Nesta segunda-feira, enquanto este relatório estava sendo redigido, o mercado apresentava comportamento misto. O contrato de março em Nova Iorque registrava queda de 0,6%, enquanto o contrato mais ativo em Londres avançava 4,4%. Esse movimento reflete as incertezas em torno da política tarifária dos Estados Unidos, que seguem no centro das atenções do mercado. Os agentes ainda analisam o alcance das mudanças anunciadas pelo governo americano, ao mesmo tempo em que monitoram a evolução da colheita no Vietnã e as condições da safra no Brasil.
Na semana anterior, os preços futuros do café recuaram diante de um cenário dominado pelas discussões sobre tarifas e pela possibilidade de alterações na política comercial dos Estados Unidos. A expectativa de redução das tarifas, confirmada parcialmente na sexta-feira, intensificou a volatilidade e gerou correções de baixa nas cotações. Em paralelo, as estimativas preliminares de safra também contribuíram para o sentimento de ajuste.
Em Nova Iorque, o contrato de março do café arábica encerrou a semana com queda de 3,1%, equivalente a 1185 pontos, fechando a US¢ 374 por libra-peso. Em Londres, o Robusta registrou recuo mais acentuado, de 9,1%, terminando a USD 4.223 por tonelada. A pressão sobre o Robusta esteve relacionada tanto à política comercial quanto ao início da colheita no Vietnã, maior produtor mundial dessa variedade. No mercado interno brasileiro, o indicador Cepea para o arábica caiu 3,8%, encerrando a R$ 2.204,71 por saca, enquanto o robusta recuou 6,6%, cotado a R$ 1.316,18 por saca.
Em outubro, o balanço mensal foi positivo. Nova Iorque acumulou valorização de 3,7% e Londres de 8,5%. No mercado interno brasileiro, o indicador Cepea do arábica subiu 3,72% e o do robusta 4,73%.
O principal fator de influência sobre o mercado na última semana foi a indefinição em torno das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao café brasileiro. O secretário americano Bessent havia antecipado a intenção de eliminar tarifas sobre produtos não produzidos domesticamente, incluindo o café, o que gerou expectativa de alívio para as exportações brasileiras. Entretanto, o comunicado oficial divulgado posteriormente mencionou apenas a revogação da medida de abril, que havia imposto tarifa de 10% sobre o café brasileiro, sem esclarecer a situação da tarifa adicional de 40% estabelecida em agosto.
De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) e com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a mudança valeria apenas para os 10% iniciais, mantendo-se a cobrança de 40%. Essa falta de clareza mantém o mercado em alerta, uma vez que a retirada completa das tarifas teria efeito baixista sobre as cotações, enquanto a manutenção parcial tende a sustentar os preços em Nova Iorque. O tema continua sendo o principal vetor de volatilidade.
Apesar de as tarifas terem dominado o noticiário, a semana também trouxe informações relevantes sobre produção. A StoneX divulgou sua primeira estimativa para a safra brasileira de 2026/27, projetando aumento de 13,5% na produção total, que deve atingir 70,7 milhões de sacas. O arábica deve crescer 29,3%, chegando a 47,2 milhões de sacas, enquanto o robusta tende a recuar 8,9%, para 23,5 milhões de sacas. A queda do robusta decorre do esgotamento das plantas após a forte safra de 2025. A StoneX realizará nova pesquisa de campo entre janeiro e março, podendo revisar suas projeções.
Pesquisa de Safra de Café no Brasil | 1ª Estimativa para 2026/27
Na Colômbia, a produção de outubro somou 1,2 milhão de sacas, queda de 10% em relação ao mesmo mês de 2024, mas alta de 5,7% frente a setembro. Os estoques colombianos cresceram 16% sobre o mês anterior, atingindo 1,154 milhão de sacas. Já no Brasil, o Cecafé informou que as exportações totalizaram 4,14 milhões de sacas em outubro, retração de 20% em relação a 2024. Embora o volume exportado tenha diminuído, a receita aumentou 7,8%, alcançando R$ 8,9 bilhões. As exportações de robusta caíram 52%, para 446,6 mil sacas, e as de arábica recuaram 12,9%, somando 3,38 milhões de sacas. As vendas de café industrializado também diminuíram 14,4%, para 309,4 mil sacas. As exportações para os Estados Unidos recuaram 54,4%, e para a Alemanha, 54,9%, enquanto aumentaram para Itália (14,8%), Japão (47%), China (176,4%) e Colômbia (308,4%).
Exportações brasileiras de café cru (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
O mercado permanece altamente sensível às decisões sobre tarifas, mas acompanha também o andamento da colheita no Vietnã, segundo maior produtor mundial de café e principal fornecedor de robusta. Após registrar chuvas intensas nas últimas semanas, com acumulados de até 600 milímetros em 15 dias, as precipitações diminuíram para cerca de 200 milímetros nos últimos 14 dias. As previsões indicam novos volumes que podem chegar a 300 milímetros nas próximas duas semanas nas regiões cafeicultoras. O acompanhamento dessa colheita é essencial, pois o país desempenha papel fundamental no equilíbrio global da oferta. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta um aumento de aproximadamente 7% na produção vietnamita nesta temporada, reforçando o potencial de recuperação após anos de impacto climático.
Assim, o mercado de café segue volátil, refletindo a combinação de fatores políticos, produtivos e climáticos. As incertezas sobre as tarifas permanecem como o principal foco, enquanto os agentes monitoram de perto a evolução da safra no Brasil e o progresso da colheita no Vietnã.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.