Futuros do café avançam no início de semana decisiva sobre tarifas
• Café inicia semana em alta com incertezas tarifárias nos EUA
• Tarifas sobre café brasileiro devem começar em 6 de agosto
• Setor tenta incluir café na lista de exceções tarifárias
• China autoriza 183 empresas brasileiras a exportar café
• Alta de 45,7% nas importações da China em junho
• Colheita no Brasil atinge 89,8% da safra total
• Exportações brasileiras caem 29% em julho comparado a 2024
• Safra 2026/27 depende da regularidade das chuvas
Os preços futuros do café iniciaram esta segunda-feira em alta, marcando o começo de uma semana decisiva para o setor, especialmente diante das incertezas relacionadas às tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre as importações de café do Brasil. Na semana anterior, os preços apresentaram desempenho misto, refletindo justamente essa instabilidade em relação a implementação das tarifas.
Inicialmente, as tarifas estavam previstas para entrar em vigor em 1º de agosto. Durante a semana, uma entrevista com o secretário de Comércio dos Estados Unidos trouxe otimismo ao mencionar que produtos que não podem ser produzidos no país, como café e cacau, poderiam ser isentos. No entanto, o decreto oficial, embora tenha prorrogado a entrada em vigor para 6 de agosto e incluído exceções como suco de laranja, combustível e aviões, não contemplou o café.
Assim, conforme o decreto atual, o café será taxado em 50% nos Estados Unidos. Apesar da exclusão, entidades como o Cecafé e a National Coffee Association (NCA) e o governo brasileiro continuam negociando para que o produto seja incluído na lista de exceções. Ainda há incerteza quanto ao sucesso dessas tratativas.
Como já destacado em edições anteriores deste relatório, a imposição de tarifas sobre o café brasileiro tende a pressionar os preços no mercado doméstico brasileiro para baixo, ao mesmo tempo em que elevaria os preços no mercado norte-americano, o que se refletiria em aumentos nas cotações em Nova Iorque e, consequentemente, em maior inflação para o consumidor final nos EUA.
Na última semana, os preços seguiram tendência mista. Em Nova Iorque, o contrato de setembro caiu 1.335 pontos (queda de 4,5%), fechando em US¢ 284,20 por libra-peso. Já em Londres, o contrato mais ativo subiu mais de US$ 100 por tonelada, ou 3,2%, alcançando US$ 3.330 por tonelada. No mercado interno brasileiro, o comportamento foi similar. O indicador CEPEA para o café arábica recuou 2,1%, fechando em pouco mais de R$ 1.772,00 por saca. Já o café robusta valorizou 2,7%, encerrando a R$ 1.029,60 por saca.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.
Após o anúncio dos Estados Unidos sobre a imposição de tarifas ao café brasileiro, a China autorizou 183 novas empresas brasileiras a exportarem café para seu mercado. A medida sinaliza uma abertura comercial por parte da China e ocorre em um momento estratégico, no qual se discutem alternativas para o redirecionamento das exportações brasileiras, caso as tarifas norte-americanas sejam efetivamente implementadas.
Apesar de a China ter registrado um crescimento expressivo no consumo de café nos últimos anos, com projeções positivas para o futuro, o mercado chinês ainda não tem capacidade para absorver volumes equivalentes aos atualmente importados pelos Estados Unidos. Como exemplo, dados do governo chinês indicam que, em junho, foram importadas 439,2 mil sacas de café, um aumento de 45,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, no acumulado dos primeiros seis meses de 2025, as importações somaram 1,82 milhão de sacas, representando uma queda de 6,4% em comparação com o mesmo período de 2024.
Do ponto de vista dos fundamentos, o panorama segue praticamente inalterado. O avanço da colheita no Brasil tem aliviado a pressão de oferta no curto e médio prazo, influenciando negativamente os preços. No entanto, o clima segue sendo um fator crucial para o mercado.
A chegada das chuvas no segundo semestre será determinante para a abertura da florada, impactando diretamente o potencial produtivo da safra 2026/27. Apesar de o nível de umidade no solo estar superior ao registrado em anos críticos como 2021 e 2024, os modelos climáticos de longo prazo indicam chuvas esporádicas, irregulares e de baixo volume, especialmente nas regiões produtoras de arábica: Sul de Minas Gerais, São Paulo e Cerrado Mineiro. Para mais detalhes sobre as condições do solo e as previsões para agosto e setembro, recomenda-se a leitura do Boletim Semanal de Tempo e Clima.
De acordo com dados da StoneX, até o dia 4 de agosto o Brasil havia colhido 89,8% da sua safra, totalizando 57,9 milhões de sacas. A colheita de café robusta está praticamente finalizada (mais de 99%), enquanto a de arábica atingiu 83,5%. As regiões com maior atraso no arábica são o Cerrado Mineiro (78%) e o Sul de Minas (81%).
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
TABELA DE INDICADORES
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.