Futuros de café voltam a subir com preocupações climáticas no Vietnã
• Chuvas intensas ameaçam atrasar colheita vietnamita em novembro
• Nova Iorque e Londres registram fortes altas nos contratos futuros
• Café arábica valoriza 3,7% em outubro; robusta sobe 8,5%
• Safra brasileira de 2026 será fator decisivo para preços
• Exportações brasileiras caem 28% em outubro, segundo dados preliminares
Depois de recuar na última semana, os futuros de café voltaram a avançar, impulsionados pelas preocupações com o clima no Vietnã. O excesso de chuvas ameaça atrasar a colheita e provocar perdas em um momento crucial do calendário produtivo. Na semana anterior, os contratos haviam registrado quedas de 2,8% em Nova Iorque para março, encerrando a US¢ 372,25 por libra-peso, e de 0,4% em Londres para janeiro, fechando a USD 4.540 por tonelada.
O câmbio também se moveu pouco, com o dólar caindo 0,3% frente ao real e o dólar index avançando 0,8%. Já nesta semana, o movimento foi de forte recuperação. Na segunda-feira, 3 de novembro, Nova Iorque subiu 3,88%, para US¢ 386,7 por libra-peso, enquanto Londres avançou 3,37%, para USD 4.693 por tonelada. Nesta terça-feira, 4 de novembro, no momento em que este relatório foi escrito, o mercado seguia em alta, com Nova Iorque acumulando ganhos de 1,46%, a US¢ 392,55 por libra-peso, e Londres valorizando 1,04%, a USD 4.742 por tonelada.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.
Em outubro, o balanço mensal foi positivo. Nova Iorque acumulou valorização de 3,7% e Londres de 8,5%. No mercado interno brasileiro, o indicador Cepea do arábica subiu 3,72% e o do robusta 4,73%.
Entre os fundamentos, três fatores principais estão moldando o cenário. O primeiro são as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Apesar das tensões, a aproximação recente entre os dois governos trouxe alívio, alimentando expectativas de solução. Também pesa a deterioração das relações entre Estados Unidos e Colômbia, segundo maior fornecedor de café ao mercado americano. Em 2024, o Brasil respondeu por 35% das importações americanas e a Colômbia por 20%. Soma-se ainda a possibilidade de um acordo comercial entre Estados Unidos e Vietnã, que poderia eliminar a tarifa sobre o café vietnamita, aumentando a competitividade do robusta do país asiático.
O segundo fator é a safra brasileira de 2026. As floradas do arábica e do robusta já ocorreram, e o clima atual é determinante para definir o potencial produtivo. A equipe da StoneX está em campo levantando dados e deve divulgar na próxima semana sua primeira estimativa para a safra 2026/27.
O terceiro fator é o próprio Vietnã. O país é o segundo maior produtor mundial, e o USDA projeta uma recuperação de quase 7% na produção nesta temporada. A colheita deve começar neste mês, mas as chuvas intensas em algumas regiões acima de 600 milímetros nas últimas duas semanas geram risco de perdas e atrasos. A previsão aponta ainda para acumulados de até 200 milímetros nas próximas duas semanas, o que mantém o alerta elevado para possíveis impactos sobre a colheita.
Acumulado de chuva nos últimos 14 dias e previsão para os próximos 14 dias no Vietnã

Fonte: StoneX com dados do NOAA
Na última semana, Keurig Dr Pepper e Kraft Heinz divulgaram resultados contrastantes para o terceiro trimestre de 2025. A Keurig Dr Pepper apresentou forte desempenho, com alta de 10,7% nas vendas líquidas para US$ 4,3 bilhões, impulsionada pelo crescimento em bebidas refrescantes e pela aquisição da marca GHOST. O lucro líquido ajustado aumentou 6,5%, para US$ 738 milhões, e a empresa elevou sua projeção de crescimento anual de receita, mantendo a expectativa de lucro por ação em alta de um dígito.
Já a Kraft Heinz registrou queda de 2,3% nas vendas líquidas, para US$ 6,2 bilhões, refletindo principalmente a redução nos volumes de café, além de recuos em frios, lanches congelados e condimentos. As vendas orgânicas diminuíram 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, com os preços subindo 1% em média, impulsionados por reajustes aplicados para compensar custos mais altos, especialmente no segmento de café. O desempenho mais fraco em café foi um dos principais fatores que contribuíram para a contração do volume total de vendas, especialmente nos mercados da América do Norte e em regiões desenvolvidas internacionais. A empresa revisou para baixo sua projeção de vendas e margens para 2025, mas espera melhora no fluxo de caixa livre e mantém o plano de se dividir em duas companhias no segundo semestre de 2026.
Nos próximos dias, o mercado acompanhará de perto os relatórios climáticos, o andamento da colheita vietnamita, as estimativas da safra brasileira e os dados de exportação do Cecafé referentes a outubro. Até a quarta semana do mês, o Brasil havia exportado 3,3 milhões de sacas, volume 28% menor que o do mesmo período de 2023, segundo dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior. A divulgação completa desses números deve ser um dos principais eventos de curto prazo para o mercado de café. Além disso, o avanço da colheita na América Central e na Colômbia tende a aumentar gradualmente a oferta de café arábica.
Calendário de safra do café

Fonte: StoneX
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.