• Preços futuros de café avançaram no exterior
• Arábica avança e robusta fica estável no mercado doméstico brasileiro
• Colheita da safra 2025/26 avança, principalmente nas áreas de robusta
• Exportações brasileiras caem com oferta reduzida e problemas logísticos
• Inflação pressiona consumo de café no Brasil e nos Estados Unidos
• Importações dos EUA crescem no início de 2025, mas robusta cai
Com predominância dos fatores macroeconômicos e técnicos, os preços futuros de café encerraram a última semana em alta. Não houve grandes mudanças do ponto de vista dos fundamentos, mas observou-se uma melhora no apetite pelo risco por parte dos agentes, após o momento de incerteza e liquidação causado pelo anúncio de tarifas dos Estados Unidos.
Além disso, a queda do dólar na última semana contribuiu para sustentar os preços no exterior. Existe uma correlação inversa entre a cotação da moeda norte-americana no Brasil e os preços futuros do café no mercado internacional. As movimentações do mercado também foram um pouco limitadas devido ao feriado no Brasil na segunda-feira (21).
Esse cenário de melhora no apetite dos investidores também pôde ser observado no último relatório COT-CFTC, divulgado na sexta-feira, dia 25, referente às posições dos agentes em 22 de abril. Enquanto nas semanas anteriores o relatório indicava forte liquidação por parte dos fundos, na última semana houve uma mudança de comportamento.
Para o contrato de café arábica em Nova York, os fundos de gestão ativa aumentaram sua posição líquida comprada em mais de 1.350 contratos, totalizando 25.655 contratos comprados. Os fundos de índice, por sua vez, reduziram levemente sua posição líquida comprada, com uma diminuição de apenas 82 contratos, passando de 31.918 para 31.836 contratos. No mercado de café robusta em Londres, o movimento foi semelhante. Após semanas de liquidação, entre os dias 15 e 22 de abril, os fundos aumentaram sua posição líquida comprada em mais de 1.360 contratos, alcançando 10.224 contratos.
Em Nova York, o contrato mais ativo, com vencimento em julho, terminou a semana com valorização superior a 7%, alcançando US¢ 399,85/lb no fechamento do dia 25. No mercado de robusta, a cotação encerrou a semana em USD 5.415 a tonelada, um incremento de 2,6% em relação ao fechamento da semana anterior. Na última semana, o par USDBRL teve uma queda de mais de 2% para 5,68.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 21/04 a 25/04

No mercado doméstico brasileiro, os preços do café arábica avançaram, enquanto os do robusta permaneceram praticamente estáveis. O indicador CEPEA para o café arábica registrou alta de 3,6%, sendo cotado acima de R$ 2.610,00 por saca. Já o indicador para o café robusta apontou um avanço de apenas 0,2%, com preço superior a R$ 1.716,00 por saca.
Do ponto de vista dos fundamentos, um dos principais focos de atenção dos agentes é o início da colheita da safra 2025/26 no Brasil. A atividade já começou em diversas regiões produtoras de robusta, e a expectativa é que o ritmo de colheita se intensifique ao longo do mês de maio.
Outro ponto importante é a divulgação dos relatórios dos adidos agrícolas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nos principais países produtores de café. Embora não haja uma data específica, esses relatórios costumam ser publicados ao longo de maio e trarão as primeiras estimativas para a produção dos países na safra 2025/26, servindo de base para o relatório oficial do USDA previsto para meados de junho, que também apresentará projeções para o balanço global de oferta e demanda.
Outro fator de atenção é o desempenho das exportações brasileiras de café em abril. As exportações vêm desacelerando em função da oferta reduzida no mercado interno e de gargalos logísticos. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil deixou de exportar cerca de 640 mil sacas em março devido a problemas logísticos, resultando em prejuízos estimados em R$ 8,9 milhões para as empresas. O relatório preliminar do Cecafé aponta que até o dia 25 de abril foram embarcadas mais de 2,28 milhões de sacas, uma queda de 8,8% em relação ao mesmo período do mês anterior.
Outro aspecto relevante é o impacto da inflação nos preços ao consumidor. Nos Estados Unidos, a inflação do café ao consumidor acumulou alta de 23,8% no último ano até março. No Brasil, a inflação do café no varejo chegou a quase 78% no mesmo período.
Quanto às importações norte-americanas, o ano de 2024 terminou com uma recuperação de 5,9% em relação ao ano anterior, totalizando 21,17 milhões de sacas. Contudo, esse volume ainda ficou 15% abaixo da máxima histórica registrada em 2019, quando as importações atingiram 24,7 milhões de sacas.
Para 2025, os dados de importação até março ainda não foram divulgados — a previsão é que sejam publicados em 6 de maio. Até o momento, considerando janeiro e fevereiro, os Estados Unidos importaram mais de 3,6 milhões de sacas, um aumento de 12,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Importações americanas de café (milhões de sacas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Por outro lado, os dados do Cecafé mostram que as exportações brasileiras de café destinadas aos Estados Unidos totalizaram 1,8 milhão de sacas no acumulado até março, o que representa uma queda de 11,5% em comparação ao mesmo período de 2024. Essa redução se deve, principalmente, à forte retração nas exportações de café robusta para o mercado norte-americano em março. Em março de 2024, o Brasil exportou mais de 271 mil sacas de robusta para os Estados Unidos, enquanto em março de 2025 esse volume caiu para apenas 14,6 mil sacas, refletindo a escassez do produto no mercado interno.
Por fim, os agentes acompanharão de perto a divulgação dos resultados financeiros das empresas ligadas ao setor de café. Esses dados podem servir como um termômetro do ritmo de consumo nas regiões onde essas companhias atuam e oferecer sinais sobre o impacto da inflação no consumo global de café.
TABELA DE INDICADORES



