• Cotações futuras caem com baixa atividade comercial
• Contrato julho caiu 3,6% em NY; Londres recuou 2,3%
• Dólar desvalorizou 0,5% na semana
• Arábica recuou 0,9% e robusta caiu 2,8% no Brasil
• Fundos aumentam posições compradas; apetite do investidor melhora
• USDA inicia divulgação de relatórios dos principais produtores globais
• Índia deve produzir 6 milhões de sacas, queda de 2,4%
• Guatemala aponta estabilidade, com leve alta na produção e exportação
• Exportações brasileiras podem cair 41% em abril, diz prévia da Secex
• Inflação pressiona consumo e resultados das grandes empresas do setor de café
Os preços futuros do café arábica e do café robusta terminaram a última semana em queda. As movimentações foram consideradas lentas, com notável redução da atividade dos agentes comerciais nas negociações. Do ponto de vista dos fundamentos, não houve grandes mudanças, com o cenário de oferta restrita se mantendo como fator altista, além da perspectiva de uma safra menor na temporada 2025/26. Por outro lado, o mercado segue atento ao avanço da nova colheita no Brasil.
Em Nova York, o contrato mais ativo, com vencimento em julho, encerrou a sexta-feira (02) cotado a US¢ 385,40/lb, representando uma queda de 3,6% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Em Londres, os preços caíram 2,3%, com o vencimento de julho fechando em USD 5.291 por tonelada. No mesmo período, o dólar teve queda de 0,5% no mercado brasileiro, encerrando em R$ 5,66 (USDBRL).
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 28/04 a 02/05

Os preços também caíram no mercado doméstico brasileiro. O indicador Cepea para o café arábica encerrou a semana com queda de 0,9%, fechando em cerca de R$ 2.589 por saca. Já o indicador para o robusta apresentou recuo de 2,8%, chegando a aproximadamente R$ 1.668 por saca.
Na última semana, também foi observada uma melhora no apetite dos investidores pelo mercado de café. O relatório COT-CFTC, divulgado na sexta-feira, dia 2, com dados até 29 de abril, mostrou que, entre os dias 22 e 29 de abril, os fundos de gestão ativa em Nova York aumentaram sua posição líquida comprada em 15,4%, totalizando 29.618 contratos. Os fundos de índice, mais ligados a questões macroeconômicas, elevaram sua posição líquida comprada em quase 14%, alcançando 36.227 contratos. Em Londres, o movimento foi ainda mais intenso, com os fundos aumentando sua posição líquida comprada em mais de 68%, atingindo 17.296 contratos.
Posição líquida dos fundos em Nova Iorque (esquerda) e em Londres (direita) versus os preços futuros

Fontes: ICE e CFTC. Elaboração: StoneX.
Ainda na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) iniciou a divulgação dos relatórios elaborados pelos adidos agrícolas, detalhando a produção nos principais países produtores. Já foram publicados os relatórios referentes à Índia e à Guatemala. Nas próximas semanas, estão previstas as divulgações para vários países, incluindo Brasil, Vietnã e Colômbia. O acompanhamento dessas publicações é especialmente relevante neste momento para o mercado.
De acordo com o relatório do USDA para a Índia, a produção do país em 2025/26 deve recuar 2,4%, somando pouco mais de 6 milhões de sacas, devido aos impactos negativos do clima. A produção de café arábica deve cair 3,6%, para 1,35 milhão de sacas, enquanto a de robusta deve recuar 2,1%, para 4,7 milhões de sacas. Por outro lado, o consumo interno deve crescer 4,6%, atingindo 1,36 milhão de sacas, e as exportações devem recuar 3,6%, totalizando 5,99 milhões de sacas.
Para a Guatemala, o relatório aponta estabilidade. A produção na temporada 2025/26 deve alcançar 3,54 milhões de sacas, um aumento de apenas 0,4%. O consumo interno deve subir 0,4%, para 720 mil sacas, e as exportações também devem crescer 0,4%, atingindo 3,27 milhões de sacas.
