O indicativo de que ciclo de ajustes nas taxas de juros dos principais bancos globais vem desacelerando e se encontram perto do seu fim tende a aumentar a atração para as maiores remunerações dos ativos de renda fixa em mercados emergentes, como o Brasil. Adicionalmente, o resultado acima do esperado para o PIB dos Estados Unidos no 4º trimestre divulgado na última semana, junto da reabertura da economia chinesa e notícias de queda significativa do número de casos graves de Covid-19 no país são favoráveis à demanda por commodities de maneira geral, beneficiado a moeda brasileira.
Esta semana será marcada pelas decisões de política monetária dos bancos centrais da Inglaterra, zona do euro e Estados Unidos, junto de indicadores de atividade para as principais economias globais e dados do mercado de trabalho americano em janeiro. Para o Federal Reserve, com mais de 98% das apostas do mercado esperando por uma elevação de 0,25 p.p., mais do que a decisão em si, os agentes estarão atentos tanto ao comunicado quanto na coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, em busca de pistas sobre o caminho que banco central americano pretende seguir em seus próximos encontros.
Para o discurso de Powell, espera-se que o chairman siga reforçando que a taxa de juros americana deve avançar para um patamar final acima dos 5,00% a.a., enquanto a maioria das apostas atuais do mercado, apesar de consideravelmente dispersas, acredita em um máximo de 5,00% com um recuo já na última decisão do ano. Caso o comunicado e fala de Powell mostrem que o Fed não irá recuar de seus planos de manter a taxa de juros elevada por um maior período, é possível que o dólar passe por correções altistas na segunda metade da semana.
Inflação do café ao consumidor termina 2022 em alta nos EUA e Europa
No último trimestre de 2022, A inflação do café ao consumidor final nas principais regiões compradoras do grão, a saber, Estados Unidos e Europa, se agregou aos demais fundamentos, como o retorno das chuvas e melhora das exportações brasileiras, para adicionar forte pressão às cotações principalmente do café arábica na bolsa de Nova Iorque. Em janeiro, foram divulgados os dados de inflação de dezembro nestas áreas, o que nos permite fazer um balanço sobre a atual situação dos preços no último ano.
Iniciando pelo no caso brasileiro, os preços do café torrado e moído ao consumidor brasileiro, após ter atingido um pico em abril, quando acumulado em 12 meses marcou um avanço de 67,5% nos preços, passaram a registrar uma intensa queda no ritmo de crescimento dos preços, para chegar a dezembro com crescimento de 13,5% no intervalo de janeiro a dezembro. Já o café solúvel encerrou o ano com crescimento de 18,76%, superando a alta do café torrado e moído na passagem de novembro para dezembro.
Enquanto no Brasil o problema com o forte crescimento passou por grande alívio, o que também deve receber contribuição da redução dos preços verificada nos últimos meses, o problema nos Estados Unidos e Europa ainda persiste. As principais regiões compradoras e consumidoras conseguiram segurar os preços em uma estabilidade muito maior ao longo de 2021, momento que o Brasil já passava por forte elevação.
Inflação do café torrado e moído ao consumidor acumulada em 12 meses
Fonte: BLS, Eurostat, IBGE. Elaboração: StoneX.
Os efeitos inflacionários que demoraram para chegar no exterior, agora ainda não apresenta sinais de arrefecimento. Nos Estados Unidos, apesar de a inflação acumulada tem oscilado mensalmente entre perdas e ganhos desde agosto, os avanços têm se mostrado mais intensos, levando o acumulado em 12 meses terminar em seu maior patamar do ano, em 27,0%.
Já a zona do euro marcou apenas avanços em todos os meses, terminando 2022 com uma inflação acumulada de 11,8%, maior patamar desde o início da série histórica para o bloco econômico, em 2015. Em função da guerra russo-ucraniana, o bloco europeu enfrentou ao longo do ano uma crise energética e econômica. Muitas torrefadores europeias são dependentes do gás-natural como matriz energética, commodity que sofreu valorização significativa, o que comprimiu as margens destas empresas e às obrigou a fazerem maiores repasses de custos ao consumidor.
Desta maneira, a inflação ao consumidor deve continuar no radar dos agentes, ainda atuando como dúvida às perspectivas para o consumo global da bebida. Neste sentido, a zona do euro deve ser o ponto mais crítico a ser observado, enquanto a guerra e os riscos de uma recessão econômica no bloco permanecerem. Será importante observar também se as novas sanções da União Europeia sobre a importação de derivados do petróleo da Rússia, que começarão a ser impostas em fevereiro, terão novo efeito significativo sobre a inflação de maneira geral e aos custos produtivos das torrefadoras, o que pode continuar obrigando novos repasses ao consumidor final.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
