Nesta semana, além de acompanhar o conflito bélico na Ucrânia e da continuidade das medidas restritivas na China no combate à disseminação da variante ômicron da Covid-19, com riscos de agravar novamente os gargalos nas cadeias logísticas globais, os agentes devem dar grande atenção às decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos na quarta-feira (4).
Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) confirme a elevação de 50 p.p. na taxa básica de juros do país, para o intervalo entre 0,75% e 1,00% ao ano, e de que anuncie o início da redução de seu balanço patrimonial, de maneira a também atuar para reduzir a liquidez de dólares do mercado. Será importante observar no comunicado e na coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, quais serão os próximos passos planejados pela autoridade monetária, especialmente caso a inflação no país não dê sinais de desaceleração.
Nas últimas semanas, cresceram consideravelmente as apostas do mercado de que em seu próximo encontro, em 15 de junho, o FOMC aumentará em 75 p.p. a taxa básica de juros do país, seguindo o posicionamento de alguns dos seus membros em declarações recentes. Um aumento de tal magnitude é algo bastante raro para o Fed, com o último tendo acontecido apenas em 1994. Caso o FOMC dê sinais nesta semana ou posteriormente na divulgação da ata da reunião de que tal elevação pode acontecer, a demanda por dólar tende a se elevar ainda mais nas próximas semanas. O dollar index, que mede a variação da moeda americana frente a uma cesta de divisas de economias avançadas, já chegou a ultrapassar na última semana suas máximas desde 2017, flutuando em seus maiores patamares nos últimos 20 anos.
Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve elevar a taxa básica de juros (Selic) em 100 p.p., conforme já antecipado pela autoridade monetária, indo de 11,75% a 12,75%. Em seu último encontro, o colegiado afirmou que a alta prevista para a reunião de maio deveria encerrar o ciclo de apertos monetários promovidos pelo BC. Todavia, a continuidade da inflação elevada no Brasil, afetada em grande parte pelos preços elevados das commodities energéticas e alimentícias no mercado internacional, pode abrir espaço para alterações nos planos para o Copom nos próximos meses.
De acordo com o último Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, o mercado projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve terminar 2022 registrando crescimento de 7,89%, significativamente acima do limite superior da meta de inflação do BC para este ano (5,00%). As projeções para o IPCA em 2023, principal horizonte para as tomadas de decisão do Copom, avançaram por quatro semanas consecutivas para atingir 4,10%, ainda dentro do limite superior da meta do BC para o ano (4,75%), mas já significativamente acima do centro da meta (3,25%). O relatório Focus também indicou que os agentes apostam em uma taxa Selic no patamar de 13,25% ao final do ano, o que indica um entendimento de que pode haver espaço para uma elevação de mais 0,5% p.p. em reuniões futuras. Caso o comunicado desta quarta-feira ou a ata da reunião que será divulgada na próxima semana dê pistas da possibilidade de novas altas futuras na taxa Selic, o real pode ser favorecido através de um aumento da atratividade de novos investimentos no mercado brasileiro.