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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir dados americanos e questionamentos sobre o Fed

Cotações (09h00min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,10 (-0,2%)
Dollar Index (DXY): ~100,7 pontos (-0,1%)

Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve refletir a divulgação de dados de atividade econômica e inflação dos EUA, ajudando os investidores a calibrarem suas expectativas para a trajetória dos juros americanos, em meio a questionamentos sobre a disposição do Federal Reserve de aumentar juros no curto prazo.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Decisão de juros do Banco Central da Inglaterra (BoE) – 08h00min.
  • Estatísticas monetárias e de crédito do Brasil de junho (BC) – 08h30min.
  • Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de junho (IBGE) – 09h00min.
  • Pedidos semanais de auxílio-desemprego (DOL) – 09h30min.
  • Índice de Preços da Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA de junho (PCE) – 09h30min
  • Primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) americano do 2º trimestre de 2026 (BEA) – 09h30min.

Dados econômicos americanos

As projeções para a leitura de junho do Índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), indicador favorito do Federal Reserve (Fed) para acompanhamento da inflação, apontam para uma deflação de 0,1%.

  • Com a leitura, a inflação acumulada em 12 meses deve recuar de 4,1% para 3,7%, ainda acima da meta do Fed.
  • Para o núcleo do indicador, que exclui bens voláteis como alimentos e energia, é esperado uma inflação de 0,2%, o que seria uma desaceleração em relação aos 0,3% registrados em maio.

 

Por que isso é importante: Sinais de desaceleração inflacionária tendem a reduzir as apostas de altas de juros no curto prazo, o que tende a reduzir a atratividade dos títulos americanos (Treasuries) e enfraquecer o dólar globalmente.

 

Preocupações inflacionárias: Tendo em vista as leituras benignas dos Índices de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) em junho, que surpreenderam e apontaram para uma deflação de 0,4% e 0,2%, respectivamente, é esperado que o PCE do mesmo período também apresente uma leitura benigna.

  • Contudo, vale destacar que junho correspondeu ao período de assinatura do acordo de cessar-fogo provisório entre EUA e Irã, o que favoreceu uma queda dos preços do petróleo e alívio de possíveis pressões inflacionárias globais através da commodity energética.
  • A leitura de junho do PCE deve ser um importante indicador para os investidores, mas que não reflete o atual cenário geopolítico mundial, marcado pela retomada do conflito no Oriente Médio e recuperação dos preços do petróleo.
  • No cenário atual, os investidores buscam calibrar suas expectativas para os possíveis impactos da retomada do conflito.

 

Atividade econômica: Além do PCE, haverá a divulgação da primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) americano no 2°semestre, que deve indicar possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre a atividade econômica.

  • As projeções apontam para um crescimento de 2,1% (taxa anualizada) no período, o que representaria uma manutenção em relação à taxa registrada no trimestre anterior.
  • Sinais de resiliência da atividade econômica devem a reforçar a leitura de espaço para elevar a taxa básica de juros no curto prazo, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

Credibilidade do Fed em dúvida

Adicionalmente, o mercado de divisas deve continuar repercutindo a decisão de ontem do Federal Reserve de manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

  • Durante a coletiva de imprensa após a decisão, Kevin Warsh afirmou que as taxas de juros "certamente poderão fazer parte da solução" para controlar a inflação, mas não ofereceu compromisso firme com um aperto monetário adicional, o que se refletiu em um enfraquecimento global do dólar.

 

Por que isso é importante: A falta de clareza de Warsh sobre o combate à inflação elevou as dúvidas dos investidores sobre o compromisso do Fed em reduzir o nível de inflação para próximo da meta de 2%.

  • Essa percepção reduz as apostas de juros mais elevados no curto prazo, o que reduz a atratividade dos títulos públicos americanos (Treasuries) e tende e enfraquecer o dólar globalmente.

 

Dúvidas quanto a alta de juros: Na coletiva de imprensa após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, reafirmou o compromisso de recuperar a estabilidade de preços nos EUA.

  • Quando questionado sobre o uso de juros para combater a inflação persistentemente alta, Warsh disse que “se a inflação permanecer elevada ao longo do período de projeção, as taxas de juros certamente poderão fazer parte da solução”.
  • Contudo, Warsh recusou-se a discutir quais foram os argumentos a favor de manter os juros estáveis nesta decisão, ao invés de aumentá-los para combater as pressões inflacionárias.
  • Da mesma forma, Warsh evitou oferecer qualquer tipo de orientação sobre a trajetória futura dos juros americanos.
  • Com isso, investidores se mostraram incomodados com a dissonância entre as falas de incômodo com a inflação e a ausência de sinalizações mais claras quanto à possibilidade de uma alta de juros no curto prazo, levando a uma redução das apostas para alta de juros na decisão de setembro.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 135042Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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