Influenciados por cenário macro e fatores técnicos, futuros de café recuam na semana
- Altista
- Fortalecimento do real brasileiro frente ao dólar americano;
- Estoques certificados em níveis baixos na bolsa de Nova Iorque;
- Starbucks indica resiliência do mercado consumidor nos resultados do 4º trimestre de 2025.
- Baixista
- Previsão climática aponta para volumes de chuva acima da média no cinturão cafeeiro do Brasil nos próximos 14 dias;
- Recuperação do dollar index pressionando complexo de commodities;
- ABIC confirma consumo total mais fraco no Brasil em 2025;
- Região de Sumatra na Indonésia reporta forte alta nas exportações de café em dezembro.
Café arábica registrou as quedas mais intensas
Café arábica: A última semana foi de desvalorização significativa para os futuros de café arábica. Após dois pregões de alta na segunda e terça‑feira — ainda impulsionados pela forte recuperação do real frente ao dólar, que atingiu seus maiores níveis desde maio de 2024 — as cotações passaram a registrar três sessões consecutivas de queda acentuada. No balanço semanal, o contrato de março encerrou negociado a US¢ 338,25/lb, retração de 5,3%.
- A intensidade desse movimento parece estar ligada a fatores técnicos e ao ambiente macroeconômico global, representado pelo comportamento do dólar americano no índice Dollar Index. Esse índice mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas de economias avançadas, oferecendo um indicador da tendência global da moeda.
- Após recuar para seu menor nível desde maio de 2022, o Dollar Index iniciou uma trajetória de recuperação, acompanhada por uma queda generalizada das commodities. Historicamente, o índice apresenta correlação inversa com o complexo de commodities; assim, a valorização do dólar contribuiu para pressionar preços de forma ampla.
- Esse fator, somado ao contexto fundamental majoritariamente baixista para o café — como clima favorável no Brasil e avanço da colheita na América Central — favoreceu uma liquidação mais intensa por parte dos fundos especulativos. Esse movimento deve ser refletido no relatório da CFTC a ser divulgado na próxima sexta‑feira (6).
Café robusta: As cotações do café robusta também encerraram a semana em leve queda, de 0,7%, com o contrato de março ajustado a USD 4.113/t. Apesar da desvalorização semanal, o comportamento foi semelhante ao observado em Nova York: alta até terça‑feira, alcançando os maiores níveis em cerca de um mês e meio, seguida de forte liquidação principalmente na quarta‑feira.
- O mesmo ambiente macroeconômico citado acima, combinado com as quedas do café arábica, contribuiu para o movimento baixista — especialmente considerando o avanço expressivo dos preços do robusta nas semanas anteriores.
- Ao mesmo tempo, relatos de que produtores vietnamitas teriam interrompido a retenção de mercadoria ganharam força, sugerindo que o mercado físico local pode estar ganhando maior tração nas negociações.
Mercado físico brasileiro: O Indicador CEPEA também mostrou retração nos preços no Brasil, todavia, com mais intensidade para o café robusta, que recuou 5,8% para encerrar o período cotado a R$ 1212/saca. Enquanto isso, o café arábica fechou a semana em R$ 2094,55/saca, retração de 1,9%.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

