• Setembro deve terminar com volumes de chuva abaixo da média.
• O surgimento de La Niña pode indicar que, até o final de 2024, as temperaturas estarão mais favoráveis.
• As estimativas dos impactos da estiagem prolongada nos cafezais dependerão, sobretudo, das temperaturas que serão registradas até que a precipitação se normalize.
Precipitação acumulada dos dias de 18 -22 de setembro

Entre os dias 18/09 e 23/09, frentes frias vindas do Sul do Brasil alcançaram as regiões produtoras de café arábica no Sul de Minas, Matas de Minas e São Paulo (Mogiana e Rosp). Nessas áreas, a maioria dos municípios registraram volumes superiores a 10 mm, com alguns recebendo até 30 mm de chuva nos últimos cinco dias. O aumento da umidade melhorou, de forma temporária, as condições hídricas das lavouras e reduziu as temperaturas, favorecendo a floração dos cafezais para o arábica. No entanto, no Cerrado, Sul da Bahia e Sul do Espírito Santo, os volumes de chuva ficaram entre 7 e 10 mm, com alguma nebulosidade.
A floração no parque cafeeiro depende da espécie e da região. A maioria das regiões cafeeiras de robusta são tecnificadas e possui sistemas de irrigação. Até agora, o observado por nosso time de campo e os registros indicam que a floração está indo bem no Espírito Santo e na Bahia, exceto em Rondônia, onde, especialmente, as temperaturas acima do normal durante o mês de setembro podem ter afetado o desenvolvimento do fruto.
Para o arábica, temos duas situações:
1. Nas regiões localizadas mais ao sul do Brasil, como Paraná e parte ao sul de São Paulo, que têm sido favorecidas com chuvas e temperaturas mais adequadas. A primeira florada aconteceu em meados de agosto, e até agora, tem apresentado um desenvolvimento de frutos aceitável, conforme descrito por nosso time de campo.
2. Nas demais regiões, as chuvas induziram uma floração significativa comparada com as registradas nos meses anteriores. Entretanto a porcentagem de pegamento e formação de chumbinhos dependerá das características microclimáticas de cada região. Nosso time, em visita de campo, registrou, de forma geral, que a frutificação não está sofrendo danos significativos decorrentes dessa primeira floração, e as gemas florais se encontram sadias e vigorosas até o momento.
Nesses cafezais, o potencial produtivo nas últimas safras foi significativo, e a colheita realizada este ano deixou, como de costume, alguns danos mecânicos, como o desfolhamento, mas que com boa nutrição e chuva a planta pode se recuperar rapidamente.
Esperava-se uma floração concentrada e uniforme, indicando um possível aumento do potencial produtivo. No entanto, essa expectativa vem diminuindo devido à seca prolongada. Regiões produtoras importantes enfrentam mais de 100 dias consecutivos sem chuvas significativas, além de altas temperaturas, o que tem causado desfolhamento severo nas lavouras. A expectativa é de que, com a chegada das chuvas, parte das lavouras consigam se recuperar, devido à alta resiliência da planta, especialmente em relação à emissão de novas folhas.
Uma nova estimativa em relação à floração será feita no início de outubro.
Previsão de precipitação acumulada

Fonte: StoneX
A transição de setembro para outubro revela um contraste nos volumes de chuva. O acumulado mensal na normal climatológica, que era inferior a 100 mm em setembro, pode ultrapassar facilmente essa marca em outubro nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Normais climatológicas do Brasil 1991-2020 para o mês de setembro e outubro

Fontes: Inmet
Ao longo de outubro, de acordo com as normais climatológicas, os volumes de chuva tendem a aumentar gradualmente. No último decêndio do mês, podem ocorrer precipitações superiores a 50 mm, influenciadas por ventos úmidos provenientes da Zona de Convergência Intertropical, que transportam umidade do Equador até o Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
Normais climatológicas do Brasil 1991-2020 para o mês de outubro por decêncio

Fonte: Inmet
Com o surgimento de La Niña no trimestre de setembro, outubro e novembro (SON), espera-se que, até o final do ano, ocorram volumes típicos de regiões tropicais, com temperaturas elevadas e alta umidade.
Segundo o Inmet, para as áreas produtoras de robusta, a previsão de anomalias de precipitação para os meses de outubro, novembro e dezembro (OND) indica que Rondônia estará abaixo da média (-10 mm), enquanto o Sul do Espírito Santo registrará volumes superiores à média (+50 mm). Para o arábica, a maioria das áreas cafeeiras pode registrar anomalias de precipitação entre -10 mm e +50 mm. Em termos de temperatura, Rondônia deve ficar 0,4°C acima da média, enquanto o Espírito Santo terá uma elevação de 0,2°C. Para as regiões de arábica no Sul de Minas, partes do Cerrado e áreas de São Paulo, as temperaturas médias podem ficar até 0,6°C acima da média, enquanto outras áreas podem registrar elevações de até 0,4°C.
Previsão de anomalias das precipitações (mm) e temperatura (°C) para o outubro, novembro e dezembro/2024 atualizado em setembro 2024

Fonte: Inmet



