Café segue pressionado por avanço da colheita no Vietnã e clima favorável
• Robusta cai mais que arábica devido ao Vietnã e ao clima
• Mercado inicia a semana em queda em Nova Iorque e Londres
• Robusta doméstico acompanha movimento externo e recua
• Colheita no Vietnã acelera após melhora climática
• Fundos reduzem posições compradas no robusta em Londres
• Condições climáticas brasileiras sustentam expectativas positivas para 2026
• Exportações brasileiras de café caem 26,7% em novembro
Após o recuo observado na última semana, os preços futuros de café iniciaram esta segunda-feira em queda, influenciados pelo avanço da colheita no Vietnã, pelo avanço da colheita nos países da América Central e pelas perspectivas positivas para o desenvolvimento da safra no Brasil. Na última semana, os preços futuros de café apresentaram movimento negativo, com o contrato mais ativo em Nova Iorque para vencimento em março registrando queda semanal de 1,5% e encerrando a sexta-feira cotado a US¢ 369,30 por libra peso. No caso do café robusta, o contrato mais ativo com vencimento em março também recuou no mercado de Londres, apresentando queda de 4,3% e sendo negociado a USD 3.999 por tonelada. A intensidade maior da queda no robusta reflete o avanço da colheita no Vietnã e a melhora nas condições climáticas do país.
Nesta segunda-feira (15), o mercado mantém a trajetória negativa. No momento da elaboração deste relatório, o contrato de março em Nova Iorque apresentava queda de 2,44%, negociado ao redor de US¢ 360,30 por libra peso. Em Londres, o contrato mais ativo registrava queda de 1,88%, cotado a USD 3.924 por tonelada. A dinâmica observada segue alinhada ao avanço da colheita no Vietnã, nos países da América Central e na Colômbia, além das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da safra no Brasil.
No mercado doméstico brasileiro, o comportamento foi distinto. Apesar do recuo de 0,4% no dólar, que encerrou a semana cotado a R$ 5,42, o indicador Cepea para o café arábica apresentou alta de 1,7%, alcançando R$ 2.253,93 por saca. Já o indicador Cepea para o café robusta acompanhou parcialmente o movimento externo, registrando queda de 2,9% para R$ 1.332,56 por saca.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.
Do ponto de vista fundamental, o cenário permanece sem grandes alterações. O principal fator que influencia o mercado no momento é o avanço da colheita no Vietnã. O país passou por condições climáticas adversas nas semanas anteriores, com chuvas excessivas que geraram atrasos e algumas perdas. As perdas não foram substanciais e o impacto principal ocorreu sobre o ritmo da colheita e a qualidade do café. Com a melhora do clima, a colheita avança e a expectativa é de aumento da disponibilidade de café vietnamitas nos próximos meses. Nos países da América Central e na Colômbia, também há maior atividade de colheita.
Calendário de safra de café nos países produtores

Fonte: StoneX.
No mercado do robusta, destaca-se que fundos reduziram parte de suas posições compradas em Londres, saindo de 17.337 contratos líquidos comprados em 2 de dezembro para 12.571 contratos, redução de 27,7%.
As condições climáticas no Brasil seguem favoráveis, o que sustenta expectativas positivas para o avanço da produção na temporada 2026. A StoneX divulgou em novembro estimativa preliminar de produção de 70,7 milhões de sacas para 2026/27, aumento de 13,5%, sujeito ainda a eventuais alterações decorrentes de variações climáticas.
Nas próximas semanas, o foco do mercado permanecerá sobre o avanço da colheita no Vietnã e nos países da América Central, além da evolução do clima no Brasil. Qualquer adversidade climática poderá impactar o potencial da safra 2026 e alterar as dinâmicas de preços.
Outro tema relevante é o restabelecimento das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Embora as tarifas para o café cru tenham sido retiradas, permanecem válidas para o café solúvel, o que mantém efeitos sobre o ritmo de exportações. Será igualmente importante a divulgação do relatório global do USDA “Coffee: World Markets and Trade”, prevista para 18 de dezembro. O relatório trará atualizações sobre a perspectiva de produção e consumo para 2025/26. As estimativas para a safra de 2026 serão divulgadas apenas em junho de 2026.
Exportações brasileiras de café recuaram 26,7% em novembro
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou na última semana os dados referentes às exportações brasileiras de café em novembro. Segundo o relatório, as exportações totais somaram 3,58 milhões de sacas, queda de 26,7% em relação a novembro de 2024. As exportações de café verde totalizaram 3,28 milhões de sacas, queda de 27,1%, com destaque para o robusta, que apresentou recuo de 67,9% e totalizou 259,3 mil sacas. As exportações de arábica caíram 18,3% para pouco mais de 3 milhões de sacas. O café industrializado também apresentou retração de 21,6%, somando 297,1 mil sacas.
Exportações brasileiras de café cru (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
A queda das exportações de arábica reflete a menor produção brasileira na temporada e a forte queda do robusta resulta de diferenciais mais elevados e da melhora na competitividade do café asiático. O recuo também é reflexo das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Sobre o café solúvel, mesmo com a retirada das tarifas incidentes sobre o café cru, o produto industrializado permanece sujeito à taxação, o que continua restringindo o desempenho das exportações. As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 62,7% em novembro, totalizando 330,7 mil sacas. A Alemanha manteve a liderança como principal destino, recebendo 681,16 mil sacas, aumento de quase 28% no comparativo anual.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.