O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Mercado de café enfrenta queda com volatilidade elevada e incertezas macroeconômicas
 
Fernando Maximiliano
Sem mudanças nos fundamentos, o mercado seguirá sendo influenciado pelos fatores macroeconômicos, mas com atenção à colheita e ao clima no Brasil

•    Café recua com instabilidade macroeconômica
•    Nova York tem queda semanal de 2,7%, para US¢ 353,60/lb
•    Londres recua 1,5%, a USD 5049/ton
•    Arábica cai 3,4% e robusta 6,4% no Brasil
•    Fundos realizam forte liquidação de contratos de café 
•    Exportações no Brasil caem 25%, mas receita cresce 63,7% em março
•    EUA, Alemanha e Itália reduzem compras de café do Brasil
•    Rússia e Turquia aumentam importações do Brasil no 1º trimestre
•    Colheita da safra 25/26 começa de forma pontual

 

Os preços futuros do café arábica e do robusta encerraram a última semana em queda, refletindo um cenário turbulento no campo macroeconômico. As cotações oscilaram fortemente ao longo dos últimos dias, influenciadas pelas novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre importações provenientes de diversos países, bem como pelas mudanças repentinas nas decisões do presidente Donald Trump.

Inicialmente, Trump havia anunciado tarifas sobre as importações de diversos países, incluindo 10% sobre as importações do Brasil e da Colômbia, além de tarifas mais elevadas para outros grandes produtores de café, como Vietnã (46%) e Indonésia (32%). O anúncio gerou grande preocupação no mercado, diante da possibilidade de uma recessão global, o que elevou o sentimento de aversão ao risco entre investidores, que passaram a buscar ativos mais seguros, desfazendo posições em commodities — incluindo o café.

Posteriormente, o governo americano suavizou a medida, anunciando uma redução de 10% nas tarifas para todos os países, exceto a China, e a suspensão das tarifas por 90 dias. Essa reviravolta trouxe algum alívio momentâneo aos mercados. No entanto, o aumento das tarifas especificamente sobre a China reacendeu os temores de desaceleração econômica global.

Nesse ambiente de incertezas, os preços futuros do café foram marcados por forte volatilidade. Na sessão de quarta-feira (09), por exemplo, os contratos acumulavam queda de 6,3% em relação à sexta-feira anterior (04), chegando a atingir a mínima de US¢ 323,90/lb. O câmbio também foi impactado: na terça-feira (08), o dólar fechou cotado a USDBRL 6,01, alta de 2,9% se comparado com o fechamento da semana anterior, chegando a atingir a máxima de USDBRL 6,11 na quarta-feira (09).

Na sexta-feira (11), o contrato julho do arábica na ICE encerrou o dia a US¢ 353,60/lb, acumulando queda de 2,7% na semana. Em Londres, o robusta para julho fechou a USD 5049 por tonelada, com recuo semanal de 1,5%. O dólar, após atingir a máxima de R$ 6,11, recuou nos dias seguintes, fechando a semana a USDBRL 5,86, um avanço semanal de 0,4%.

Intraday semanal (contrato mais ativo) – 07/04 a 11/04

image 111085
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Design: StoneX.

No Brasil, os preços físicos acompanharam a tendência internacional. O indicador Cepea para o arábica encerrou a sexta-feira cotado a R$ 2424/saca, queda de 3,4% na semana. O robusta foi negociado a R$ 1609/saca, recuo de 6,4% na mesma comparação.

A aversão ao risco e a liquidação de posições em commodities, motivadas pela incerteza econômica, foram confirmadas pelos dados do CFTC divulgados na sexta-feira (11), com posições dos fundos até terça-feira (08). Em Nova York, os fundos liquidaram mais de 9290 contratos entre os dias 1º e 8 de abril, reduzindo a posição líquida comprada de 34812 para 25518 contratos — com venda líquida de 8785 contratos e abertura de 509 contratos vendidos. Os fundos de índice também reduziram suas posições líquidas compradas em mais de 3340 contratos. Por outro lado, os agentes comerciais reduziram suas posições líquidas vendidas em mais de 13.520 contratos, adicionando mais de 10000 contratos comprados, com destaque para a indústria, que aproveitou os menores preços observados desde o final de janeiro.

Posição líquida dos fundos em Nova Iorque (esquerda) e em Londres (direita) versus os preços futuros

  • image 111089
    Fontes: CFTC e ICE. Elaboração: StoneX. 
  • image 111102

O mercado de robusta apresentou dinâmica semelhante. Em Londres, os fundos reduziram sua posição líquida comprada em 6792 contratos, passando de 21251 para 14459. A indústria também aproveitou o momento para adicionar posições compradas.

No campo das exportações, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou que o país exportou 3,29 milhões de sacas em março de 2025 — queda de quase 25% em relação a março de 2024. As exportações de café cru somaram 2,95 milhões de sacas, recuo de 26,5%. O robusta caiu quase 84% (138,6 mil sacas), enquanto o arábica recuou 10,7% (2,8 milhões de sacas). As exportações de café industrializado também diminuíram 7,1%, somando cerca de 335 mil sacas.

Exportações brasileiras de café cru (milhões de sacas)

image 111087

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.

