O contrato mais ativo de café arábica (julho/22) encerrou a sexta-feira (13) cotado a US₵ 213,90 /lb, postando um avanço de 345 pontos (1,6%) em relação à sexta-feira anterior (06). Seguindo a mesma tendência, no Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana com alta de 1,2%, cotado a R$ 1.259,80/saca.
Para o mercado de robusta, apesar das movimentações Nova Iorque, as cotações reagiram a previsão de queda nas temperaturas com alta de USD 69/ton na quarta-feira (11), mas terminaram o balanço da semana em queda, com o contrato mais ativo do robusta (julho/22), recuando USD 43 (2,0%) e encerrando a semana cotado a USD 2.040. No Brasil, o indicador CEPEA para o café robusta encerrou com queda de 2,4%, cotado em R$ 752,61/sc. Como já abordado em outras edições deste relatório, o início da colheita do tipo robusta no Brasil amplia sua disponibilidade e contribui para pressionar as cotações.
Nesta semana, a aproximação da massa polar no Brasil será o foco principal dos agentes. A última atualização do modelo GFS mostra que a frente fria chegará nas regiões produtoras de café nos dias 18, 19 e 20 de maio. De acordo com a previsão, alguns municípios do Sul de Minas, Mogiana e Paraná devem enfrentar temperaturas abaixo de 3°C, com alguns municípios do Sul de Minas podendo enfrentar temperaturas em torno de 1°C. Alguns meteorologistas defendem que existe o risco de geada, mas que não seriam de forma generalizada como foi observado em 2021.
Fonte: StoneX, com dados NOAA/GFS.
De qualquer forma, os participantes devem acompanhar de perto o avanço da frente fria e os eventuais impactos sobre as lavouras de café. Caso o fenômeno de fato ocorra, a tendência do mercado tende a continuar altista, tendo em vista que a ocorrência poderia afetar o desenvolvimento das lavouras e a produção de 2023/24. Vale mencionar que ainda é outono e a primeira massa polar já se aproxima, o que indica que existe a possibilidade da aproximação de novas ondas de frio, o que deve ditar as movimentações nos próximos meses.
Cecafé: Brasil vê forte queda nas exportações de café em abril
De acordo com os dados divulgado pelo Cecafé na última semana, o Brasil exportou 2,559 milhões de sacas de café cru em abril, apresentando uma queda de 24,3% com relação ao ano anterior. Considerando o total exportado, café cru e café industrializado, o país exportou 2,8 milhões de sacas, uma queda de 24,1% com relação ao ano anterior. Por outro lado, a receita cambial, como reflexo do aumento dos preços, avançou 34,1% para 670,7 milhões de dólares.
De forma geral, o menor volume é resultado da menor produção e a aproximação do fim do ano safra 2021/22. No entanto, a queda nas exportações de café robusta foi muito mais acentuada que a queda para o arábica. Os dados do Cecafé mostram queda de 20,4% nas exportações do arábica, para 2,4 milhões de sacas. Para o robusta, as exportações tiveram recuo de 60% para 134,5 mil sacas.
Exportações brasileiras de café verde (milhões de sacas)
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Como já foi apresentado em outras edições deste relatório, o diferencial dos preços de café robusta, que estão em patamares elevados, desestimula as exportações do tipo. Os diferenciais chegaram atingir USD 800/ton em meados de março. Como foi antecipado, com o avanço da colheita do robusta e a sua mais disponibilidade, os diferenciais vem enfraquecendo nas últimas semanas, atingindo patamares em torno de USD 400/ton na última semana.
Outro ponto de destaque foi a queda brusca das exportações para a Rússia em abril, reforçando os impactos da guerra nos embarques brasileiros. Segundo o relatório do Cecafé, no mês passado foram enviadas apenas 4.077 sacas de café ao país, retração de 95,4% em relação a abril do último ano e à média dos últimos 3 anos para o mês, de cerca de 90,6 mil sacas. Os dados indicaram também que não foi exportada nenhuma saca de café solúvel ao país, categoria que Moscou possui maior participação relativa nos embarques brasileiros (9,4%), sendo o segundo principal parceiro comercial brasileiro com 378 mil sacas importadas em 2021, atrás apenas das 704 mil importadas pelos Estados Unidos. Na última semana, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvele (Abics) informou que a Rússia interrompeu suas compras de café solúvel.
Exportações brasileiras de café para a Rússia (mil sacas)
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Caso a guerra no leste europeu persista e as exportações de café de maneira geral continuem sendo afetadas em proporções semelhantes a abril, o potencial de queda no envio total de café brasileiro, somente para a Rússia, pode chegar a mais de 700 mil sacas nos próximos 7 meses.
Nesta segunda-feira (16), será divulgado, pela Green Coffee Association, o relatório dos estoques de café nos portos americanos em abril. O último relatório apontou para um avanço de quase 55 mil sacas (0,95%) em março, se comparado com o mês anterior. Como pode ser observado no gráfico sazonal dos estoques GCA, existe a tendencia de avanço nos estoques a partir de março. O padrão sazonal dos estoques GCA reflete os maiores volumes de importação de cafés da América Central, a partir de março/abril e depois os volumes vindos da Colômbia e do Brasil, no segundo semestre do ano. Portanto, os dados dos estoques podem mostrar avanços substanciais em abril, o que atuaria de forma baixista para o mercado de café.
Sazonalidade dos estoques de café nos portos americanos – GCA (milhões de sacas)
Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.
Dólar fecha semana em leve queda
Após registrar valorização durante quase toda a semana, o par real/dólar recuou na sexta-feira (13) para fechar com queda semanal de 0,3%, cotado a R$ 5,058. No exterior, o dollar index, apesar de recuar também na sexta-feira em um dia de leve redução da aversão ao risco global, registrou forte avanço de 0,9% na semana, terminando cotado a 104,6 pontos, renovando seus maiores patamares em cerca de 20 anos.
A valorização da moeda americana no exterior tem ocorrido em função da crescente percepção de um quadro de período prolongado com inflação elevada nos mercados globais junto de um menor crescimento, ou, em determinadas economias, de uma possível retração, o que caracterizaria uma situação de estagflação.