• Nova Iorque registrou queda de 2,7% nos contratos futuros
• Londres também caiu: 1,2% nos preços por tonelada
• Preços internos recuaram: arábica caiu 5,12%; robusta, 5,9%
• A colheita de café no Brasil atingiu 40% até 16/06
• A colheita pressiona negativamente os preços no mercado físico e futuro
• Clima segue no radar; massa polar não causou geadas
• Exportações de maio caíram 33,3% frente a maio de 2024
• Mercado segue atento à colheita e aos riscos climáticos
A tendência de queda nos preços, observada nas últimas semanas, já havia sido antecipada nas edições anteriores dos relatórios semanais. O aumento da disponibilidade de café no mercado físico tem pressionado os preços. Com o ritmo da colheita se acelerando, operadores notaram maior volume de vendas por parte da origem, tanto para o café arábica quanto para o robusta. Vale destacar que a colheita do café robusta está mais avançada em relação à do arábica.
Além disso, os preços recuaram mesmo com a queda do dólar, que geralmente exerce influência altista sobre as cotações externas. Enquanto o dólar recuou 0,3% na semana, fechando a R$ 5,54, em Nova Iorque, o contrato mais ativo com vencimento em setembro registrou queda de 945 pontos (2,7%), encerrando a semana cotado a US¢ 346,00 por libra-peso. Em Londres, o contrato também para setembro teve queda de US$ 52 por tonelada (1,2%), fechando em USD 4.287 por tonelada.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

No mercado doméstico brasileiro, os preços também recuaram. O indicador Cepea para o café arábica caiu 5,12%, fechando a sexta-feira cotado em torno de R$ 2.198 por saca. Para o café robusta, a queda foi ainda mais intensa, de quase 5,9%, com a saca cotada em torno de R$ 1.283.
Do ponto de vista dos fundamentos, não houve grandes mudanças ao longo da última semana. O mercado segue atento ao avanço da colheita no Brasil, que continua exercendo pressão baixista sobre os preços, especialmente devido ao aumento significativo da produção de robusta em relação ao ano anterior. Já a produção de arábica está menor, mas esse recuo é parcialmente compensado pela produção robusta.
De acordo com os dados da StoneX, até o dia 16 de junho, a colheita da safra brasileira de café alcançou 40%, o que representa um total de aproximadamente 25,8 milhões de sacas colhidas. No caso do café arábica, mais de 33% da safra já foi colhida, somando cerca de 12,8 milhões de sacas. Já para o café robusta, a colheita está mais avançada, com mais de 50% da safra colhida, totalizando quase 13 milhões de sacas.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
O clima também segue no radar do mercado. Nos últimos dias, uma massa de ar polar derrubou as temperaturas no Brasil, mas sem relatos de geadas. As temperaturas não chegaram a níveis críticos nas principais regiões produtoras. Por exemplo, em municípios como Caparaó e Maria da Fé, as mínimas variaram entre 4,2 °C e 5 °C — valores insuficientes para formação de geadas. Além disso, essas localidades estão situadas em regiões de maior altitude em Minas Gerais. Para as próximas semanas, não há previsão da chegada de uma nova massa polar, mas o cenário climático deve continuar sendo monitorado, dadas as incertezas envolvidas.
O mercado também começa a antecipar as condições climáticas do segundo semestre, especialmente no que diz respeito à florada. Para o café robusta, a florada deve iniciar na segunda quinzena de julho. Já a do arábica deve começar no final de agosto e seguir a partir de setembro.
Na última semana, o Cecafé divulgou o relatório de exportações referente ao mês de maio. Segundo o documento, o Brasil exportou 2,96 milhões de sacas no período, o que representa uma queda de 33,3% em relação a maio de 2024. No caso do café verde, foram 2,6 milhões de sacas exportadas, uma retração de 35,9%, com destaque para as exportações de robusta, que caíram 77%, totalizando pouco mais de 202,7 mil sacas. As exportações de café arábica também recuaram, com queda de 24,6%, somando 2,4 milhões de sacas. As exportações de café industrializado caíram 6,2%, ficando em 360,3 mil sacas.
Exportações Brasileiras de café verde (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Por outro lado, a receita com exportações cresceu 33,7%, ultrapassando R$ 7 bilhões. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações totais recuaram 19,2%, totalizando quase 16,8 milhões de sacas. As exportações de café verde caíram 21%, para 15,1 milhões de sacas. O destaque negativo continua sendo o robusta, com queda superior a 70%, somando pouco mais de 1 milhão de sacas. Para o arábica, a queda no acumulado foi de 10%, ultrapassando 14,1 milhões de sacas.
A retração nas exportações brasileiras está relacionada à menor disponibilidade de café no mercado físico, especialmente após os volumes recordes exportados em 2024, que ultrapassaram 50 milhões de sacas. Para os próximos meses, espera-se recuperação nas exportações, com o avanço da colheita da safra 2025/26 e o consequente aumento da oferta.
O relatório preliminar dos embarques do Cecafé, datado de 13 de junho, indica que até essa data, o Brasil já havia embarcado 750 mil sacas de café arábica — o que, se mantido o ritmo, resultaria em um volume inferior ao de maio. Por outro lado, os embarques de robusta seguem mais aquecidos, refletindo o ritmo mais acelerado da colheita. Até o dia 13, já haviam sido embarcadas quase 174 mil sacas de robusta, número próximo ao total exportado em todo o mês de maio. Se mantido esse ritmo, os embarques podem alcançar 348 mil sacas em junho, valor significativamente superior às 202,7 mil sacas de maio. A expectativa é de que, a partir de julho, as exportações de arábica também ganhem fôlego, à medida que a safra colhida comece a ser disponibilizada ao mercado.
Dessa forma, o mercado continua atento ao avanço da colheita no Brasil, que deve seguir pressionando os preços, tanto no mercado físico quanto no exterior. No curto prazo, os riscos climáticos, especialmente a chegada de massas polares durante o inverno, permanecem no radar. No médio prazo, as atenções se voltam ao clima durante a florada, etapa crucial para o desenvolvimento da safra seguinte — tanto para o arábica quanto para o robusta. Além disso, os agentes de mercado seguirão monitorando a inflação e seus efeitos sobre os preços ao consumidor e o impacto no consumo final de café.
TABELA DE INDICADORES





