Os preços futuros de café encerraram a última semana em queda e iniciaram a atual também em baixa tanto em Nova Iorque quanto em Londres. No campo dos fundamentos não houve mudanças relevantes e o comportamento do mercado refletiu principalmente a atuação de agentes especulativos de curto prazo, além da influência dos relatórios divulgados pelo USDA para os principais países produtores. Na semana passada, o contrato de arábica para março na bolsa de Nova Iorque recuou 1,7% e fechou a US¢ 374,85 por libra peso. Em Londres, o contrato mais negociado, também com vencimento em março, apresentou queda de 5,3% e encerrou cotado a USD 4.178 por tonelada.
A pressão mais intensa sobre os preços do robusta em Londres está associada à expectativa de melhora nas condições climáticas no Vietnã. O país enfrentou volumes excessivos de chuva nas últimas semanas, o que gerou problemas de pós-colheita, perda de qualidade, atrasos na colheita e desafios logísticos. Os modelos climáticos já indicam uma normalização das precipitações nas próximas semanas, o que tende a aliviar parte das preocupações. Ao mesmo tempo, a valorização do dólar também impactou os preços internacionais. A moeda norte-americana subiu 1,9% na última semana e fechou cotada a R$ 5,44.
No início desta semana, o contrato de arábica em Nova Iorque registrava nova queda de 2,53% e era negociado a US¢ 365,15 por libra peso no momento da redação deste relatório. Em Londres, o vencimento de março caía 2% e estava cotado a USD 4.094 por tonelada. No mercado físico brasileiro, os preços também recuaram. O indicador CEPEA para o arábica caiu 1,6% e atingiu R$ 2.217 por saca. O indicador para o robusta recuou 2,3% e ficou em R$ 1.372,42 por saca.
Na última semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatórios atualizados sobre a produção de café em alguns dos principais países produtores. Os documentos revisam as estimativas feitas em junho para a safra 2025/26. A projeção para 2026/27 será divulgada apenas no próximo ano. Foram atualizados os relatórios referentes ao Brasil, Vietnã, Colômbia, Indonésia e Índia. O órgão reduziu sua estimativa de produção para o Brasil em 2025 devido aos impactos das condições climáticas adversas. Para o Vietnã houve uma leve redução nas projeções, embora ainda exista expectativa de crescimento de 6,2 por cento em relação ao ano anterior. As estimativas para Colômbia e Indonésia foram revisadas para cima e a produção estimada para a Índia permaneceu estável.
Somando esses países, a estimativa anterior de 125,8 milhões de sacas foi ajustada para 126,1 milhões, avanço de 0,2%. No balanço anual, o número representa crescimento de 0,3% frente a 2024. Para as exportações, o departamento projeta 95,5 milhões de sacas, leve aumento de 0,5% em relação à estimativa anterior, mas queda de 1,4% quando comparado ao volume exportado na temporada anterior.
Resumo das estimativas do USDA

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Ao longo desta semana, o mercado acompanhará com atenção a divulgação dos dados de exportação do Cecafé. Esse acompanhamento ocorre em meio à recente retirada das tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações provenientes do Brasil. As condições climáticas no Vietnã e no Brasil e o andamento da colheita no país asiático também continuarão no foco dos agentes de mercado.
Chuvas extremas no Vietnã causam devastação, recordes de precipitação e impactos diretos nas regiões cafeeiras
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) reportou que diversos países asiáticos têm enfrentado devastação nas últimas semanas devido às chuvas excepcionais. No Vietnã, desde o mês de outubro, uma sequência de eventos extremos de precipitação vem afetando diferentes regiões do país. Na primeira semana de dezembro, os impactos da tempestade Koto, que anteriormente atingiu as Filipinas, somados à atuação de uma frente fria, resultaram em novos episódios de chuva intensa, especialmente na porção centro-sul do território vietnamita.
A OMM destaca que, no final de outubro, uma estação meteorológica na cidade de Hue, no centro do Vietnã, registrou 1.739,6 mm de precipitação em 24 horas, um novo recorde nacional ainda em avaliação formal pelo comitê de extremos da OMM. Caso confirmado, esse valor poderá se tornar o segundo maior registro de precipitação em 24 horas no Hemisfério Norte e na Ásia, ficando muito próximo do recorde mundial de 1.825 mm.
Entre 15 e 21 de novembro, fortes perturbações de leste combinadas com ar frio intensificado provocaram chuvas generalizadas com acumulados variando entre 400 e 700 mm, com algumas localidades ultrapassando 1.000 mm. A província de Dak Lak, uma das maiores regiões produtoras de café robusta do Vietnã, registrou entre 700 e 900 mm, com áreas localizadas superando 1.200 mm.
Na Figura A, observa-se que a província de Dak Lak, principal polo do planalto central, apresentou acumulados classificados entre chuva muito forte (roxo) e chuva forte (vermelho). A segunda maior área produtora, Lam Dong, registrou valores entre chuva forte (vermelho) e chuva moderada (amarelo), enquanto Dak Nong apresentou precipitações variando entre chuva moderada e chuva fraca (verde).
As consequências têm sido severas: centenas de milhões de dólares em prejuízos, sobretudo no setor agrícola, além da inundação de sítios históricos, destinos turísticos e impactos significativos na infraestrutura. A OMM relata ainda quase 100 mortes associadas aos eventos extremos de chuva e inundação somente no Vietnã.
A previsão para os próximos 15 dias indica que o acumulado de chuva para os três principais polos cafeeiros deverá ficar abaixo da média climatológica, cerca de 50 mm inferior ao esperado para este período do ano (Figura B). Isso significa que podem ocorrer chuvas fracas, mas a tendência é de condições mais estáveis, favorecendo a drenagem do solo, a retomada da colheita nas áreas não afetadas e a realização de reparos na infraestrutura agrícola e de transporte.
(A) Registro de precipitação acumulada no período de 15 a 22 de novembro de 2025, monitorado pelo Centro Nacional de Meteorologia e Previsão do Vietnã (VNMHA); (B) Previsão de precipitação acumulada para os próximos 15 dias (8–22 de dezembro).

Fonte: OMM e CHIRPS.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.