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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Mercado de clima toma conta das movimentações dos preços de café
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Cotações de café reagem à aproximação de uma massa polar que derrubará as temperaturas nas regiões produtoras, aumentando o risco da ocorrência de geada
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 345 pontos (1,6%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 213,90/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica teve alta de 1,2% na semana, cotado a R$ 1.259,80/saca.
•    Preços de café robusta recuaram USD 43 (2,0%) em Londres, para USD 2040/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta teve queda de 2,4%, para R$ 752,61/sc.
•    Mercado de café reage a previsão de queda nas temperaturas no Brasil 
•    Previsão mostra temperaturas abaixo de 3°C para várias regiões produtoras
•    Exportação brasileira de café caiu 24,3% em abril 
•    Com diferenciais ainda fortalecidos, exportações do tipo robusta caiu 60% 
•    Exportações de café para a Rússia tiveram queda de 95% em abril 
•    Rússia interrompe compras de café solúvel. Embarques ficam zerados em abril 
•    GCA divulgará hoje os dados dos estoques de café nos portos americanos em abril
•    Dólar fecha semana em leve queda 
•    Temores com estagflação nas economias globais tendem a manter aversão ao risco elevada e atratividade do dólar 

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

A StoneX divulgou na quinta-feira (05) as perspectivas para mercado de café [maio-julho], acesse aqui o relatório completo.

As cotações de café arábica, na bolsa de Nova Iorque, iniciaram a última semana sob pressão, reagindo aos fatores macroeconômicos, como a valorização do dólar. Além disso, houve um forte movimento de liquidação dos contratos, por parte dos fundos, o que pode ser notado no último relatório COT, que mostrou que os fundos reduziram em quase 8.500 contratos até a terça-feira (10). 

A partir da quarta-feira (11), o mercado teve forte reação a previsão de queda nas temperaturas no Brasil e perspectiva do risco de geada, avançando 1.610 pontos. O relatório de previsão de temperatura mínima da StoneX, que é baseado no modelo GFS do NOAA, já havia indicado, no dia 10, a queda nas temperaturas mínimas no Brasil entre os dias 17 e 20 de maio. Durante o resto da semana, o mercado seguiu corrigindo a alta da quarta-feira, mas atento as atualizações do modelo de previsão para as temperaturas mínimas. 
 

Intraday Semanal (Contrato mais ativo) - 09/05 a 13/05
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

O contrato mais ativo de café arábica (julho/22) encerrou a sexta-feira (13) cotado a US₵ 213,90 /lb, postando um avanço de 345 pontos (1,6%) em relação à sexta-feira anterior (06). Seguindo a mesma tendência, no Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana com alta de 1,2%, cotado a R$ 1.259,80/saca. 

Para o mercado de robusta, apesar das movimentações Nova Iorque, as cotações reagiram a previsão de queda nas temperaturas com alta de USD 69/ton na quarta-feira (11), mas terminaram o balanço da semana em queda, com o contrato mais ativo do robusta (julho/22), recuando USD 43 (2,0%) e encerrando a semana cotado a USD 2.040. No Brasil, o indicador CEPEA para o café robusta encerrou com queda de 2,4%, cotado em R$ 752,61/sc. Como já abordado em outras edições deste relatório, o início da colheita do tipo robusta no Brasil amplia sua disponibilidade e contribui para pressionar as cotações.

Nesta semana, a aproximação da massa polar no Brasil será o foco principal dos agentes. A última atualização do modelo GFS mostra que a frente fria chegará nas regiões produtoras de café nos dias 18, 19 e 20 de maio. De acordo com a previsão, alguns municípios do Sul de Minas, Mogiana e Paraná devem enfrentar temperaturas abaixo de 3°C, com alguns municípios do Sul de Minas podendo enfrentar temperaturas em torno de 1°C. Alguns meteorologistas defendem que existe o risco de geada, mas que não seriam de forma generalizada como foi observado em 2021. 
 