Conforme já mencionado em relatórios anteriores da StoneX, o mercado segue atento ao avanço da colheita da safra 2025/26 no Brasil. Todas as regiões produtoras já iniciaram a colheita, mas o ritmo ainda é lento. As chuvas das últimas semanas, especialmente nas regiões produtoras de arábica, contribuíram para o andamento mais devagar dos trabalhos. No entanto, os bons volumes de precipitação registrados em abril podem favorecer a manutenção das plantas, reduzindo os efeitos do período seco. Caso ocorram chuvas pontuais nos próximos meses, as lavouras podem sair do pós-colheita com um depauperamento menos acentuado.
Os frutos apresentaram bom desenvolvimento e uniformidade, o que deve favorecer o processo de colheita. Os primeiros lotes de café arábica entregues ao mercado já mostram percentuais de peneira 17 acima superiores aos da safra passada. Relatos semelhantes se aplicam à qualidade dos cafés conilon.
Na próxima semana, o mercado acompanhará com atenção a divulgação dos dados de exportação de abril pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, até a quarta semana de abril, o Brasil exportou cerca de 2,5 milhões de sacas, o que representaria uma queda de 41% em relação ao mesmo período de abril de 2024.
Além disso, o clima continuará sendo uma peça-chave para o mercado de café. Apesar de não haver risco de geada no curto prazo, os modelos já indicam queda nas temperaturas até meados de maio, com previsão de mínimas próximas de 6 °C em Varginha no dia 18. A proximidade do inverno brasileiro e a possível chegada de massas de ar polar podem elevar a volatilidade nos preços do café.
Inflação pressiona consumo e resultados das grandes empresas do setor de café
A inflação segue sendo um fator de atenção para o mercado de café, com reflexos diretos sobre o consumo global. Como já mencionado em edições anteriores deste relatório, os preços ao consumidor final registraram aumentos expressivos. No Brasil, a inflação acumulada sobre o café atingiu quase 78% nos 12 meses encerrados em março, segundo o IBGE. Nos Estados Unidos, a alta foi de cerca de 24% no mesmo período.
Resultados financeiros recentes de grandes empresas ajudam a entender o comportamento da demanda nesse contexto. A Kraft Heinz, por exemplo, reportou uma queda de 6,4% nas vendas líquidas no primeiro trimestre de 2025, totalizando US$ 6 bilhões. As vendas orgânicas recuaram 4,7%, com queda de 5,6% no volume/mix, parcialmente compensada por um aumento de 0,9% nos preços — principalmente em categorias como café. A companhia revisou sua projeção anual e espera queda entre 1,5% e 3,5% nas vendas orgânicas, e de 5% a 10% no lucro operacional ajustado.
A Starbucks também reportou queda nas vendas globais no segundo trimestre fiscal de 2025. As vendas em mesmas lojas recuaram 1%, puxadas por uma queda de 2% nas transações, parcialmente compensada por um aumento de 1% no ticket médio. Nos Estados Unidos, as vendas comparáveis caíram 2%, enquanto internacionalmente houve leve alta de 2%. A empresa abriu 213 novas lojas no período, alcançando 40.789 unidades no total. A receita líquida cresceu 2% no consolidado, chegando a US$ 8,8 bilhões, mas o lucro por ação (EPS) caiu 50% na base GAAP e 40% na base ajustada, refletindo pressões operacionais, custos trabalhistas e investimentos na reestruturação global.
Na contramão das gigantes ocidentais, a Luckin Coffee, da China, apresentou forte crescimento. A receita líquida da empresa aumentou 41,2% na comparação anual, alcançando RMB 8,865 milhões (cerca de US$ 1,22 bilhão). O número de clientes ativos mensais subiu 24%, para 74,3 milhões. O lucro operacional das lojas próprias cresceu 244,8%, com margem operacional de 17,1%. A empresa abriu 1.757 novas lojas no trimestre — 1.743 delas na China — e encerrou o período com 24.097 unidades (15.598 próprias e 8.499 franqueadas). O desempenho reflete a retomada de crescimento da marca, com forte expansão em vendas de mesmas lojas (+8,1%), revertendo perdas anteriores.
TABELA DE INDICADORES



