Seguindo a movimentação no mercado internacional, as cotações de café arábica no mercado doméstico brasileiro terminaram a semana com leve alta. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira cotado a R$ 1.358,71/saca, um avanço semanal de 0,5%. Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana com um avanço de 0,8%, fechando cotado a R$ 703,65/saca.
Do ponto de vista fundamental, o mercado de café continuará de olho nas movimentações nos estoques certificados de café arábica. Além disso, o clima no Brasil está no foco das atenções dos agentes, que estão tentando antecipar o que poderia acontecer na florada, bem como podem reagir a qualquer nova onda de frio que tenha potencial de gerar danos. Ademais, serão monitorados os dados de exportação dos países e os dados de importação dos EUA em maio, que serão divulgados na quinta-feira (07).
Forte queda nos estoques certificados em Nova Iorque mantém agentes apreensivos com oferta
Nas últimas semanas, as discussões acerca da oferta global de café têm dominado as atenções no campo dos fundamentos. Enquanto o último relatório do USDA sugeriu um excedente confortável na temporada 2022/23, a movimentação nos estoques certificados vem mantendo os agentes apreensivos com relação à disponibilidade de café.
Após a ICE notificar um recuo de pouco mais de 32 mil sacas na sexta-feira, levando o volume a 854 mil, os estoques certificados atingiram seu menor nível desde 1999. O acumulado da semana registra uma retração de 101 mil sacas (-11%), enquanto a queda no mês de junho totalizou 189 mil sacas (-18%). Considerando o período desde o início do ano, a diminuição dos estoques certificados de café arábica totaliza 686 mil sacas (-44,5%). Destas retiradas no ano, 337 mil (48%) vieram de cafés oriundos do Brasil, enquanto 332 mil (45%) foram de cafés hondurenhos.
Os estoques certificados costumam ser um refúgio por parte dos agentes comerciais para quando há preocupações com a disponibilidade de café no curto-prazo, padrão observado no último semestre de 2021, quando um volume significativo de café foi descertificado no auge das preocupações com a crise logística no mercado cafeeiro.
Desta forma, apesar de não haver grandes mudanças nas condições de mercado, a queda dos estoques certificados sugere uma preocupação com relação à disponibilidade, especialmente nos Estados Unidos e Europa, onde se localizam os armazéns da ICE.
Por outro lado, ao passo que os estoques em patamares historicamente baixos preocupam o mercado e tem ajudado a sustentar as cotações, as perspectivas de que volumes significativos de novos cafés sejam certificados parece improvável. Como temos comentado durante os semanais de café, os diferenciais ainda altos em meio ao grande aumento nos custos de frete, não tem justificado financeiramente a certificação de novos cafés por parte das principais origens, como Brasil e Honduras.
Dólar avança em meio a temor por estagflação global e risco fiscal no Brasil
A moeda americana encerrou a semana passada em uma alta de 1,3%, com o par real/dólar cotado a R$ 5,321. Na sexta-feira (1), a forte alta do dólar (2,5%) contribuiu para a forte correção das cotações de café na sessão, com os agentes repercutindo os receios de estagflação global e a deterioração das contas públicas no Brasil, o que levou a taxa de câmbio para seu maior nível em 5 meses.
No Brasil, o mercado cambial repercutiu as preocupações com os impactos esperados sobre as estatísticas fiscais do país após a rápida aprovação no Senado Federal da proposta de emenda à Constituição (PEC) 1/2022 na semana passada, que busca aumentar o Auxílio Brasil e o Auxílio Gás, conceder subsídios para o etanol e o transporte gratuito de idosos e criar um voucher para caminhoneiros autônomos. Após seu acolhimento e votação no Senado, o projeto segue para tramitação na Câmara dos Deputados. As medidas contidas na PEC terão um custo estimado de R$ 41,25 bilhões, segundo seu relator, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e não serão contabilizadas no teto de gastos, o que tem elevado a percepção de maiores riscos para as contas públicas nacionais e contribuído para afastar investidores da moeda brasileira nas últimas semanas.