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Fonte: StoneX, com dados NOAA/GFS.

De qualquer forma, os participantes devem acompanhar de perto o avanço da frente fria e os eventuais impactos sobre as lavouras de café. Caso o fenômeno de fato ocorra, a tendência do mercado tende a continuar altista, tendo em vista que a ocorrência poderia afetar o desenvolvimento das lavouras e a produção de 2023/24. Vale mencionar que ainda é outono e a primeira massa polar já se aproxima, o que indica que existe a possibilidade da aproximação de novas ondas de frio, o que deve ditar as movimentações nos próximos meses.

Cecafé: Brasil vê forte queda nas exportações de café em abril

De acordo com os dados divulgado pelo Cecafé na última semana, o Brasil exportou 2,559 milhões de sacas de café cru em abril, apresentando uma queda de 24,3% com relação ao ano anterior. Considerando o total exportado, café cru e café industrializado, o país exportou 2,8 milhões de sacas, uma queda de 24,1% com relação ao ano anterior. Por outro lado, a receita cambial, como reflexo do aumento dos preços, avançou 34,1% para 670,7 milhões de dólares. 

De forma geral, o menor volume é resultado da menor produção e a aproximação do fim do ano safra 2021/22. No entanto, a queda nas exportações de café robusta foi muito mais acentuada que a queda para o arábica. Os dados do Cecafé mostram queda de 20,4% nas exportações do arábica, para 2,4 milhões de sacas. Para o robusta, as exportações tiveram recuo de 60% para 134,5 mil sacas.
 

Exportações brasileiras de café verde (milhões de sacas)

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Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.

 

Como já foi apresentado em outras edições deste relatório, o diferencial dos preços de café robusta, que estão em patamares elevados, desestimula as exportações do tipo. Os diferenciais chegaram atingir USD 800/ton em meados de março. Como foi antecipado, com o avanço da colheita do robusta e a sua mais disponibilidade, os diferenciais vem enfraquecendo nas últimas semanas, atingindo patamares em torno de USD 400/ton na última semana.

Outro ponto de destaque foi a queda brusca das exportações para a Rússia em abril, reforçando os impactos da guerra nos embarques brasileiros. Segundo o relatório do Cecafé, no mês passado foram enviadas apenas 4.077 sacas de café ao país, retração de 95,4% em relação a abril do último ano e à média dos últimos 3 anos para o mês, de cerca de 90,6 mil sacas. Os dados indicaram também que não foi exportada nenhuma saca de café solúvel ao país, categoria que Moscou possui maior participação relativa nos embarques brasileiros (9,4%), sendo o segundo principal parceiro comercial brasileiro com 378 mil sacas importadas em 2021, atrás apenas das 704 mil importadas pelos Estados Unidos. Na última semana, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvele (Abics) informou que a Rússia interrompeu suas compras de café solúvel.

Exportações brasileiras de café para a Rússia (mil sacas)

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Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.

Caso a guerra no leste europeu persista e as exportações de café de maneira geral continuem sendo afetadas em proporções semelhantes a abril, o potencial de queda no envio total de café brasileiro, somente para a Rússia, pode chegar a mais de 700 mil sacas nos próximos 7 meses.

Nesta segunda-feira (16), será divulgado, pela Green Coffee Association, o relatório dos estoques de café nos portos americanos em abril. O último relatório apontou para um avanço de quase 55 mil sacas (0,95%) em março, se comparado com o mês anterior. Como pode ser observado no gráfico sazonal dos estoques GCA, existe a tendencia de avanço nos estoques a partir de março. O padrão sazonal dos estoques GCA reflete os maiores volumes de importação de cafés da América Central, a partir de março/abril e depois os volumes vindos da Colômbia e do Brasil, no segundo semestre do ano. Portanto, os dados dos estoques podem mostrar avanços substanciais em abril, o que atuaria de forma baixista para o mercado de café. 