Apesar do menor volume, a receita das exportações em março cresceu 63,7% frente ao ano anterior, totalizando quase R$ 7,6 bilhões. Os principais destinos foram Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica — quase todos com redução no volume importado no primeiro trimestre de 2025, em comparação com igual período de 2024. Os EUA importaram 1,8 milhão de sacas (-11,7%), Alemanha 1,4 milhão (-19,3%) e Itália pouco mais de 800 mil (-15,8%). O Japão teve alta de 10% (675 mil sacas), e a Bélgica recuou quase 61% (pouco mais de 500 mil sacas). Destaque para os aumentos significativos nas exportações para a Rússia (+90%, com 374,8 mil sacas), Turquia (+47,5%, com 494,6 mil sacas) e Espanha (+29,5%, com 367,5 mil sacas).

Sem grandes alterações nos fundamentos, o mercado continuará reagindo aos fatores macroeconômicos, especialmente os impactos das tarifas impostas pelos EUA na economia mundial. Além disso, como principal destino do café brasileiro, uma tarifa sobre as importações americanas pode afetar negativamente a indústria local e, consequentemente, reduzir a demanda. Ademais, a imposição de tarifas sobre outros países exportadores pode alterar a competitividade entre as origens e reconfigurar o fluxo comercial.

Internamente, o mercado acompanha o avanço da colheita da safra 2025/26 no Brasil, com início pontual já observado em algumas regiões. A colheita deve ganhar ritmo no fim de abril e ao longo de maio. A entrada da nova safra tende a exercer pressão baixista sobre os preços no curto e médio prazo, aliviando preocupações com a oferta. No entanto, no longo prazo, o mercado segue com expectativa de aperto no balanço global. Além disso, o clima durante o inverno brasileiro será decisivo: a chegada de massas polares que possam provocar geadas representa um risco altista relevante para os preços.

TABELA DE INDICADORESimage 111088

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.

 

 

  • Café

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Artigos relacionados para Café

Comentários de Abertura

4 de agosto – O índice de referência Dow Jones Industrial Average disparou no fechamento de ontem para terminar quase 700 pontos mais alto, em um fechamento recorde de 53.178 pontos – superando facilmente o topo anterior de quase um mês atrás. O S&P 500 está à beira de seu próprio recorde também, enquanto o índice NASDAQ está aquém das máximas de junho, mas trabalhando em uma forte alta de três sessões. Todos os três apontam para aberturas positivas hoje. A Palantir (uma empresa de software dos EUA) reportou lucros melhores do que o esperado ontem à tarde, após o fechamento, impulsionando o setor de tecnologia, embora uma série de outras empresas também tenha reportado lucros fortes. O título de dez anos continua recuando da máxima de sexta-feira, agora em 4,67%, com o dólar no lado alto do patamar de paridade, enquanto o índice VIX, agora abaixo de 16, mostra volatilidade reduzida.

Matt Zeller
Matt Zeller
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

3 de agosto – Os futuros de ações apontam para alta na abertura da semana e do mês, ainda dentro da faixa das máximas recordes recentes e repletos de otimismo de que os EUA e outros países começarão a negociar com o Irã em torno do Estreito de Ormuz. Uma semana movimentada está no radar, com relatórios de resultados e dados de emprego, entre outras divulgações econômicas. O petróleo bruto cai mais de US$ 5 por barril e se aproxima das mínimas de três semanas. O dólar está apenas ligeiramente mais baixo nesta manhã, mas em sua própria mínima de um mês e meio, enquanto a taxa dos Treasuries de dez anos dos EUA também está levemente no campo mais baixo, a 4,68. O índice VIX se recupera um pouco hoje, após uma queda acentuada no fim da semana passada, situando-se pouco acima de 16.

Matt Zeller
Matt Zeller
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

31 de julho – As ações buscam ampliar a recuperação de ontem, com os futuros apontando para aberturas positivas em todos os índices. O Nasdaq, de forte peso em tecnologia, busca liderar a alta, com o impressionante balanço da Amazon após o fechamento de ontem, possivelmente acalmando um pouco dos nervos em relação ao setor de tecnologia como um todo, após a recente liquidação. Embora a receita total tenha superado bem as expectativas, o maior destaque foi o impressionante desempenho da AWS, com as vendas registrando seu crescimento mais rápido em quatro anos e meio, sugerindo que os pesados gastos da companhia com infraestrutura de IA estão se traduzindo em demanda expressiva. À medida que a construção da infraestrutura de IA acelera, o mercado provavelmente traçará uma distinção cada vez mais nítida entre as empresas que convertem esses investimentos maciços em crescimento de lucros e aquelas que simplesmente acumulam custos. O VIX também reflete um arrefecimento dos temores em Wall Street, apontando para um início de dia tranquilo, situando-se perto da marca de 17,3. O dólar está se recuperando após despencar para uma mínima de seis semanas ontem, operando a 100,34 nesta manhã. Os Treasuries permanecem uma preocupação para o mercado, embora busquem reverter parte das fortes inversões observadas nesta semana, já que os rendimentos de 30 anos permanecem próximos de suas máximas em 19 anos, operando a 5,226% no momento em que escrevo, enquanto os rendimentos de 10 anos flertam com uma máxima de 18 meses ao operar a 4,70%, e os rendimentos de 2 anos avançaram para operar logo abaixo de 4,29%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar o dia, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,6%, operando perto de US$85,30, e o Brent para entrega próxima em alta de 1,7%, operando perto de US$88,40. As commoditites agrícolas apontam para uma abertura mista, com o complexo do trigo devolvendo parte dos ganhos de ontem, apesar de novas escaladas entre Rússia e Ucrânia.

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais
Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.