Mercado de café abre a semana em alta com relatos de geada no Brasil
• Mercado do café sobe com geada em regiões produtoras brasileira
• Temperaturas foram mais baixas que o previsto pelos modelos climáticos
• Floradas podem ser impactadas mesmo sem geada visível
• Arábica e robusta sobem no mercado físico brasileiro
• Produção colombiana cresce 18% em julho, segundo federação local
• Vietnã exporta menos que a média histórica para julho
• Colheita brasileira chega a 93,2% até 11 de agosto
• Chuvas regulares serão cruciais para o desenvolvimento da florada
• Negociações tarifárias entre Brasil e EUA seguem no radar
Os preços futuros do café iniciaram a semana em forte alta, impulsionados por relatos de geada em importantes regiões produtoras do Brasil. No fechamento do mercado, o contrato mais ativo na Bolsa de Nova York encerrou o pregão com alta de 1.160 pontos, o que representa um avanço de 3,84%, sendo cotado a US¢ 314,05 por libra-peso. Já em Londres, os contratos também fecharam em território positivo, com valorização de 154 dólares por tonelada, ou 4,39%, sendo negociados a US$ 3.664 por tonelada.
Essa valorização significativa dos preços está diretamente associada à confirmação da ocorrência de geadas em áreas de Minas Gerais e da Alta Mogiana. A possibilidade desse evento climático já vinha sendo discutida desde a semana anterior, quando modelos meteorológicos passaram a indicar uma brusca queda nas temperaturas em grande parte do cinturão cafeeiro brasileiro.
A previsão apontava para a chegada de uma massa de ar polar, que realmente se confirmou, mas com intensidade maior do que a prevista inicialmente. Enquanto o modelo europeu, por exemplo, estimava temperaturas mínimas ao redor de 8 graus Celsius em regiões como Patrocínio, no Cerrado Mineiro, os dados das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicaram temperaturas bem inferiores, com formação de geada em diversos municípios.
Foram confirmadas ocorrências de geada em cidades como Patrocínio, Uberaba, Sacramento, Ituverava, Passos, Bambuí, Monte Verde e Campos do Jordão. Além desses registros, houve ainda relatos de geadas em áreas cafeeiras de diversos municípios do Cerrado Mineiro, incluindo Araguari, Monte Carmelo, Sacramento, Araxá, Serra do Salitre, Indianópolis, Ibiá e Campos Altos, bem como em regiões específicas da Alta Mogiana. Embora ainda seja cedo para estimar com precisão o impacto desse evento sobre as lavouras, tudo indica que a geada ocorreu de forma localizada, atingindo áreas pontuais dentro dos municípios afetados.
Mapas das estações meteorológicas do INMET mostram os registros de temperaturas mínimas em 11/08/2025, com destaque para as áreas onde houve confirmação de geada. As regiões em preto indicam zonas cafeeiras em Minas Gerais.

