Mercado de café mostra preços firmes exportações menores e clima como principal risco
• Nova Iorque e Londres registram fortes altas nos contratos de café
• Arábica no Brasil atinge R$ 2.323/saca e robusta R$ 1.534/saca
• Exportações brasileiras caem 42% em agosto, segundo dados preliminares
• Colheita do café no Brasil chega a 99,1% concluída
• Retorno do La Niña preocupa, com chuvas irregulares previstas
• Fundos ampliam posições compradas, reforçando apetite por café
• Pesquisa da Reuters aponta para superávit 1,45 milhão de sacas em 2025/26
Sem mudanças significativas no campo dos fundamentos, os preços futuros do café encerraram mais uma semana em alta. O conjunto de fatores altistas tem sustentado as cotações no mercado internacional. Entre eles, destacam-se os estoques globais historicamente baixos para o período, a queda na produção de arábica no Brasil e revisões para baixo nas estimativas de safra. A StoneX, por exemplo, reduziu sua previsão para a colheita brasileira de arábica em 2025/26, projetando agora uma queda de mais de 18% em comparação à estimativa anterior.
Outro fator importante foi a implementação das tarifas norte-americanas sobre as importações de café brasileiro, que exerceu pressão altista principalmente nas cotações de Nova Iorque. A ocorrência de uma geada nos dias 11 e 12 de agosto também trouxe preocupações, com perdas estimadas em cerca de 424 mil sacas no Cerrado Mineiro. Além do impacto imediato, ainda há risco de danos às gemas florais, o que só poderá ser confirmado após a abertura da florada. O início desse período para o arábica já acontece nas principais regiões produtoras, enquanto o robusta já apresentou uma florada significativa. No entanto, os modelos climáticos indicam condições incertas, aumentando a apreensão em relação à próxima safra.
No mercado internacional, os preços refletiram esse cenário de incerteza. Em agosto, o contrato mais líquido do café arábica em Nova Iorque acumulou alta superior a 39%, avançando 2,1% na última semana. Em Londres, o robusta registrou valorização de 47,7% no mês e 3,5% na última semana. No Brasil, segundo o indicador Cepea, o arábica subiu 31% em agosto e 4,2% na última semana, enquanto o robusta avançou 49% no mês e 5,6% na semana.
Os contratos encerraram a sexta-feira cotados em US¢ 386,1 por libra-peso em Nova Iorque e USD 4.815 por tonelada em Londres. No mercado interno, de acordo com o Cepea, o arábica foi negociado a R$ 2.323 por saca e o robusta a R$ 1.534 por saca. O câmbio, por sua vez, registrou queda de pouco mais de 2% em agosto, fechando a semana praticamente estável, na casa de R$ 5,43.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.
As exportações brasileiras sofreram queda expressiva no mês. Dados preliminares do Cecafé até 28 de agosto apontam pouco mais de 2 milhões de sacas de café cru embarcadas, o que representa retração de 42% frente ao mesmo período de 2024, quando foram exportadas 3,48 milhões de sacas. O robusta apresentou a maior queda, de 58%, totalizando 393 mil sacas, enquanto o arábica recuou 35%, para 1,64 milhão de sacas. O solúvel também caiu 41%, com 188 mil sacas. No total, as exportações devem fechar agosto em pouco mais de 2,22 milhões de sacas, uma retração de 42%. Esses números ainda são preliminares e podem ser revisados pelo Conselho nas próximas semanas, mas já indicam um fator relevante de impacto para o mercado.
Na fase de finalização da colheita no Brasil, o clima permanece como o principal ponto de atenção. De acordo com dados da StoneX, até 1º de setembro 99,1% da safra nacional já havia sido colhida, com a safra do café robusta concluída e 98,4% da safra de arábica colhida. Com isso, a safra está praticamente encerrada e as atenções se voltam totalmente para as condições climáticas.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
As projeções apontam para a possibilidade de retorno do fenômeno La Niña a partir de setembro, com probabilidade acima de 50% segundo o modelo NOAA. Embora os impactos não sejam lineares, nos últimos anos o fenômeno esteve associado ao atraso das chuvas e a problemas na florada do cafeeiro. Os modelos atuais indicam precipitações irregulares e abaixo da média em setembro, com chuvas mais consistentes apenas no final de outubro. Esse cenário aumenta o risco de novas perdas para a safra de 2026, que já sofreu impactos significativos com a recente geada.
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Outro destaque foi a movimentação dos fundos de investimento. Em Nova Iorque, os fundos de arábica, que haviam reduzido sua posição líquida comprada para 15 mil contratos em julho, voltaram a ampliar para cerca de 17 mil contratos. No início do ano, quando os preços atingiram máximas históricas, esse volume superava 50 mil contratos. Os fundos de índice também ampliaram suas posições, sinalizando maior apetite por parte dos investidores. Em Londres, a situação foi semelhante: de uma posição líquida vendida de quase 6 mil contratos, os fundos passaram a uma posição comprada de 5,5 mil, demonstrando mudança no direcionamento para o robusta.
Por fim, uma pesquisa da Reuters com agentes de mercado apontou que o balanço global de oferta e demanda em 2024/25 foi equilibrado, enquanto em 2025/26 há expectativa de superávit de 1,45 milhão de sacas. Na média das respostas, a produção brasileira em 2025/26 seria de 65 milhões de sacas, podendo alcançar 70 milhões em 2026/27. O Vietnã, por sua vez, deve se recuperar e produzir 31 milhões de sacas em 2025/26, alta superior a 10%. Quanto aos preços, os participantes projetam recuo até o final de 2025, com o arábica em Nova Iorque em torno de US¢ 330 por libra-peso, queda de quase 14,5%, e o robusta em Londres próximo a 3.500 dólares por tonelada, um recuo superior a 27%.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.