Sazonalidade dos estoques de café nos portos americanos – GCA (milhões de sacas)

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Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.
Dólar fecha semana em leve queda

Após registrar valorização durante quase toda a semana, o par real/dólar recuou na sexta-feira (13) para fechar com queda semanal de 0,3%, cotado a R$ 5,058. No exterior, o dollar index, apesar de recuar também na sexta-feira em um dia de leve redução da aversão ao risco global, registrou forte avanço de 0,9% na semana, terminando cotado a 104,6 pontos, renovando seus maiores patamares em cerca de 20 anos.

A valorização da moeda americana no exterior tem ocorrido em função da crescente percepção de um quadro de período prolongado com inflação elevada nos mercados globais junto de um menor crescimento, ou, em determinadas economias, de uma possível retração, o que caracterizaria uma situação de estagflação.
 

Na última semana, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos registrou alta de 0,3% em abril, abaixo do observado em março (1,2%), no entanto, acima das projeções dos analistas (0,2%). Desta forma, apesar de o acumulado em 12 meses ter recuado 8,5% no mês anterior para 8,3%, o indicador ficou acima do esperado pelo mercado (8,1%). Já o Núcleo do CPI, que desconsidera itens mais voláteis como alimentos e energia, registrou um aumento de 0,6%, avançando frente a março (0,4%) e ficando acima das expectativas dos (0,3%). O avanço do núcleo do CPI sugere uma inflação mais disseminada em outras áreas de consumo, como os serviços, o que contribui para expectativas de que o Fed manterá a postura firme para tentar controlar o avanço de preços na economia.

No Brasil, o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) cresceu 1,06% no mês passado, maior alta para um mês de abril desde 1996 e levando o acumulado em 12 meses para 12,13%. Entre os principais itens que contribuíram para a alta, estiveram Alimentação e Bebidas (2,06%) e transportes (1,91%). A aceleração de preços no Brasil também se mostra disseminada em diversos segmentos de produtos e serviços, com indicativos de que esta possa se manter elevada até o próximo ano, o que pode exigir que o Banco Central (BC) continue adotando uma postura mais contracionista na política monetária por mais tempo, com possíveis novos avanços na taxa de juros básica do país.

Especificamente para o Café, o IPCA marcou um aumento de 2,50% nos preços do café moído em abril. Este foi o menor aumento registrado em 2022, após as altas de janeiro (4,75%), fevereiro (2,51%) e março (2,87%). Com o resultado, o acumulado em 2022 chegou a 13,22% e o acumulado em 12 meses cresceu de 64,66% para 67,53%. Ao que parece, com a interrupção da forte ascensão dos preços do café cru no mercado doméstico, os próximos meses tendem a manter um padrão semelhante do que foi visto até aqui neste ano. Com isso, o acumulado em 12 meses para o café moído ao consumidor brasileiro deve continuar crescendo pelo menos até maio, tendo maiores chances de interromper os subsequentes avanços apenas a partir de junho, quando as altas mais intensas registradas a partir de junho de 2021 passarão a deixar de participar da série.

Evolução da inflação sobre o café torrado e moído no Brasil nos últimos 12 meses

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Fonte: IBGE. Elaboração: StoneX.

Já o café solúvel registrou alta de 1,29% em seu preço ao consumidor brasileiro, também menor valor no ano após as marcas de janeiro (2,09%), fevereiro (1,81%) e março (2,53%). Desta forma, o acumulado em 2022 chegou a 7,94% e o acumulado em 12 meses passou de 15,76 em março para 16,69% em abril.

Ao que tudo indica, o cenário cambial deve caminhar em plano secundário nesta semana para o café, uma vez que o clima no Brasil, junto dos temores com a possibilidade de geadas em áreas produtoras, e os dados de estoques nos Estados Unidos, devem ser os principais drivers para os preços nos próximos dias.
 

Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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