alta de 1,8% na semana, cotado a R$ 1.267,35/saca.
•    Preços de café robusta recuaram USD 9 (0,4%) em Londres, para USD 2107/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta teve queda de 3,6%, para R$ 791,98/sc.
•    Efeitos da guerra pressionam as cotações de café
•    Clima: Brasil recebeu volume de chuva abaixo da média em março e abril
•    Excesso de chuva causado pelo La Niña continua afetando a produção na Colômbia
•    Mercado ficará de olho nos dados exportação de abril
•    Cooperativas colombianas tiveram perdas de 37,27 bilhões de pesos
•    Balanço de O&D deverá ser mais equilibrado em 2022/23
•    Aproximação do inverno brasileira trará volatilidade para o mercado
•    Dólar engata forte alta ante o real
•    Mercado aguarda decisões de política monetária em Brasil e Estados Unidos
•    Fed deve iniciar aperto mais forte na política monetária 

   Fatores baixistas       Fatores altistas

Atenção: A StoneX divulgará suas perspectivas para o mercado de café na quinta-feira (05), às 14 horas. 

Sem grandes novidades no campo dos fundamentos, as movimentações do mercado de café tiveram mais uma semana sob influência dos fatores macroeconômicos e cambiais. O contrato mais ativo de café arábica (julho/22) encerrou a sexta-feira (29) cotado a US₵ 222,10 /lb, postando um recuo de 505 pontos (-2,2%) em relação à sexta-feira anterior (22). Por outro lado, no Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana com alta de 1,88%, cotado a R$ 1.267,35/saca, puxado pela alta do dólar.

Para o mercado de robusta, as cotações tiveram uma leve queda, com o contrato mais ativo do robusta (julho/22), recuando USD 9 (0,42%) e encerrando a semana cotado a USD 2.107. No Brasil, o indicador CEPEA para o café robusta terminou a semana com queda de 3,64%, cotado em R$ 791,98/sc.
 

INTRADAY SEMANAL (CONTRATO MAIS ATIVO) - 25/04 A 29/04
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

O mercado de café segue tentando precificar os impactos da guerra, que ainda são muito incertos, na demanda global de café. Além do impacto direto da Rússia e Ucrânia, que consumiram mais de 5 milhões de sacas em 2021, os agentes tentam entender os impactos econômicos da guerra no mundo. Como reflexo da guerra, o aumento da inflação e o menor crescimento da economia global, como foi indicado pela última revisão das projeções do FMI em abril, podem atuar de forma negativa para o consumo global de café. Devido à característica incerta da guerra, ainda é muito difícil quantificar os reais impactos no mercado global de café. 

Com relação ao clima, os volumes abaixo da média nas principais regiões produtoras do Brasil têm chamado a atenção dos agentes. Como pode ser observado no mapa de anomalia dos últimos 60 dias, que compara o volume da precipitação no período com a média história, regiões importantes em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia tiveram chuvas abaixo da média no período. Além disso, para as próximas duas semanas, de acordo com a previsão da StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC, o clima deverá continuar seco nas principais regiões produtoras. 

Anomalia de chuva nos últimos 60 dias no Brasil (%)
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Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC. Elaboração: StoneX.

Na Colômbia, o excesso de chuva causa pelo La Niña continua provocando estrados e diminuindo o potencial da produção do país, principalmente para a safra secundária, também conhecida como Mitaca. O país recebeu volumes acima da média em marco e abril. Para os próximos 14 dias, os modelos de previsão apontam para volumes acumulados de até 250 mm em algumas regiões.

Previsão acumular para os próximos 14 dias na Colômbia
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Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC. Elaboração: StoneX.

Para as próximas semanas, além das influências dos fatores macroeconômicos e cambiais, o mercado acompanhará de perto a divulgação dos dados de exportação no Brasil para o mês de abril, que deverá apontar os impactos contínuos nas exportações, principalmente para a Rússia e Ucrânia. 

Os dados de exportação do Brasil deverão apontar para menores volumes de exportação para o tipo robusta, como reflexo dos diferenciais fortalecidos no Brasil – apesar de terem recuados recentemente, os diferenciais do robusta no Brasil ainda seguem em patamar elevado. Enquanto as exportações brasileiras de robusta recuam, os volumes embarcados no Vietnã avançam. Os dados divulgados pelo Escritório Geral de Estatísticas do país indicaram que foram exportadas 2,8 milhões de sacas em abril, volume 28,6% maior que o observado no mesmo mês do ano passado. 

A StoneX já está divulgando diariamente o relatório de previsão das temperaturas mínimas nas regiões produtoras no Brasil. Como já foi mencionado em outras edições deste relatório, a aproximação do inverno brasileiro e a possível ocorrência de ondas de frio deverá contribuir para uma maior volatilidade no mercado. 

De forma geral, é importante lembrar que as estimativas para o balanço de O&D disponíveis até o momento apontam para um balanço mais equilibrado, com um leve excedente, após um ano com um balanço bastante negativo, o que arrefece as preocupações dos agentes. A média das estimativas apontam para um déficit de 6,9 milhões de sacas em 2021/22 e um excedente em torno de 1 milhão de sacas em 2022/23; as estimativas de importantes agências como USDA e ICO ainda não foram divulgadas. 

