Nessa segunda-feira (26), os preços internacionais iniciam em alta, com o contrato de vencimento mais próximo do café arábica avançando para US¢ 354,5/lb (+1,0%), enquanto o café robusta sobe para USD 4.050/t (+0,10%).
Impactos do câmbio nos preços do café e perspectivas para a semana
Os preços internacionais do café na semana passada foram significativamente influenciados pela valorização do real, que avançou cerca de 1,6% frente ao dólar ao longo do período.
- Nas últimas semanas, o comportamento do câmbio tem sido dominado por um movimento global de enfraquecimento do dólar, que perdeu valor frente à maior parte das moedas internacionais.
Por que isso é importante: A valorização do real afeta diretamente a dinâmica dos preços internacionais do café por dois canais principais: a formação de preços na bolsa e as decisões de comercialização dos produtores brasileiros.
- Como o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, o café negociado nas bolsas internacionais tem, em grande medida, origem em custos denominados em reais. Assim, quando o real se valoriza frente ao dólar, o café brasileiro se torna mais caro em termos de dólar, elevando diretamente o preço de referência nos mercados futuros.
- Além desse efeito de precificação, um real mais forte também tende a reduzir a atratividade das exportações do ponto de vista do produtor. As receitas externas, ao serem convertidas para a moeda local, passam a render menos, o que leva muitos agentes a reduzir o ritmo de vendas externas, postergar embarques, direcionar parte da produção ao mercado doméstico ou reter estoques à espera de um câmbio mais favorável.
Por que o real brasileiro tem se valorizado?: O bom desempenho do real desde o início de 2025 está mais associado ao enfraquecimento do dólar do que a uma melhora específica nos fundamentos da economia brasileira.
- Observa‑se um movimento de diversificação global de portfólios, com redução da exposição a ativos norte‑americanos, em meio a um ambiente de maior incerteza na política comercial e externa dos Estados Unidos.
- Esse contexto tem favorecido simultaneamente ativos que normalmente não se movem na mesma direção, como instrumentos considerados de proteção, a exemplo do ouro, moedas de países desenvolvidos e ativos tipicamente mais sensíveis ao risco, como commodities, ações e moedas de economias emergentes, entre elas, o real.
- Na semana passada, em especial, novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, relacionadas à imposição de tarifas adicionais a países contrários à anexação da Groenlândia contribuíram para um movimento mais intenso de saída de capitais de ativos norte‑americanos, reforçando a valorização do real e de ativos considerados defensivos.
Expectativas para o câmbio na semana: A semana reserva eventos importantes para o mercado cambial, com destaque para as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, ambas previstas para a próxima quarta‑feira (28), além da divulgação de indicadores de inflação no Brasil e de atividade econômica nas duas economias.
- Adicionalmente, o mercado seguirá atento a novos desdobramentos no cenário geopolítico global, com tensões ainda presentes entre os Estados Unidos, seus parceiros comerciais e rivais estratégicos.
Café arábica (KCc1) vs. USDBRL

Fonte: StoneX CmdtyView. Elaboração: StoneX.
Café robusta (LRCc1) vs. USDBRL

Fonte: StoneX CmdtyView. Elaboração: StoneX.
Perspectiva climática no Brasil
Curto prazo:
As previsões de curto prazo seguem positivas para grande parte do cinturão do Brasil, principalmente para áreas de café arábica, com a previsão de anomalia apontando para chuvas acima da média na maior parte das regiões produtoras, com destaque para as áreas do Cerrado e Sul de Minas.
Por que isso é importante: Com a finalização da expansão dos frutos, o período atual é de granação. Nesse sentido, boas chuvas garantem o bom desenvolvimento que resultará em um bom rendimento no período de colheita. A manutenção de um clima positivo tende a favorecer a perspectiva de uma safra recorde estimada pela StoneX em novembro, o que pode adicionar pressão baixista sobre as cotações nas próximas semanas.
Próximos meses:
O último Boletim Semanal de Tempo e Clima trouxe uma análise aprofundada sobre as perspectivas para os próximos meses no Brasil. Fevereiro e março terão elevada importância para garantir o estoque de água no solo necessário para o desenvolvimento final das safras de café, para o período mais seco, ao passo que a partir de abril, os volumes já devem ser mais secos.
Principais pontos de atenção: Algumas regiões que necessitam de atenção são as áreas das Matas de Minas e do Sul do Espírito Santo e parte do Cerrado são as que apresentam o maior risco de que registrar chuvas abaixo do padrão histórico entre fevereiro e maio.
Essa informação é relevada pelo indicador de classe hidroclimática, combina volume absoluto de chuva prevista e anomalia de precipitação para o período dos próximos 4 meses.
Indicador de classe hidroclimática
Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
A classificação do indicador segue da seguinte forma:
- Déficit hídrico potencial: anomalia negativa relevante + acumulado abaixo do padrão, com maior risco de estresse hídrico.
- Excesso hídrico potencial: anomalia positiva relevante + acumulado elevado.
- Neutro: sinais fracos ou compensados entre volume e anomalia.
Todavia, vale destacar que, de maneira geral, o panorama no país segue positivo, sendo as áreas de café citadas as que requerem maior atenção, especialmente caso as chuvas esperadas não se concretizem.
Para essa semana
Brasil: Do ponto de vista dos fundamentos, os participantes do mercado devem permanecer atentos, nesta semana, aos sinais oriundos da produção brasileira, com ênfase nas condições climáticas durante o período de desenvolvimento dos grãos da safra 2026/27. Esse estágio é particularmente relevante para a definição do potencial produtivo, o que mantém o clima como um dos principais vetores de risco para a formação dos preços.
- Com a aproximação do início da colheita, cresce entre os agentes de mercado a percepção de uma recuperação mais significativa da produção brasileira, movimento que vem sendo corroborado por relatórios recentes de estimativas de safra.
- Segundo projeções da StoneX, divulgadas já em novembro de 2025, a produção brasileira pode registrar alta próxima de 13,5%, alcançando cerca de 70,7 milhões de sacas na safra 2026/27, o que reforça as expectativas de maior disponibilidade global.
Vietnã: Outro ponto de atenção relevante diz respeito às notícias de desaceleração no ritmo de comercialização do Vietnã na última semana, fator que, conforme discutido anteriormente, contribuem para a sustentação dos preços do Robusta. Contudo, diante da expectativa de uma safra mais robusta no país, a avaliação predominante é de que esse arrefecimento nas vendas tende a ser temporário, com volumes mais expressivos podendo voltar a serem registrados em breve.
- Além disso, vale lembrar o padrão histórico de intensificação das vendas vietnamitas que costuma anteceder o principal feriado do país, marcado para 14 de fevereiro.
- Esse movimento sazonal tende a aumentar a oferta disponível no curto prazo e pode exercer pressão baixista sobre os preços internacionais do Robusta.
- Nesse sentido, sinais iniciais dessa dinâmica podem começar a se materializar nas próximas semanas, mantendo o mercado sensível a qualquer indicação de retomada mais forte dos embarques.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.