O indicativo de que o nível de preços ao consumidor nos Estados Unidos continua se acelerando e disseminando na economia, contribuiu para que os agentes colocassem à mesa a possibilidade de que o Federal Reserve possa aumentar a taxa básica de juros do país em 100 pontos base, ajuste acima do realizado em junho, de 75 pontos base, e magnitude pouco considerada anteriormente. A possibilidade de uma postura ainda mais contracionista do Fed impulsionou a busca dos agentes pela moeda americana, levando o dollar index, que mede a variação do dólar frente a uma cesta de divisas de economias avançadas, a chegar acima dos 109 pontos durante o intradia da quarta-feira (13), maior nível nos últimos 20 anos.
Este cenário tem se refletido na movimentação dos fundos especulativos nas últimas semanas. De acordo com o último relatório Commitment of Traders (COT) da CFTC, os fundos especulativos reduziram 3.159 posições compradas em fundos e opções de café arábica em Nova Iorque no período entre os dias 5 e 12 de julho, enquanto elevaram suas apostas baixistas em 3.546 lotes. Desta forma, o saldo líquido passou de 23.648 posições compradas para 16.943. Em Londres, os specs apresentaram movimento semelhante, com o saldo líquido passando de 4.753 lotes comprados para 708 lotes vendidos. Durante o mesmo período, a cotação do contrato mais ativo em Nova Iorque registrou uma desvalorização de 1570 pontos (7,6%), indo a US¢ 205,35/lb, enquanto o contrato mais ativo de café robusta em Londres recuou 0,4%, indo a USD 1.954/t.
Nesta segunda-feira (18), os mercados globais iniciaram retomando algum apetite ao risco, corrigindo as fortes quedas da semana passada e tranquilizado pelas declarações de dois membros do Fed reforçando suas preferências por um reajuste de 0,75 p.p. neste momento, fazendo com que as apostas em 1,00 p.p. perca força. Neste momento, segundo a ferramenta CME FedWatch, 69,1% dos participantes do mercado apostam em uma alta de 75 pontos, levando a taxa básica de juros ao intervalo de 2,25% e 2,50% a.a., enquanto 30,9% acreditam em uma elevação de 100 pontos, com a taxa básica ficando entre 2,50% a.a. e 2,75% a.a. A retomada do apetite por risco tem impulsionado o complexo de commodities de maneira geral, com os futuros de café em Nova Iorque encerrando o pregão com fortes correções frente à grande queda observada na semana passada.
O fraco desempenho da economia chinesa também contribuiu para as preocupações com a desaceleração da economia global. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS), a segunda maior economia do mundo se retraiu em 2,6% no trimestre entre abril e junho em relação ao trimestre imediatamente anterior, queda mais forte que a projetada por analistas, que aguardavam uma variação de -1,5%. A queda está ligada à política de covid zero do governo, intensificada principalmente nos meses de abril e maio, quando foram promovidos rígidos lockdowns de parcela significativa da população de importantes polos industriais e financeiros, como Xangai, reduzindo drasticamente a circulação de pessoas e sacrificando o nível de atividade da indústria e dos serviços. O crescimento do número de novos casos diários, que na última semana atingiram seu maior patamar em 7 semanas, e a descoberta de uma nova subvariante mais contagiosa da variante ômicron em um distrito em Xangai, devem seguir sendo monitorados pelo mercado e seguem como potencial fator de aversão ao risco na semana.
A agenda de indicadores para esta semana segue mais vazia. O Destaque fica para a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que ocorrerá na quinta-feira (21). A autoridade monetária sinalizou em sua última reunião que elevaria apenas 0,25 p.p. no encontro de julho, todavia, existe a possibilidade de que o BCE venha a promover um maior aumento para controlar o nível de preços, a exemplo de seus pares. Um aumento mais forte pode fornecer algum suporte à moeda europeia, que vem perdendo terreno desde o início da guerra russo-ucraniana.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