Cooperativas colombianas tiveram perdas de 37,27 bilhões de pesos (Coffee Network)

Em uma matéria divulgada pela Coffee Network, a Superintendência de Economia Solidária da Colômbia (Supersolidaria) indicou que recebeu os resultados financeiros de 59 cooperativas, que reportaram um prejuízo de 37,27 bilhões de pesos, o que se equipara a aproximadamente 10 milhões de dólares. O prejuízo foi resultado do não cumprimento de contratos futuros por parte dos produtores, que não fizeram a entrega como previsto em contrato futuros previamente acordado. De acordo com dados da superintendência de dezembro de 2021, 84% dos contratos futuros não haviam sido cumpridos. 

Devido às grandes perdas e os riscos para as cooperativas, legisladores convocaram uma audiência no senado colombiano para tratar do assunto. A audiência está prevista para acontecer no dia 3 de maio e contará com a presença de várias autoridades e representantes do setor no país.

Dólar registra alta na semana, com os agentes aguardando as decisões de política monetária no Brasil e Estados Unidos

Além dos fundamentos baixistas analisados pelos agentes, como os sinais de que a guerra russo-ucraniana deve perdurar por mais semanas ou até meses, o que vem gerando preocupações em diversas frentes com relação à demanda por café, a recente desvalorização da moeda brasileira tem adicionado mais um fator de pressão às cotações da commodity nas últimas sessões. Desde a abertura o dia 22 até a última sexta-feira (29), o dólar acumula uma alta de 7,0% no mercado cambial brasileiro, com o par real/dólar indo de R$ 4,62 para R$ 4,94. Se considerarmos os valores parciais desta segunda-feira, até o momento de escrita deste texto, o avanço no período já chega a 9,0%, com o dólar ultrapassando a barreira psicológica dos R$ 5,00. Durante este mesmo período, o contrato mais ativo de café em Nova Iorque registrou um recuo de 1255 pontos (-5,4%), saindo de US₵ 228,15/lb para US₵ 215,9/lb no fechamento do primeiro pregão desta semana.

Até o início deste ciclo fortemente altista para o dólar frente ao real, a moeda brasileira vinha caminhando em direção contrária da maior parte das outras moedas, se valorizando apoiada pela forte alta das commodities, pela sua posição como “alternativa” à Rússia quanto ao fornecimento de diversos produtos primários pelos altos diferenciais de juros no Brasil em relação à economia americana. Todavia, novas tensões políticas em Brasília, como comentada no último semanal (acesse aqui) e a fala mais firme do presidente do Federal Reserve com relação à elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, consolidando a alta probabilidade de que o Fed iniciará aumentos mais fortes em sua taxa de juros, ampliaram o fluxo de divisas para investimentos em ativos denominamos em dólar.

Nesta semana, além de acompanhar o conflito bélico na Ucrânia e da continuidade das medidas restritivas na China no combate à disseminação da variante ômicron da Covid-19, com riscos de agravar novamente os gargalos nas cadeias logísticas globais, os agentes devem dar grande atenção às decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos na quarta-feira (4).

Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) confirme a elevação de 50 p.p. na taxa básica de juros do país, para o intervalo entre 0,75% e 1,00% ao ano, e de que anuncie o início da redução de seu balanço patrimonial, de maneira a também atuar para reduzir a liquidez de dólares do mercado. Será importante observar no comunicado e na coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, quais serão os próximos passos planejados pela autoridade monetária, especialmente caso a inflação no país não dê sinais de desaceleração. 

Nas últimas semanas, cresceram consideravelmente as apostas do mercado de que em seu próximo encontro, em 15 de junho, o FOMC aumentará em 75 p.p. a taxa básica de juros do país, seguindo o posicionamento de alguns dos seus membros em declarações recentes. Um aumento de tal magnitude é algo bastante raro para o Fed, com o último tendo acontecido apenas em 1994. Caso o FOMC dê sinais nesta semana ou posteriormente na divulgação da ata da reunião de que tal elevação pode acontecer, a demanda por dólar tende a se elevar ainda mais nas próximas semanas. O dollar index, que mede a variação da moeda americana frente a uma cesta de divisas de economias avançadas, já chegou a ultrapassar na última semana suas máximas desde 2017, flutuando em seus maiores patamares nos últimos 20 anos.

Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve elevar a taxa básica de juros (Selic) em 100 p.p., conforme já antecipado pela autoridade monetária, indo de 11,75% a 12,75%. Em seu último encontro, o colegiado afirmou que a alta prevista para a reunião de maio deveria encerrar o ciclo de apertos monetários promovidos pelo BC. Todavia, a continuidade da inflação elevada no Brasil, afetada em grande parte pelos preços elevados das commodities energéticas e alimentícias no mercado internacional, pode abrir espaço para alterações nos planos para o Copom nos próximos meses. 

De acordo com o último Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, o mercado projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve terminar 2022 registrando crescimento de 7,89%, significativamente acima do limite superior da meta de inflação do BC para este ano (5,00%). As projeções para o IPCA em 2023, principal horizonte para as tomadas de decisão do Copom, avançaram por quatro semanas consecutivas para atingir 4,10%, ainda dentro do limite superior da meta do BC para o ano (4,75%), mas já significativamente acima do centro da meta (3,25%). O relatório Focus também indicou que os agentes apostam em uma taxa Selic no patamar de 13,25% ao final do ano, o que indica um entendimento de que pode haver espaço para uma elevação de mais 0,5% p.p. em reuniões futuras. Caso o comunicado desta quarta-feira ou a ata da reunião que será divulgada na próxima semana dê pistas da possibilidade de novas altas futuras na taxa Selic, o real pode ser favorecido através de um aumento da atratividade de novos investimentos no mercado brasileiro.

Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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