• Preços do café caíram com avanço da colheita no Brasil
• Nova York recuou 4,7%; Londres teve leve alta de 0,4%
• Mercado segue pressionado por cenário macroeconômico adverso
• Colheita brasileira alcançou 63,8% da safra total
• Cepea indica queda de 7,5% para o arábica e de 2,5% para o robusta
• Exportações brasileiras de robusta podem ser favorecidas pelas novas tarifas
• Frente fria chega, mas sem risco imediato de geada
• Chuvas serão decisivas para a florada da safra 2026
• Mercado aguarda dados oficiais de exportação de junho
• Estoques globais apertados podem limitar novas quedas de preços
Os preços do café recuaram na última semana, pressionados pelo avanço da colheita no Brasil e por fatores macroeconômicos globais. O contrato mais ativo em Nova York caiu 1.415 pontos, o equivalente a 4,7%, encerrando a semana cotado em US¢ 289,60 por libra-peso. Em Londres, o mercado teve desempenho mais estável, com leve alta de 0,4%, fechando a semana em US$ 3.677 por tonelada.
Nesta segunda-feira, o mercado segue em baixa, refletindo o aumento da disponibilidade de café físico com o avanço da colheita brasileira, além de um cenário macroeconômico adverso. O mercado acompanha atentamente as decisões do governo dos Estados Unidos em relação às tarifas de importação.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

No mercado físico brasileiro, o comportamento também foi de queda. O indicador Cepea para o café arábica recuou 7,5% na semana, encerrando cotado a aproximadamente R$ 1.737 por saca. Já o robusta teve queda de 2,5%, cotado a R$ 1.087 por saca. A pressão nos preços se intensifica à medida que a colheita avança e aumenta a oferta no curto e médio prazo.
De acordo com dados da StoneX, até o dia 7 de julho, foram colhidas 63,8% da safra brasileira, o que equivale a 41,1 milhões de sacas. A colheita do robusta está mais adiantada, com 78,8% concluídos (20,3 milhões de sacas), enquanto a do arábica alcançou 53,8% (20,8 milhões de sacas).
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
Em abril, o governo americano anunciou tarifas sobre as importações de uma série de países, incluindo o Brasil. Para os países que já possuíam alíquotas superiores a 10%, foi concedida uma pausa de 90 dias, com término nesta quarta-feira, dia 9, quando os EUA voltariam a aplicar integralmente as tarifas previstas; no primeiro momento Vietnã e Indonésia seriam tarifados em 46% e 32%, respectivamente.
Recentemente os EUA anunciaram que foi feito um acordo com o Vietnã, com a aplicação de tarifas de 20% sobre seus produtos exportados para os EUA. Esse movimento tende a favorecer as exportações brasileiras de café robusta, que continuam sendo taxadas em apenas 10%. A situação geopolítica também elevou o nível de preocupação nos mercados. O presidente americano declarou nas redes sociais, na noite do dia 6, que pretende aumentar tarifas para países que se alinharem às políticas do BRICS, grupo que realiza sua 17ª cúpula nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro. Esse tipo de sinalização reforça o clima de aversão ao risco.
Na sessão desta segunda-feira, dia 7, até o momento da elaboração deste relatório, Nova York registrava nova queda de 840 pontos para o contrato mais ativo, recuando 2,9% e sendo cotado em cerca de US¢ 281,20 por libra-peso. A pressão também vem da valorização do dólar, que acumula alta de 0,77% no dia, sendo negociado a R$ 5,46. Em Londres, o mercado também recua: o contrato mais ativo para o robusta cai US$ 141 por tonelada, ou 3,8%, cotado ao redor de US$ 3.536 por tonelada.
Embora a pressão baixista venha da maior disponibilidade, o clima pode voltar a atuar como um fator de sustentação aos preços. A previsão do modelo europeu, divulgada nesta segunda-feira, indica a passagem de uma frente fria nas regiões produtoras, provocando queda de temperatura. No entanto, as mínimas previstas, como os 8 °C em partes de Minas Gerais, ainda não indicam risco de geadas. Não há previsão de chegada de nova massa polar nos próximos 15 dias, mas o monitoramento climático segue essencial durante o mês de julho e início de agosto.
Além das temperaturas, o mercado passará a monitorar a previsão de chuvas. O retorno das precipitações ao cinturão cafeeiro é fundamental para garantir uma florada adequada. Caso essas chuvas atrasem, poderão surgir dúvidas quanto ao potencial produtivo da safra 2026 no Brasil. Desta forma o clima volta a ser um elemento central na formação dos preços no Brasil e no exterior.
Também nos próximos dias, o mercado aguarda a divulgação dos dados oficiais de exportação do mês de junho pelo Cecafé. Os dados preliminares apontam para um aumento de mais de 80% nas exportações brasileiras de robusta em relação a maio, reflexo da maior disponibilidade do produto. No entanto, o volume ainda é inferior ao exportado em junho de 2024. As exportações de arábica devem mostrar queda em junho, mas a expectativa é de retomada à medida que a colheita avança.
Apesar da pressão baixista no curto e médio prazo, os estoques globais ainda não são considerados confortáveis, o que deve limitar quedas mais acentuadas nos preços, especialmente após o encerramento da colheita e a entrada no período de entressafra.
TABELA DE INDICADORES



