Todavia, a surpresa positiva nos dados do mercado de trabalho americano em junho, acima do esperado, deu um indicativo de que a autoridade monetária possa manter o ritmo de elevações intensas da taxa básica de juros na decisão do final de julho. De acordo com o Departamento de Estatísticas de Trabalho (BLS), foi contabilizado em junho um saldo líquido de contratações de 372 mil pessoas, número bastante acima da mediana das apostas do mercado, de 268 mil, e apenas ligeiramente abaixo do observado em maio, quando foi registrada a criação de 384 mil vagas. Adicionalmente, declarações do integrante do FOMC reforçaram a inclinação da autoridade monetária em seguir com um novo ajuste de 75 pontos base na reunião do final deste mês, além de afirmarem que consideram adequado levar a taxa básica aos 3,5% a.a. até o final de 2022. Será importante acompanhar as declarações dos demais membros do Fed ao longo desta semana para verificar se a forte intensidade no aperto monetário continua como opinião unânime entre o colegiado.
No Brasil, o noticiário político, com o avanço da PEC dos Auxílios e sua aprovação em comissão especial na Câmara dos Deputados, dominou as atenções durante grande parte da semana, em meio às preocupações com a deterioração das estatísticas fiscais do país. A proposta inclui o aumento do Auxílio Brasil e o Auxílio Gás, a concessão de subsídios para o etanol e o transporte gratuito de idosos, a criação de um voucher de R$ 1000,00 para caminhoneiros autônomos e um auxílio-gasolina para taxistas, com um custo estimado de R$ 41,25 bilhões que não respeita a regra do teto de gastos ou prevê qualquer contrapartida pelo lado da arrecadação. Para se esquivar da lei eleitoral, que proíbe a criação ou ampliação de programas sociais em ano de eleições, o texto da PEC institui estado de emergência no Brasil. O maior desequilíbrio nas contas públicas e no endividamento tende a ser acompanhada da exigência de um prêmio de risco maior por parte dos investidores, o que, por sua vez, pode enfraquecer o fluxo de capital estrangeiro ao país e o real.
Ademais, o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cresceu 0,67% em junho, em linha com o esperado pelo mercado, mas voltando a indicar aceleração ao superar a alta de 0,47% registrada em maio. Com isso, o acumulado em 12 meses avançou de 11,73% no mês anterior para 11,89%, contabilizando o décimo mês consecutivo com dígitos duplos para o Índice.
O relatório revelou uma desaceleração no aumento de preços do café torrado e moído ao consumidor brasileiro, que registrou um aumento de 0,21%, menor variação desde fevereiro de 2021, quando registrou queda de 0,23%. Com o resultado, os preços registram avanço de 14,87% no primeiro semestre de 2022, com o acumulado em 12 meses recuando de 67,0% no em maio para 61,8% no último mês. Já o café solúvel marcou um aumento nos preços de 0,65% em junho, também abaixo dos 3,58% registrados no mês anterior, mas com o acumulado em 12 meses avançando de 19,22% para 22,12%.
Evolução da inflação sobre o café torrado e moído no Brasil nos últimos 12 meses
Fonte: IBGE. Elaboração: StoneX.
Na agenda desta semana no exterior, o mercado deve acompanhar especialmente o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), que está previsto para a próxima quarta-feira (13), o Índice de Preços ao Produtor (PPI), que será divulgado na quinta-feira (14). A mediana das expectativas do mercado aponta para uma alta de 1,1% do CPI em junho, em ligeira aceleração em comparação com a variação de +1,0% computada em maio, levando o acumulado de 12 meses do indicador para 8,8% – seu maior valor desde janeiro de 1982. Merece atenção também a divulgação do PIB do segundo semestre para a economia chinesa, na quinta-feira. No Brasil, os agentes devem acompanhar a votação da PEC dos Auxílios na Câmara dos Deputados, que deve acontecer nesta terça-feira (12), e a divulgação pelo IBGE das pesquisas mensais de serviços e do comércio referentes a maio.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
