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Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Independência do Fed e PIB americano no radar do mercado de câmbio 

  • Altista
  • Segunda leitura do PIB norte-americano do terceiro trimestre de 2025 devendo confirmar crescimento acelerado da economia do país. Além disso, uma inflação resiliente tende a consolidar uma postura mais cautelosa do Fed, com manutenção dos juros na reunião do final de janeiro.
  • Possível sinalização de elevação de juros pelo banco central do Japão (BoJ) – em meio a cenário inflacionário e riscos fiscais – pode fortalecer a perspectiva de menor diferencial de juros, desincentivando operações de “carry-trade” e posições compradas no real.
  • Baixista
  • Decisão desfavorável a Lisa Cook pela Suprema Corte dos Estados Unidos pode reforçar a percepção de ameaça à independência do Federal Reserve e exercer pressão sobre o dólar no cenário global.

Resumo da semana passada

  • A semana iniciou com a notícia da abertura de investigação contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, o que elevou a aversão ao risco dos investidores por temores de intervenção na política monetária americana.
  • Na esfera geopolítica, a semana também foi marcada por um aumento das tensões entre Washington e Teerã, com a repressão do governo iraniano aos manifestos na capital do país gerando insatisfação por parte da Casa Branca. No entanto, ao final da semana, o recuo do presidente dos EUA, Donald Trump, a respeito de uma possível ação militar no Irã atenuou a percepção de risco.
  • Nos EUA, o destaque foi o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro, que no acumulado dos últimos 12 meses se manteve no patamar de 2,7%, mas ainda acima da meta de 2%. Adicionalmente, a produção industrial no país subiu 0,4% no mesmo mês, além das expectativas do mercado.
  • No Brasil, os indicadores divulgados, em geral, foram positivos e mostram um cenário de resiliência da atividade econômica, apesar do patamar atual dos juros. Dessa forma, as expectativas de início do ciclo de corte de juros podem ser alteradas.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: +0,09% | Semanal: +0,13% | Mensal: -1,89% | Anual: -13,02% | Em 12 meses: -11,26%
 

Variações do Dollar Index

Diária: +0,07% | Semanal: +0,27% | Mensal: +1,09% | Anual: -8,08% | Em 12 meses: -8,77%


O MAIS IMPORTANTE: Prévia do PIB americano no 3° trimestre

Impacto esperado no USDBRL: altista

Nessa próxima semana, o mercado deve continuar atento à divulgação de indicadores da economia dos Estados Unidos, que ainda estão se normalizando devido ao shutdown ocorrido no país no ano passado.

  • Destaque para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2025 e para o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE), referente a novembro.
  • Na primeira leitura do PIB de julho a setembro, o resultado mostrou uma economia bastante aquecida, com um crescimento de 4,3% (taxa anualizada), contra expectativas médias de 3,3%, com o dado consolidado devendo refletir esse avanço expressivo da economia no país.
  • Para o PCE, há expectativas de uma aceleração dos preços. Destaque para o item de viagens ao exterior, influenciado pelo custo das passagens aéreas.

Por que isso importa: Uma economia mais aquecida, aliada à inflação também elevada tende a sinalizar para o Fed que os juros poderiam se manter em patamares mais elevados por mais tempo, mesmo com a pressão de Trump por um corte.

Taxa de juros: As expectativas para a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que será realizada nos dias 27 e 28 de janeiro, são de uma manutenção dos juros, no intervalo entre 3,5% e 3,75% a.a., não dando prosseguimento aos cortes recentes, com o Fed adotando uma postura mais cautelosa.

  • Na reunião de dezembro, o Comitê registrou três votos contrários ao corte, o que não ocorria desde setembro de 2019, já sinalizando uma postura mais cautelosa.
  • Além dos dados recentes continuarem indicando uma economia bastante aquecida e uma inflação resiliente, as projeções para 2026 e 2027 mostram muita dispersão, segundo as Projeções Econômicas Sumarizadas, divulgadas junto à decisão de dezembro. Alguns indicadores sugerem uma economia mais fortalecida enquanto outros apontam na direção contrária.


Divulgação do IPCA-15 no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

Com uma agenda nacional reduzida na próxima semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deve ser o indicador mais importante no mercado brasileiro, contribuindo para os investidores calibrarem suas expectativas sobre o início do ciclo de corte de juros pelo Banco Central.

Por que isso é importante: Os índices de preços são importantes fatores para a determinação da taxa de juros. Dessa forma, a continuidade do nível de preços dentro das margens de tolerância tende a aumentar as apostas para o início dos cortes de juros pelo Banco Central.

  • Esse movimento pode reduzir a atratividade dos títulos nacionais e dificultar a entrada de capital estrangeiro, prejudicando o desempenho do real.

Panorama: O dado mais recente de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro apontou alta de 0,33%, fechando 2025 com uma inflação acumulada de 4,26%, dentro das bandas de tolerância.

