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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir PMI de serviços americano e ameaça tarifária ao Brasil

Cotações (09h20min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,17 (0,0%)
Dollar Index (DXY): ~101,1 pontos (+0,2%)

No retorno de feriado dos Estados Unidos, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados para o setor de serviços americanos, bem como a audiência pública do governo americano sobre a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Boletim Focus semanal (BC) – 08h30min.
  • Índice Gerente de Compras (PMI) do setor de serviços e composto dos EUA de junho (S&P Global) – 10h45min.
  • Índice Gerente de Compras (PMI) do setor de serviços dos EUA de junho (ISM) – 11h00min.
  • Palestra do membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Christopher Waller – 12h00min.
  • Palestra da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde – 13h00min.
  • Balança comercial semanal (Secex) – 15h00min.

Ameaça de tarifas ao Brasil

Os investidores nacionais devem repercutir a realização de audiência pública pelo Escritório do Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, sobre a proposta americana de impor tarifas de 25% sobre certos produtos brasileiros.

  • O prazo final para determinação e eventual aplicação dessas tarifas se encerra em 15 de julho.

Por que isso é importante: A nova ameaça de tarifas de importação sobre produtos do Brasil pode aumentar a percepção de riscos por investidores para ativos nacionais, visto que pode reduzir as exportações brasileiras para os EUA.

  • Por isso, a medida pode dificultar a atração de investimentos externos e resultar em enfraquecimento do real.

Audiência pública: A USTR realiza hoje audiência pública em Washington sobre sua proposta de tarifas de 25% a produtos brasileiros após investigação sobre práticas comerciais brasileiras supostamente “injustas” aos Estados Unidos, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

  • Contudo, boa parte dos produtos brasileiros continuariam isentos, como carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves brasileiras e peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes.

Cenário eleitoral: O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, pretende participar da audiência para pedir adiamento da decisão e tentar se distanciar das acusações que o responsabilizam pela ameaça tarifária.

  • O presidente Luís Inácio Lula da Silva acusa Flávio de orquestrar as ameaças comerciais americanas contra o Brasil.
  • A investigação comercial foi aberta em 15 de julho do ano passado, quando Trump havia anunciado tarifas de 50% a produtos brasileiros por, entre outros motivos, uma perseguição injusta ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • A conclusão da investigação e a proposta de novas tarifas foram anunciadas pouco tempo depois da visita de Flávio ao presidente americano, Donald Trump.
  • Pesquisa da Quaest do mês passado aponta que 47% dos entrevistados concordam que Flávio foi responsável pela nova ameaça das tarifas, contra 35% que o isentam.
  • Na semana passada, o senador solicitou que os EUA adiassem sua definição sobre o tema para o fim do ano, visto que uma conclusão antes de outubro poderia prejudicar sua campanha eleitoral.

Amparo jurídico às tarifas: Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte americana determinou que a maior parte das tarifas de importação aplicadas pelo governo Trump eram ilegais, visto que não possuíam amparo na lei de Emergência Econômica Internacional (IEEPA).

  • Porém, isto não se aplicava às tarifas setoriais, baseadas na seção 232 da Lei de Comércio de 1974, nem às medidas corretivas amparadas por investigação contra a “prática injustificada ou discriminatória” ao comércio americano, baseadas na seção 301 da mesma lei.
  • O governo Trump se antecipou, no ano passado, a buscar alternativas jurídicas que permitissem a aplicação de tarifas caso as cortes impedissem a aplicação de barreiras comerciais por meio de poderes emergenciais.
  • O USTR argumenta que o Brasil utiliza práticas discriminatórias ou injustificadas em comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas comerciais com outras nações, fiscalização anticorrupção e proteção da propriedade intelectual, entre outros.

 

PMI de serviços nos EUA

No cenário global, investidores acompanham a divulgação do Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços americano após uma surpresa negativa com o mercado de trabalho na semana passada.

  • A estimativa mediana é de leve recuo no índice, de 54,5 pontos em maio para 54,0 pontos em junho.

Por que isso é importante: Uma nova leitura aquecida para o setor de serviços americano reforçaria a percepção de juros mais altos por mais tempo no país, o que tende a favorecer os rendimentos dos títulos do Tesouro do país (Treasuries) e a fortalecer o dólar globalmente.

“Payroll” surpreendeu em junho: Na semana passada, o Relatório da Situação do Emprego surpreendeu investidores ao mostrar números bem mais fracos que o antecipado para o mercado de trabalho.

  • A economia americana criou um saldo de apenas 57 mil postos de trabalho em junho, bem abaixo da estimativa mediana de 110 mil empregos.
  • Além disso, os números de abril e maio foram revisados para baixo em 74 mil postos de trabalho.
  • A taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2% após 720 mil pessoas saírem da força de trabalho.
  • Com isso, a taxa de participação recuou para 61,5%, o menor patamar desde março de 2021.

Alta de juros em dúvida? A leitura do payroll foi no sentido oposto à tendência apontada pelos indicadores econômicos mais recentes, que apontavam para uma economia americana mais aquecida e, portanto, para riscos inflacionários mais elevados.

  • Por isso, o PMI de serviços pode contribuir para a calibração das expectativas de investidores para a trajetória dos juros no país, visto que o setor representa mais de 75% do PIB e do emprego americano.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 133732Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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