• La Niña consolidada para o trimestre OND caracterizada pelo incremento de nebulosidade, intensidade e concentração da precipitação para maior parte do Brasil com possíveis eventos de invernada para o mês de dezembro e janeiro.
• Precipitações ganham volume no decorrer do mês e provavelmente se tornarão mais frequentes e abrangentes no final deste mês e no início de novembro.
• As temperaturas máximas começarão a recuar no meio do mês devido ao incremento da nebulosidade para o Sudeste, Goiás e o Cerrado mineiro.
Precipitação acumulada: A) Normais climatológicas do Brasil 1991-2020 para o primeiro decênio (mm) do mês de outubro e B) acumulada nos últimos 10 dias mapa elaborado no dia 13/10/2024.

Fonte: Inmet
O período de chuvas começou, e foram observados corredores de umidade conformados nos primeiros 10 dias do mês de outubro. A precipitação (PPT) ficou acima da média no estado do Acre e na região leste da Amazônia. Na região Norte, a precipitação registrou acumulados acima de 70 mm; normalmente nesses locais a PPT acumulada em dez dias (decêndio) oscila entre 50 e 60 mm. Em Rondônia, na maior parte do estado, a PPT acumulada ao longo dos primeiros dias foi menor, oscilando entre 15 e 30 mm, em comparação com as normais, que são superiores a 40 mm.
No Mato Grosso e em Goiás, foi registrada PPT acumulada localizada de 40 a 70 mm, mas, no geral, para o estado como um todo, a precipitação ficou menor (20-30 mm) do que o esperado, que normalmente é superior a 30 mm. Em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, foi observado que a chuva acumulada esteve concentrada na parte sul e sudeste de cada estado, respectivamente, enquanto os volumes na parte norte ficaram abaixo do normal.
Os estados de São Paulo e Paraná registraram chuvas volumosas, que oscilaram entre 40 e 120 mm. O mesmo foi observado para o estado do Espírito Santo. No Nordeste, a precipitação normalmente é limitada nos primeiros dias do mês; entretanto, foi registrado um ponto localizado entre Tocantins e Belém com volumes representativos.
Anomalia de temperatura da Superfície dos Oceanos registrado o 13 outubro de 2024 da NOAA (A), A previsão oficial de probabilidade do ENOS do CPC (B) e Intensidade do fenômeno (C), baseada em um consenso dos meteorologistas do CPC e do IRI

Fonte: NOOA, IRI elaborado pela StoneX
El Niño-Oscilação do Sul (ENOS) refere-se a dois fenômenos interligados. O El Niño trata das mudanças na temperatura da superfície do oceano Pacífico, enquanto a Oscilação do Sul refere-se às variações simultâneas na pressão atmosférica. O ENOS altera os padrões climáticos globais.
Em termos mais simples, em condições normais, as águas do oceano Pacífico na região próxima à América do Sul são mais frias, enquanto as águas perto da Austrália e da Indonésia são mais quentes. Isso acontece porque os ventos alísios sopram de leste a oeste, empurrando as águas quentes para o lado da Austrália e deixando espaço para que as águas frias subam à superfície (ressurgência) perto da costa da América do Sul.
O fenômeno El Niño ocorre quando os ventos alísios, que normalmente sopram de leste a oeste, enfraquecem. Isso faz com que as águas do oceano Pacífico na região próxima à América do Sul fiquem mais quentes do que o normal. Com isso, menos água fria sobe à superfície perto da costa da América do Sul.
O fenômeno La Niña ocorre quando os ventos alísios se tornam mais fortes, fazendo com que as águas do oceano Pacífico próximas à América do Sul fiquem ainda mais frias. Esse resfriamento acontece porque mais água fria sobe à superfície nessa região, devido ao fortalecimento dos ventos. A melhor maneira de entender a La Niña é pensar em uma versão mais intensa das condições neutras para a maioria das regiões.
No dia 10/10, o IRI confirmou La Niña com 75% de chance de ganhar força ao longo do trimestre novembro, dezembro e janeiro (NDJ), encerrando a fase neutra. A probabilidade é que o fenômeno seja de curta duração, com 63% de chance de retorno às condições neutras a partir do trimestre março, abril e maio de 2025. Nos meses de novembro e dezembro, a intensidade do fenômeno pode chegar a -1°C de anomalia na TSM, sendo considerada baixa. O fenômeno pode intensificar substancialmente as correntes de umidade provenientes dos trópicos e aumentar o número de dias com nebulosidade, bem como a frequência, duração e intensidade de chuvas relacionadas a eventos extremos que desencadeiam deslizamentos e erosão hídrica.
Possíveis impactos no Brasil do ENOS

Fonte: NOAA elaborado por StoneX
No Brasil, geralmente quando La Niña surge no final do ano, tem-se observado, embora ainda não seja considerado um padrão, que o Sudeste e parte do Centro-Oeste ficam mais frios. O Norte se torna mais úmido e o Sul do Brasil mais seco. Nos últimos anos, tanto El Niño quanto La Niña têm sido mais intensos e duradouros, em comparação com a fase neutra, associada a um clima mais estável.

Fonte: Inmet
Finalizando outubro e novembro, episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) trarão chuvas generalizadas para o Sudeste, Centro-Oeste, Acre e Rondônia. Climatologicamente, é um período de transição entre as estações seca e chuvosa no Brasil Central. Como é uma transição, espera-se que no último decêndio (aproximadamente após o dia 20/10) as chuvas se tornem mais regulares em toda a parte central do Brasil, com volumes expressivos, acima de 50 mm em 10 dias, em parte do Norte, Centro-Oeste e no estado de Tocantins. Portanto, é provável que o mês termine com volumes de chuva acima da média (geralmente acima de 100 mm) em todo o Centro-Oeste, parte do Sudeste, Norte e Nordeste, com volumes superiores a 30 mm. No Sul do Brasil, no litoral do estado de São Paulo, no norte do estado do Amazonas, Acre e Rondônia, os volumes podem ultrapassar 130 mm.
Previsão de chuva acumulada (mm) para o mês de outubro: A) 15/10 - 19/10, B) 20/10 -24/10 e C) 25/10 -29/10
Dados provenientes do modelo GFSv2 (direita) ECMWF (esquerda) e rodado em 15/10/2024.



Fonte: Rural Clima
Os modelos de predição de chuvas GFS/CFS (Estados Unidos) e ECMWF (europeu) após o da 15 de outubro apontam conjuntamente umidade generalizada para todo o Brasil sem períodos de estiagem longos (mais de 10 dias sem chuva significativa). O modelo europeu sinaliza maiores volumes, concentrados no centro do Brasil, entretanto, para a região Nordeste após do 20/10 sinaliza um período de estiagem até finalizar o mês. Por outro lado, o modelo americano prevê volumes menores, entretanto umidade espalhada por todo o Brasil até a região do nordeste.
Previsão de temperatura máxima desde 15/10 (A) até o 26/10 (L)

Fonte: StoneX
As condições meteorológicas e a previsão sazonal indicam um cenário favorável para a maioria das culturas perenes, bem como para a programação dos plantios e o desenvolvimento das lavouras de ciclo curto nesta primeira safra após uma seca intensa. Para os frutos do cafeeiro que se formaram e se mantiveram, seja porque as lavouras contavam com sistemas de irrigação ou porque estavam em fase de safra zero, as condições previstas podem ser melhores para o desenvolvimento da safra.



