
USDA aumenta estimativa de produção de milho, mas mercado ainda fecha semana em alta
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações fortalecidas nos Estados Unidos;
- Comercialização brasileira lenta e consumo doméstico aquecido.
- Bearish
- Encerramento da colheita do milho safrinha no Brasil;
- Safra recorde nos Estados Unidos;
- Incerteza tarifária.
CBOT | Os preços do milho CBOT operaram em alta por boa parte da semana passada, enquanto o mercado aguardava a publicação da nova estimativa de oferta & demanda (WASDE) do USDA. Por mais que o relatório tenha trazido um aumento do tamanho da safra de milho nos Estados Unidos, o mercado encerrou a semana em alta, com o vencimento de dezembro/25 encerrando a sexta-feira a US¢430,00/bu (+2,9%).
As expectativas do mercado eram de um recuo na produção, puxado por uma revisão negativa para a produtividade. A produtividade menor, como esperado, veio, mas foi mais do que superada por uma revisão positiva para a área plantada do cereal no país, que foi suficiente para reforçar o cenário de produção recorde, com expectativa de colheita de 427,1 milhões de toneladas de milho no país neste ano.
Além disso, observou-se também uma revisão positiva para as exportações 2025/26, estimada agora em 75,6 milhões de toneladas. Apesar de ainda bastante no início, o programa de exportações de milho norte-americano está bastante fortalecido, justificando essa revisão.
No total, o resultado apontou para uma leve contração dos estoques finais, apesar da alta da produção, o que justifica parte do movimento de alta que se manifestou durante o pregão da última sexta-feira.
Outro fator que ajuda a explicar esse movimento pode ser atribuído a uma cobertura de posições vendidas operada pelos fundos. As estimativas da StoneX apontam que devemos ter visto uma redução próxima de 17 mil contratos da posição liquidamente vendida dos especuladores na sessão de sexta-feira. Esse movimento provavelmente se associa à ideia de que não veremos, nos futuros relatórios de Oferta & Demanda, produções maiores do que a apresentada semana passada, principalmente com o desenvolvimento de doenças e clima menos favorável em diversas regiões do país no mês de agosto, o que pode significar revisões ainda menos favoráveis para a produtividade.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Câmbio | O mercado internacional acompanhará a decisão de juros pelo FOMC, nos EUA, nesta quarta-feira (17/09). A expectativa é de um corte de 0,25 p.p. na taxa de juros da maior economia do mundo, embora estimativas mais ousadas apontem para um corte de 0,5 p.p., que deve ser mais difícil de ser concretizado frente à postura cautelosa que tem imperado no Federal Reserve nos últimos anos.
A ampliação do diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil – onde a taxa de juros deve se manter em 15% após a reunião do Copom, que também se encerrará na tarde de quarta-feira – aponta para um fortalecimento da tendência de valorização do real brasileiro, que se estende desde o início do ano.
O corte de juros na economia norte-americana se relacionará muito mais ao enfraquecimento do mercado de trabalho no país do que a um enfraquecimento da inflação, que se mantém acima da meta, mesmo com pouco impacto das tarifas nos índices de preços.
O mercado cambial estará atento também a possíveis retaliações do governo americano à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro na semana passada. O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, chamou essa ação de uma “caça às bruxas” e afirmou que os EUA “responderão adequadamente”. Ainda assim, na semana passada, viu-se um recuo dos EUA com relação às tarifas que têm o Brasil como alvo, conforme retirou-se as tarifas adicionais à celulose brasileira, o que foi muito bem recebido pelo mercado.
Intraday (15 min) contrato de set/25 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Brasil | Os negócios seguem pouco dinâmicos no mercado brasileiro, com o atraso da comercialização seguindo como um fator de suporte aos preços domésticos. Além disso, a continuidade do fortalecimento do real em comparação ao dólar, conforme citado anteriormente, tem afastado ainda mais o produtor do mercado por ora.
Na B3, o vencimento de novembro/25 encerrou a semana negociado a R$68,20/saca, apresentando praticamente uma estabilidade no movimento semanal, refletindo o baixo dinamismo recente do mercado doméstico.
O plantio da safra de verão 2025/26 segue avançando principalmente na região sul do país, com cerca de 4,51% da área plantada até a última sexta-feira, sendo um plantio ainda atrasado frente a safras anteriores.
Argentina | O peso argentino tem mantido uma forte trajetória de queda nas últimas semanas com a crise política enfrentada pelo governo de Javier Milei. Na semana passada, esse movimento ganhou ainda mais força conforme as eleições na província de Buenos Aires entregar vitória para a maior sigla de oposição ao atual governo nacional, apontando um cenário mais difícil para o atual governo frente às próximas eleições do legislativo argentino, que acontecerão daqui pouco mais de um mês.
Essa desvalorização do peso argentino somado a um encerramento da colheita da safra de milho no país - estimada em 49 milhões de toneladas – tem deixado o milho argentino bastante competitivo no mercado global, com os preços FOB sendo negociados pouco acima dos US$200/ton, valor próximo de outras origens fortemente competitivas, como os Estados Unidos.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)


Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
