• Preços do café sobem com anúncio de tarifas dos EUA
• Trump impõe 50% de tarifa sobre café brasileiro
• Dólar se valoriza refletindo cenário macroeconômico e tensões comerciais
• Exportações do Vietnã pressionam cotações do café robusta
• Colheita avançada aumenta oferta e pressiona preços no Brasil
• Busca americana por novas origens pode elevar preços globais
• Mercado monitora tarifas, câmbio, exportações e clima
• Florada precoce já é observada no Espírito Santo
• Dados oficiais de exportação do Cecafé saem amanhã, dia 15
Depois de terminar a última semana em queda, os preços futuros de café iniciaram esta segunda-feira em alta, refletindo os impactos das tarifas do presidente norte-americano Donald Trump sobre as importações oriundas do Brasil.
Ao longo da última semana, o mercado esteve sob pressão até a sessão da quarta-feira, quando o presidente americano anunciou que imporia tarifas sobre as importações brasileiras de café. A partir de quinta-feira, essa notícia atuou de forma altista para as cotações.
No balanço semanal, o contrato mais ativo em Nova York, com vencimento em setembro, terminou a semana com queda de 310 pontos, ou seja, 1,1%, fechando a sexta-feira cotado em US¢ 286,5 por libra. Já em Londres, a queda foi de 12,5%, para 3.216 dólares por tonelada.
Refletindo o cenário macroeconômico e o anúncio das tarifas, o dólar terminou a última semana com alta de 2,5%, cotado em R$ 5,56. Na sessão desta segunda-feira, o mercado segue com um avanço de 0,3%, com o dólar cotado em R$ 5,57.
Com relação ao mercado de café robusta, um fator que contribuiu para pressionar as cotações foi o avanço das exportações do Vietnã em maio (+107,9%) e em junho (+69,5%).
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

No mercado doméstico brasileiro, o indicador Cepea para o café arábica apresentou uma queda de apenas 0,5%, para R$ 1.728,50 por saca. Já o indicador Cepea para o café robusta registrou uma queda muito mais intensa, de 6,8%, para R$ 1.012,75 por saca.
A pressão sobre os preços de café, principalmente no mercado doméstico brasileiro, está relacionada ao avanço da colheita no Brasil e ao aumento da disponibilidade de café no mercado interno. Até o dia 14 de julho, 73,3% da safra brasileira já havia sido colhida, com o café robusta mais avançado (88,8%) e o café arábica com ritmo de 62,9%.
O avanço mais acelerado da colheita do café robusta aumenta a disponibilidade do tipo no mercado interno e contribui para pressionar as cotações. Além disso, apesar da queda da produção de café arábica no Brasil, a produção de robusta deve avançar quase 22%, para 25,8 milhões de sacas, contribuindo ainda mais para a pressão sobre os preços.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
O mercado de café segue reagindo ao anúncio da última quarta-feira do presidente Donald Trump sobre a imposição de tarifas de 50% sobre as importações americanas oriundas do Brasil. Essas tarifas teriam um impacto severo para o setor, dada a forte relação entre os mercados de café brasileiro e americano.
Em 2024, mais de 16% das exportações brasileiras de café, equivalente a mais de 8 milhões de sacas, tiveram como destino os Estados Unidos — principal comprador do Brasil e maior consumidor mundial de café. Do lado americano, o Brasil representou 34% de todo o café importado pelos Estados Unidos.
Caso essas tarifas sejam implementadas, resultariam em menor competitividade para as exportações brasileiras e impactariam severamente a indústria americana, que depende fortemente do café do Brasil. A maior parte das importações americanas são de café arábica, o que torna desafiador para os EUA encontrar outro fornecedor.
Para se ter uma ideia, em 2024, mais de 80% das importações americanas de café foram de arábica. O segundo maior produtor mundial, a Colômbia, produz entre 12 e 13 milhões de sacas, muito abaixo dos 40 a 50 milhões do Brasil, e já exporta grande parte para os próprios EUA.
Seria, portanto, muito difícil para os Estados Unidos substituir a origem brasileira para suprir a demanda de café arábica. A indústria americana emprega mais de 2,2 milhões de pessoas ligadas ao setor e, segundo a NCA, a cada dólar importado, são gerados 43 dólares na economia doméstica do café.
Além da indústria, o consumidor americano também seria impactado, enfrentando inflação sobre os preços do café, que já vêm avançando nos últimos anos.
Vale lembrar que, além do Brasil, os Estados Unidos também aplicaram tarifas a outros importantes fornecedores de café: 10% para a Colômbia, 20% para o Vietnã, 32% para a Indonésia, 30% para o México e 30% para a União Europeia. O México também é um fornecedor relevante de café cru para os EUA, enquanto a Europa exporta café industrializado.
Essas medidas elevam ainda mais os custos para os importadores e para a indústria americana, que se vê pressionada de múltiplos lados.
Na prática, se as medidas forem mesmo implementadas, a tendência é de um cenário altista para as cotações em Nova York, já que a bolsa reflete o cenário doméstico americano. Ao mesmo tempo, o café que deixaria de ser exportado para os EUA tenderia a pressionar as cotações no mercado brasileiro, devido ao aumento da oferta interna. Já em outras origens, os preços poderiam subir com o aumento da demanda por parte dos importadores americanos em busca de alternativas ao café brasileiro.
Com relação ao mercado de robusta, o Vietnã, um dos principais exportadores de café robusta, apresentou mudanças relevantes no comportamento de suas exportações ao longo do ano-safra. Enquanto no início do ciclo (outubro a setembro) as exportações estavam enfraquecidas, com quedas de 49,7% em novembro, 39% em dezembro e 41% em janeiro, nos últimos meses houve recuperação, com crescimento de 9,8% em abril, 107,9% em maio e 69,5% em junho.
Esse aquecimento das exportações vietnamitas atua de forma baixista sobre as cotações do robusta. No entanto, no acumulado do ano-safra, as exportações do Vietnã ainda estão 10,3% abaixo da média e 6,8% abaixo da temporada anterior.
Em junho, o Vietnã exportou 1,98 milhão de sacas, frente a 1,17 milhão no mesmo mês da temporada anterior. No acumulado até junho deste ano, foram exportadas 19,55 milhões de sacas, ante 20,96 milhões no mesmo período do ciclo anterior.
Evolução das exportações de café do Vietnã: sazonal (à esquerda) e acumulado no ano-safra (à direita)

Fonte: Vietnam Customs. Elaboração StoneX.

O mercado de café continuará atento aos desdobramentos dessas tarifas e seus impactos sobre a cadeia comercial, o dólar, o câmbio e os fatores macroeconômicos. Também haverá atenção à divulgação dos dados de exportação de café, prevista para amanhã, dia 15, às 16h, em coletiva do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil.
Além disso, o mercado seguirá monitorando as condições climáticas. Nos próximos meses, será essencial o retorno das chuvas para garantir a florada adequada nas regiões de arábica. No Espírito Santo, as chuvas ocorridas na primeira metade de julho já provocaram uma florada antecipada nas lavouras de café robusta.
TABELA DE INDICADORES





