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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir decisão de juros nos EUA e retomada das operações no Oriente Médio

Cotações (09h00min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,12 (+0,1%)
 = Dollar Index (DXY): ~101,4 pontos (0,0%)

Nesta quarta-feira (29), o mercado de divisas deve repercutir a decisão de taxa básica de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) nos EUA. A maioria dos investidores esperam por uma manutenção dos juros, enquanto buscam por sinalizações dos próximos passos da autoridade monetária. Simultaneamente, a retomada das operações militares no Oriente Médio reduz o otimismo dos mercados financeiros para uma resolução diplomática do conflito.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Palestra do ministro da Fazendo, Dario Durigan – 8h00min.
  • Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
  • Decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) – 15h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh – 15h30min.

Decisão de juros nos EUA

Na reunião desta quarta-feira, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) deve manter a taxa básica de juros americana no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano.

  • Com a maior parte dos investidores apostando em uma manutenção dos juros, o foco recai sobre as possíveis sinalizações para os próximos passos da autoridade monetária, embora a leitura possa ser dificultada pelo estilo enigmático do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh.

 

Por que isso é importante: A expectativa de uma postura mais cautelosa do Federal Reserve deve reforçar as apostas de juros mais altos por mais tempo no país.

  • Isto, por sua vez, tende a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favorecer a atração de capitais externos, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Dados de inflação surpreendem: As leituras de junho dos Índices de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) surpreenderam com leituras abaixo das expectativas e apontaram para uma desaceleração da inflação acumulada nos últimos 12 meses de 4,2% para 3,5% e 6,0% para 5,5%, respectivamente.

  • A leitura benigna contribuiu para os investidores reduzirem suas apostas para uma alta de juros no curto prazo. Contudo, vale destacar que junho foi marcado pela assinatura de um cessar-fogo e o alívio das tensões militares no Oriente Médio.
  • Com a recente reescalada do conflito na região os preços do petróleo voltaram a se fortalecer, o que eleva as preocupações de possíveis pressões inflacionárias globais.

 

Mercado de trabalho desacelera: O Relatório de Situação de Emprego (“payroll”) de junho apresentou uma leitura muito abaixo das expectativas, com um saldo de 57 mil vagas de emprego, ante projeções de 114 mil.

  • Adicionalmente, a leitura de junho foi revisada para baixo, passando de um saldo positivo de 172 mil para 129 mil novos empregos.
  • Por outro lado, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2% após 720 mil pessoas saírem da força de trabalho. Com isso, a taxa de participação recuou para 61,5%, o menor patamar desde março de 2021.

 

Sinalizações dos diretores: Antes do período de silêncio que antecede a reunião, alguns membros do FOMC comentaram publicamente os últimos dados de inflação.

  • O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, ponderou que uma única leitura benigna da inflação não basta para concluir de que a inflação está voltando à meta, reforçando um tom de cautela.
  • A diretora Lisa Cook afirmou que prefere aguardar mais evidências de desinflação, mas sinalizou estar preparada para apoiar uma nova alta de juros caso a inflação não continue desacelerando nos próximos meses.
  • Em tom mais otimista, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, reconheceu que a inflação segue elevada, mas destacou sinais encorajadores de que o pico inflacionário teria ficado para trás, com uma possível desaceleração gradual pela frente. Williams também classificou a política monetária atual como "bem-posicionada".
  • Por fim, o presidente do Fed apenas reiterou seu compromisso com o controle da inflação e afirmou que a leitura benigna dos dados de inflação não significava uma “missão cumprida”. Para atingir seu objetivo de retomada da inflação à meta, Warsh não ofereceu nenhum tipo de direcionamento (“forward guidance”).

 

Esperar para ver: Nesse contexto, a expectativa é de uma postura de “esperar para ver” por parte das autoridades monetárias, reforçada pela recente retomada do conflito no Oriente Médio.  

  • Os diretores do FOMC devem estar atentos aos próximos indicadores econômicos, em especial os de inflação, para avaliar possíveis impactos da alta do petróleo sobre a economia americana.
  • Sinais de reaceleração inflacionária, somados à incerteza sobre as negociações diplomáticas entre EUA e Irã, tendem a reforçar a tese de manutenção dos juros em patamares restritivos, podendo, inclusive, fortalecer discussões sobre altas de juros.
  • Do outro lado, apenas um cenário de leituras benignas consistentes deve fortalecer discussões sobre espaço para cortar juros.

 

Conflito no Oriente Médio reacende tensões

A retomada dos combates entre Estados Unidos e Irã na madrugada desta quarta-feira elevou os preços do petróleo e aumentou a percepção de risco nos mercados globais.

  • Os Estados Unidos e a Arábia Saudita atacaram conjuntamente grupos apoiados pelo Irã no Iraque, os primeiros bombardeios americanos na região desde a suspensão da campanha militar na semana passada.
  • O Irã, por sua vez, disparou mísseis contra bases militares americanas e atacou navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz.

 

Por que isso é importante: O aumento das tensões na região eleva a percepção de risco geopolítico por parte dos investidores, o que tende a prejudicar ativos considerados arriscados, como o real.

  • Por outro lado, o conflito mantém o bloqueio no Estreito de Ormuz e fortalece os preços do petróleo. O Brasil, como exportador da commodity, pode se beneficiar dos preços mais altos e aumentar a captação de dólares, o que tende a favorecer o desempenho da moeda doméstica.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 134967Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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