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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir ata do FOMC e cautela local

Cotações (09h00min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,20 (-0,4%)
Dollar Index (DXY): ~99,4 pontos (-0,2%)

Em mais um dia esvaziado de indicadores, os mercados financeiros devem acompanhar a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), buscando calibrar suas expectativas para a trajetória dos juros americanos. Simultaneamente, no cenário doméstico, os investidores devem seguir acompanhando o cenário político em meio a uma maior percepção de riscos para ativos nacionais.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
  • Ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve – 15h00min.

Ata do FOMC

Nesta quarta-feira (19), será divulgada a ata do último encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), que manteve a taxa de juros estável no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano.

  • Na reunião, três dos doze membros do Comitê votaram a favor de uma alta de juros imediata – os presidentes regionais Neel Kashkari (Minneapolis), Lorie Logan (Dallas) e Beth Hammack (Cleveland).
  • Além disso, a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Kevin Warsh, gerou uma impressão de menor comprometimento com a busca pela estabilidade de preços.
  • Nesse contexto, o documento deve contribuir para os investidores calibrarem suas expectativas para os possíveis próximos passos da política monetária americana.

 

Por que isso é importante: Ao buscar “corrigir o registro”, o documento pode mostrar uma preocupação maior dos membros do FOMC com a inflação acima da meta, sugerindo uma disposição para manter os juros mais elevados a fim de recuperar a estabilidade de preços.

  • Isto, por sua vez, elevaria o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favoreceria a atração de capitais estrangeiros para o país, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Corrigindo o registro: A ata da decisão do FOMC pode ajudar a desfazer o desconforto causado pelas declarações de Warsh na coletiva de imprensa.

  • Por exemplo, ela deve explicar por que o FOMC preferiu manter os juros estáveis se haveria tamanho incômodo com a inflação acima da meta, algo que Warsh se recusou.
  • Além disso, ela pode oferecer pistas sobre quais critérios poderiam levar o Fed a aumentar juros no futuro, algo que Warsh também não quis dizer.
  • Por fim, é pouco provável que o documento faça alguma menção à qualidade dos índices inflacionários, tema abordado indiretamente por Warsh na coletiva.

 

Alta de juros em dúvida: Desde a decisão de 29 de julho do FOMC, investidores apostam cada vez menos na possibilidade de altas de juros no curto prazo.

  • O principal fator para esse movimento foi a percepção de um Fed menos disposto a aumentar juros após a coletiva de imprensa de Warsh, como mencionado acima.
  • Adicionalmente, os dados econômicos mais recentes também têm sugerido uma economia americana menos aquecida que o antecipado, sugerindo que talvez não haja urgência para juros mais elevados.
  • Por exemplo, tanto os indicadores inflacionários como os do mercado de trabalho apresentaram leituras moderadas por dois meses seguidos.
  • Porém, em sentido contrário, a reescalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio em julho voltou a impulsionar os preços globais de petróleo, elevando temores de pressões inflacionárias no segundo semestre.

 

Fique ligado: Antes da próxima decisão de juros do Federal Reserve, em 16 de setembro, ainda serão divulgados mais uma leitura mensal do CPI, do PPI e do mercado de trabalho americano.

  • Até lá, os membros do FOMC devem adotar uma postura mais neutra, esperando acumular mais evidências sobre os riscos inflacionários para os Estados Unidos.
  • Adicionalmente, será importante observar o discurso de Kevin Warsh no importante Simpósio de Jackson Hole, em 28 de agosto.
  • Nos anos anteriores, o discurso do presidente do Fed em Jackson Hole trouxe informações importantes sobre a condução da política monetária americana e influenciou as expectativas de investidores quanto à trajetória dos juros no país.

 

Possibilidade de riscos locais

Vale mencionar que ontem (18) o desempenho do real foi prejudicado pela notícia do avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 no Senado.

  • Segundo fontes, a ideia é que o parecer do relator seja lido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no primeiro dia de setembro e, no dia seguinte, já ocorra a votação no plenário.
  • Assim, é possível que haja uma extensão do movimento de ontem na sessão de hoje, aumentando a percepção de riscos locais.

 

Por que isso foi importante: Investidores julgaram que uma aprovação da medida pode beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa eleitoral deste ano, aumentando a percepção de riscos políticos de ativos nacionais.

  • Na prática, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 136017Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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