Fonte: ICE. Elaboração: StoneX.
Nessa segunda-feira (2): O contrato mais próximo do café arábica buscou alguma correção na bolsa de Nova Iorque, encerrando o pregão cotado a US¢ 333,25/lb, alta de 0,3%. Depois da forte liquidação da semana passada, o mercado deve procurar um novo patamar de equilíbrio, enquanto segue acompanhando os indicadores de fundamentos.
O café robusta, por sua vez, estendeu a trajetória baixista e terminou cotado a USD 4.029/t, queda diária de 2,0%. Dados divulgados pela Indonésia nessa segunda-feira, indicando um avanço de 52% nas exportações de dezembro da região de Sumatra, voltaram a reforçar a percepção de oferta elevada entre os produtores asiáticos.
ABIC informa queda no consumo de café em 2025
A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) informou na última semana os dados consolidados do consumo de café no Brasil.
- O resultado consolidou o pior consumo dos últimos três anos, totalizando 21,4 milhões de sacas de volume total e 6,02 kg per capita. Os resultados representam quedas anuais de 2,3% e de 3,8% em relação a 2024.
- O desempenho mais fraco em 2025 já vinha sendo sinalizado pelos dados parciais divulgados pela ABIC ao longo do ano e pela inflação elevada no Brasil, que chegou a atingir máxima de 82% em maio.
Por que isso é importante: O resultado reforça a visão da StoneX de que, apesar da produção mais fraca em 2025, o consumo também em retração em diversas regiões, principalmente em Brasil, Japão e Europa, contribuiu para um balanço global de oferta e demanda levemente superavitário.
- Esse cenário, ainda que não elimine a situação de estoques reduzidos, contribui para que o mercado entre em 2026 com uma situação menos crítica que a observada no início de 2025. Junto disso, caso as expectativas de safras maiores na maior parte dos países se concretizem, esse ano pode verificar uma nova evolução dos estoques, trazendo mais um alívio na relação estoque/uso, o que, de maneira geral, pode favorecer em preços médios mais baixos em relação ao ano passado.
Consumo anual total e per capita de café do Brasil
Fonte: ABIC. Elaboração: StoneX.
Starbucks apresenta resultado positivo no 4ºtri de 2025
Na última quarta-feira, dia 28, o mercado reagiu à divulgação dos resultados financeiros trimestrais da Starbucks, que voltaram a sinalizar resiliência do consumo global de café.
- O relatório indica que tanto o consumo quanto as vendas cresceram nos Estados Unidos e no agregado internacional, mesmo em um ambiente de margens operacionais pressionadas por custos elevados do café e de outros insumos.
Por que isso é importante: Os resultados da Starbucks tendem a ser utilizados como importante indicador da demanda por bebidas à base de café no mundo.
- A companhia opera 41.118 lojas e está presente em aproximadamente 80 países, o que confere elevada representatividade aos seus dados operacionais.
- Quando o relatório aponta aumento no volume de transações ao mesmo tempo em que a empresa reporta pressão relevante de custos, especialmente relacionada ao café, isso sugere um cenário de demanda resiliente.
- Esse quadro, por sua vez, tende a reforçar a visão de maior pressão sobre estoques e a sustentar pressões altistas sobre os preços internacionais do café.
Em detalhes: No trimestre, as vendas comparáveis globais avançaram 4%, resultado impulsionado por crescimento de 3% no número de transações e de 1% no ticket médio.
- O relatório também destaca a expansão das transações comparáveis nos Estados Unidos pela primeira vez em oito trimestres, sinalizando recuperação do fluxo de clientes no principal mercado da companhia.
- Ao mesmo tempo, a Starbucks reportou contração da margem operacional em base GAAP, atribuída principalmente a maiores investimentos em mão de obra e a pressões inflacionárias, amplamente associadas aos preços elevados do café e à incidência de tarifas.
- No campo operacional, a empresa teve uma abertura líquida de 128 lojas no trimestre, encerrando o período com um total de 41.118 unidades, o que reforça a continuidade da estratégia de expansão.
Perspectivas: Para o atual ciclo fiscal, a Starbucks projeta a abertura líquida de 600 a 650 novas lojas ao longo do ano.
- Esse plano indica a manutenção do crescimento físico da rede e, por consequência, a sustentação da demanda estrutural por café para abastecimento de suas operações.
- O texto também sugere alguma expectativa de amenização dos custos relacionados a insumos, especialmente diante da retirada das tarifas de importação do governo americano impostas ao Brasil.
Margem operacional da Starbucks – acumulado dos últimos 12 meses (%)

Fonte: Starbucks. Elaboração: StoneX.*eixo X: trimestral.
Crescimento trimestral de receita da Starbucks - ano a ano (%)

Fonte: Starbucks. Elaboração: StoneX. *eixo X: trimestral.
Perspectiva climática no Brasil
As condições climáticas no Brasil seguem exercendo papel relevante na amenização dos riscos associados à oferta global de café.
- A ocorrência de volumes de chuva acima da média na maior parte das principais regiões produtoras, aliada à expectativa de manutenção desse padrão nas próximas semanas, contribui para reduzir as preocupações relacionadas a eventuais riscos produtivos.
- Ainda assim, diante do forte acúmulo de precipitações, participantes do mercado monitoram potenciais pontos de estresse decorrentes do excesso de chuvas.
- Nesse âmbito, algumas regiões do Espírito Santo e da Zona da Mata registraram volumes significativamente acima da média histórica, o que permanece como fator de atenção no curto prazo.
- Por outro lado, importantes áreas produtoras como Sul de Minas, Cerrado e Mogiana seguem apresentando perspectivas climáticas favoráveis, sem indícios relevantes de comprometimento produtivo.
- Do ponto de vista das temperaturas, conforme indicado no mais recente relatório semanal de clima da StoneX, fevereiro pode registrar anomalias pontuais acima da média em regiões como Sul de Minas e Mogiana. Ainda assim, a sinalização é de normalização ao longo dos meses subsequentes, o que tende a limitar o potencial de impactos relevantes sobre a produção.
Previsão de anomalia de chuva para os próximos 14 dias (02 a 16 de fevereiro)
Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.