Fonte: INMET.
A equipe da StoneX segue monitorando de perto a situação e enviará representantes às áreas afetadas para avaliação técnica. Novas atualizações serão disponibilizadas em breve no Portal de Inteligência de Mercado da StoneX. Vale destacar ainda que, mesmo em regiões onde não houve formação de geada, a exposição dos botões florais às temperaturas muito baixas pode comprometer o desenvolvimento da florada, impactando negativamente a próxima safra.
Outro ponto de atenção é o momento em que o fenômeno ocorreu. Assim como em 2024, este ano a geada também foi registrada na primeira quinzena de agosto, o que é atípico. Historicamente, a maior parte dos episódios de geada nas regiões cafeeiras ocorre durante o mês de julho. A presença desse fenômeno em agosto é considerada incomum e reforça o caráter de excepcionalidade do evento registrado neste ano.
Para os próximos dias, as previsões climáticas seguem indicando risco de novas quedas de temperatura. Os modelos sugerem que municípios do Cerrado Mineiro, do sul de Minas Gerais, do interior de São Paulo e do Paraná ainda poderão enfrentar temperaturas mínimas bastante baixas. Segundo o modelo europeu, cidades do Cerrado Mineiro podem registrar mínimas próximas de 8,5 graus Celsius. No sul de Minas, municípios como Alfenas podem alcançar mínimas de até 6,4 graus, enquanto na região da Alta Mogiana, no interior paulista, são esperadas temperaturas na casa dos 7 graus. Já no estado do Paraná, as mínimas podem chegar a 4 graus Celsius.
Apesar de as temperaturas previstas estarem, em teoria, acima do nível crítico para a formação de geadas, é importante lembrar que para a madrugada do dia 11 os modelos também indicavam valores semelhantes, e ainda assim a massa polar se apresentou com intensidade superior à prevista, resultando em quedas mais acentuadas nas temperaturas e na consequente formação de geadas em diversas localidades.
A equipe da StoneX permanece atenta a essa situação e dará continuidade ao monitoramento direto nas áreas produtoras para identificar possíveis impactos na produção. O objetivo é avaliar não apenas os danos imediatos nas lavouras, mas também os efeitos potenciais sobre a florada, cuja formação e desenvolvimento dependem de condições climáticas adequadas nas próximas semanas.
Na última semana, preços avançaram em meio à incerteza tarifária
Durante a semana anterior, os preços futuros do café já haviam apresentado forte valorização. Em Nova York, o contrato mais ativo acumulou ganhos de 2.490 pontos ao longo da semana, o que representa uma alta de 9%, encerrando o período cotado a US¢ 302,45 por libra-peso. Em Londres, os contratos subiram 251 dólares por tonelada, uma alta de 7,7%, fechando em US$ 3.510 por tonelada.
Esse movimento positivo também foi influenciado pela desvalorização do dólar frente ao real, que acumulou queda de 1,9% ao longo da semana, encerrando a sexta-feira cotado a R$ 5,43. No mercado físico brasileiro, os preços também avançaram, embora com menor intensidade. O indicador Cepea para o café arábica apresentou uma valorização de 2,4% na semana, aproximando-se de R$ 1.815 por saca. Já o indicador para o café robusta subiu 2,1%, alcançando pouco mais de R$ 1.051 por saca.
O cenário de incerteza com relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos segue sendo um dos principais fatores de tensão no mercado. Até o momento, o café permanece na lista de produtos sujeitos à sobretaxa de 50% anunciada pelo governo norte-americano. Além disso, fatores técnicos, como o período de rolagem de posições por parte dos fundos de índice, contribuíram para elevar a volatilidade nas bolsas internacionais.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.
Produção na Colômbia e exportações do Vietnã
No cenário internacional, os dados mais recentes mostram um avanço da produção na Colômbia e uma recuperação parcial nas exportações do Vietnã. De acordo com informações da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, a produção de café do país alcançou 1,37 milhão de sacas no mês de julho, o que representa um crescimento de 18% em relação ao mesmo mês do ano passado e um salto superior a 50% em comparação com o mês anterior, junho. No acumulado de janeiro a julho, a produção totalizou quase 7,6 milhões de sacas, refletindo um aumento de 8,7% frente ao mesmo período de 2024.
No Vietnã, os dados oficiais mostram que o país exportou 1,7 milhão de sacas de café em julho. Apesar de isso representar uma queda de 14% em relação ao mês anterior, houve um crescimento expressivo de 32,5% em comparação com julho de 2024. Ainda assim, o volume exportado está 17,9% abaixo da média dos últimos cinco anos para o mês de julho. No acumulado da safra 2024/25, entre outubro e julho, as exportações vietnamitas somaram 21,25 milhões de sacas, o que corresponde a uma queda de 4,5% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior.
Evolução das exportações de café do Vietnã: sazonal (à esquerda) e acumulado no ano-safra (à direita)

Fonte: Vietnam Customs. Elaboração StoneX.

Com relação à colheita brasileira, dados da StoneX indicam que até o dia 11 de agosto a colheita total no país alcançava 93,2%. A colheita do café robusta já está praticamente finalizada, com 99,5% concluída. No caso do arábica, os trabalhos avançaram para pouco mais de 89% do total estimado. Entre as principais regiões produtoras de arábica, destaca-se o Cerrado Mineiro, onde cerca de 85% da safra já foi colhida. Nas Matas de Minas e no sul do Espírito Santo, o percentual colhido já ultrapassa 95%.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
Perspectivas para as próximas semanas
Nas próximas semanas, o mercado continuará acompanhando com atenção o desenrolar dos efeitos causados pelas geadas registradas e as condições climáticas nas principais regiões produtoras. Para além das temperaturas mínimas observadas, será fundamental a ocorrência de chuvas regulares, condição essencial para o desenvolvimento adequado da florada.
O mercado também ficará atento à divulgação dos dados oficiais de exportação do Brasil pelo Cecafé, além de eventuais avanços nas negociações entre os governos brasileiro e norte-americano em torno das tarifas aplicadas às exportações de café com destino aos Estados Unidos.
TABELA DE INDICADORES
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.