  • Dessa forma, o país emplaca o terceiro mês de redução na inflação acumulada e o segundo dentro das margens de tolerância.
  • Adicionalmente, o Índice de Preços ao Produtor do mesmo mês recuou 0,37%, apresentando o 10º mês consecutivo de queda dos preços, o que deve contribuir para o controle inflacionário.
  • Ao longo da última semana, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) e a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de novembro apresentaram avanços de 0,7% e 1,0%, respectivamente, acima da mediana das estimativas.
  • Dessa forma, apesar da inflação dentro da meta, os dados positivos reforçam a percepção de resiliência da atividade econômica apesar dos juros atuais, e podem impactar nas apostas para o início do ciclo de cortes de juros.


Decisão sobre a taxa de juros no Japão

Impacto esperado no USDBRL: altista

Na próxima semana, o mercado estará atento à decisão de juros pelo Bank of Japan (BoJ), na sexta-feira (23). A expectativa é de que a autoridade monetária mantenha os juros no patamar de 0,75% a.a., mas investidores seguem atentos aos direcionamentos das próximas reuniões.

Por que isso é importante: O Japão é considerado uma ponta importante das operações de “carry-trade” globalmente, graças aos seus juros historicamente baixos. Dessa forma, as decisões de política monetária no país podem reconfigurar as operações de “carry-trade” internacionais, impactando o nível de liquidez dos mercados.

  • O que é “carry-trade”: Trata-se de uma operação dupla de empréstimo em moedas de países com juros baixos e aplicação em ativos denominados em moedas de países com juros mais elevados. Nessa operação, o investidor consegue lucrar através do diferencial de juros entre as economias.

Panorama: Após ter elevado os juros para 0,75% a.a. em sua reunião de política monetária de dezembro, a expectativa é de que o BoJ mantenha a taxa inalterada na reunião da semana que vem. Ainda assim, diversas autoridades econômicas japonesas têm defendido uma política mais agressiva de juros para controlar a desvalorização do iene. Por esse motivo, espera-se que a autoridade monetária possa sinalizar elevações de juros para as próximas reuniões de 2026, com investidores esperando que esse movimento aconteça entre julho e setembro.

  • Desde a eleição da primeira-ministra Sanae Takaichi, o iene tem apresentado um desempenho considerado fraco por diversos analistas, conforme investidores temem que uma política fiscal mais ativa pelo governo japonês possa ser inflacionária para a moeda japonesa.
  • Em meados desta semana, os rumores de que a primeira-ministra poderia dissolver o congresso e convocar novas eleições acendeu um alerta no mercado. A expectativa é de que uma nova rodada eleitoral poderia entregar uma maioria legislativa para a primeira-ministra, diminuindo resistências para um plano de expansão fiscal.
  • Em meados de 2024, o BoJ adotou uma política mais contracionista, elevando os juros de 0,1% para 0,25%, o primeiro aumento de juros em 17 anos. O resultado dessa escalada foi um desmonte parcial das operações de “carry-trade” do iene, impactando de maneira baixista diversos ativos globais mais arriscados. À época, o Nikkei, considerado o principal índice acionário japonês, recuou cerca de 20% ao longo de três pregões; índices acionários nos Estados Unidos e Europa também recuaram. No Brasil, o real se desvalorizou em relação ao dólar.


Retomada do julgamento de Lisa Cook

Impacto esperado no USDBRL: incerto

Na próxima quarta-feira (21), a Suprema Corte dos Estados Unidos deve retomar o julgamento do processo de demissão de Lisa Cook, integrante do Conselho de Diretores do Federal Reserve nomeada pelo ex-presidente americano Joe Biden. A tentativa de remoção de Cook não tem precedentes na história da autoridade monetária, e integra um rol de outras ações da administração Trump contra a independência do Fed e contra agentes de outros órgãos do governo federal.

  • Durante a criação do Fed, em 1913, o Congresso americano aprovou o Federal Reserve Act, legislação que protege o banco central de interferência política. De acordo com a lei, membros do Conselho do Fed só podem ser demitidos pelo presidente por justa causa. O governo acusa Lisa Cook de fraude hipotecária, por supostamente ter alegado que imóveis em diferentes estados eram sua residência primária com o intuito de obter financiamento a taxas subsidiadas.
  • A Suprema Corte deve ouvir os argumentos da acusação e da defesa na próxima semana, e decidir se aprova ou não a solicitação do Departamento de Justiça de revogar a decisão de uma juíza federal que manteve Lisa Cook no Federal Reserve. Uma decisão favorável à Casa Branca pode reforçar os temores de ameaça à independência do Fed e a tendência de redução da exposição de capitais a ativos americanos.
  • Na última segunda-feira (12), a notícia de abertura de inquérito contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, foi recebida com forte reação pelos mercados e recuo do dólar ante seus pares. Mais detalhes sobre a investigação contra Powell podem ser lidos na Abertura de Câmbio.
  • Por que isso importa: A independência do Federal Reserve é uma das pedras fundamentais da política econômica americana e constitui a base para a confiança dos agentes econômicos no sistema financeiro do país. Os ataques ao Fed elevam a incerteza e a insegurança dos investidores em relação ao dólar, ao mesmo tempo em que favorece a busca por ativos seguros como os metais preciosos e as moedas de outras economias centrais.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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