No exterior, as decisões tanto do Federal Reserve, nos Estados Unidos, quanto do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE) vieram dentro das expectativas de continuidade do aperto monetário, mas em menor intensidade. Nos EUA, o Fed elevou a taxa para o intervalo entre 4,50% e 4,75% ao ano, um aumento de 25 pontos base, depois de aumentos de 75 pontos base em novembro e 50 pontos em dezembro. O menor aumento confirma a visão do mercado de que o país passa por um processo de desaceleração inflacionária, o que permitiu o banco central americano a ser mais suave em seu ajuste. No entanto, o Jerome Powell, presidente do Fed, alertou que muitos componentes da economia ainda não mostram desaceleração inflacionária, em especial o setor de serviços.
Na sexta-feira, o Relatório de Situação do Trabalho de janeiro verificou um saldo positivo entre contratações e demissões de 517 mil pessoas, bastante acima das expectativas, de 185 mil. O PMI de serviços também trouxe surpresa positiva, saindo de 49,2 pontos em dezembro para 55,2 pontos, ficando significativamente acima do limiar de 50 pontos que separa uma condição de contração e expansão. Se por um lado, a recuperação da economia diminui o temor por uma recessão, por outro, mostra que a demanda aquecida aumenta as dificuldades da autoridade monetária em recuperar a estabilidade. Na prática, os resultados elevam a percepção de que o Fed pode ter que buscar mais aumentos ou manter a taxa elevada por mais tempo que o anteriormente previsto, o que atrai maior fluxo de divisas para a moeda americana e pressiona ativos de risco, como moedas emergentes ou commodities.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 13,75%, apresentando um tom firme, sinalizando a intensão em postergar cortes da taxa para assegurar o processo desinflacionário no país e afirmando que se mantém alerta para os riscos e incertezas em relação à política fiscal do novo governo. Nesta terça, a ata da reunião da última semana deve ter novas informações a respeito do debate entre os membros do Comitê de postergar os cortes na taxa. Além da ata, na agenda dessa semana destaca-se o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, que será publicado pelo IBGE na quinta-feira (9). A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de dezembro, que serão divulgadas na quinta e sexta-feira, respectivamente, ajudarão na leitura a respeito do desempenho da economia brasileira no final de 2022 e na formação das expectativas para o resultado do PIB no último trimestre e no ano.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
