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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir dados de inflação e cenário político nacional

Cotações (09h02min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,10 (-0,1%)
Dollar Index (DXY): ~99,1 pontos (+0,1%)

Em dia de agenda carregada, o mercado de divisas deve acompanhar os dados de inflação nos EUA e no Brasil, buscando calibrar suas expectativas para a condução da política monetária nos dois países. Além disso, na cena doméstica, investidores seguem acompanhando as notícias envolvendo as investigações relacionadas ao Banco Master e seus possíveis impactos sobre o cenário eleitoral.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto (IBGE) – 09h00min.
  • Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano de agosto (BLS) – 09h30min.
  • Palestra da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde – 11h00min.
  • Prévia do Índice de Confiança do Consumidor americano de setembro (UMich) – 11h00min.
  • Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 16h30min.

Inflação nos EUA

Após dois meses de números moderados para a inflação americana, analistas antecipam uma leitura um pouco mais aquecida para o mês de agosto.

  • A mediana das projeções para o CPI aponta que a variação mensal deve passar de 0,1% em julho para 0,4% em agosto, enquanto o núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, deve repetir uma variação mensal de 0,2%.
  • Isto levaria o núcleo da inflação acumulada em 12 meses de 2,5% para 2,4%, e reduziria a média anualizada dos últimos três meses para 1,6%.

 

Por que isso é importante: A inflação americana não deve sinalizar claramente uma tendência de estabilização, o que aumentaria as apostas de investidores por novas altas de juros pelo Federal Reserve, elevaria o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favoreceria a atração de capitais estrangeiros para o país, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Alta de juros em dúvida: Caso as projeções se confirmem, o CPI deve oferecer argumentos para ambos os lados do debate. A aceleração do índice cheio dificultaria uma sinalização mais confortável do Fed, enquanto a moderação do núcleo reduziria a evidência de uma piora disseminada da inflação.

  • A leitura, portanto, pode não atender plenamente à exigência de estabilização inflacionária “de forma clara e a uma velocidade suficiente”, apresentada por Kevin Warsh em Jackson Hole, mas também não caracterizaria uma deterioração inequívoca das pressões subjacentes.

 

“Payroll” mais forte em agosto: Na semana passada, o Relatório da Situação do Emprego surpreendeu investidores ao mostrar números bem mais fortes que o antecipado para o mercado de trabalho americano, suavizando a leitura de fraqueza causada pela leitura dos dois meses anteriores.

  • Essa leitura aponta para um mercado de trabalho mais saudável e estável, reforçando que o balanço de riscos da economia americana está muito mais inclinado para a inflação do que para o desemprego e aumentando a importância da divulgação do CPI para a decisão de juros do Fed de setembro.

 

Preocupações inflacionárias: Ontem (10), a leitura de agosto do Índice de Preços ao Produtor (PPI) foi de 0,4%, em linha com as expectativas.

  • No período, os preços do diesel subiram 24,1%, representando mais de um terço do aumento no custo dos bens de produção, que aceleraram 1,1%, o que elevou a preocupação de repasse desses custos aos consumidores.
  • Além disso, a reescalada das tensões no Oriente Médio e a falta de perspectiva da reabertura do Estreito de Ormuz levaram o petróleo Brent de volta ao patamar dos US$ 100 por barril, elevando as preocupações de pressões inflacionárias globais.

 

Inflação no Brasil

No cenário doméstico, também houve a divulgação da leitura de agosto do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No mês, foi registrado um recuo da inflação de 0,07% em julho para -0,32%, próximo das expectativas.

  • Com a leitura, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% para 4,22%, se aproximando do centro da meta de inflação.
  • O núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, registrou uma leitura de 0,20%.

 

Por que isso é importante: Uma leitura benigna do IPCA tende a consolidar as expectativas de continuidade do ciclo de cortes da Selic, reduzindo os rendimentos dos títulos públicos nacionais e o diferencial de juros em relação ao exterior, o que pode enfraquecer o real.

 

Perspectivas: Desde o último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), as autoridades monetárias têm adotado um tom mais neutro, reforçando que dependerá dos próximos indicadores econômicos para definir os próximos passos na condução da política monetária.

  • A projeção mediana do Boletim Focus indica que deve ocorrer um corte da Selic na próxima reunião, de 14,00% para 13,75% ao ano, mas que deve ser o último do ano. 
  • Por um lado, uma leitura mais fraca do Produto Interno Bruno (PIB) no segundo trimestre somada a uma desaceleração da inflação em agosto reforçam as apostas de mais cortes.
  • Por outro lado, a taxa de desemprego em 5,3%, próximo das mínimas históricas, favorece a leitura de mercado de trabalho aquecido e pode limitar a leitura de espaço para mais cortes.
  • Além disso, os preços do petróleo voltaram para acima do patamar dos US$ 100/barril com a reescalada do conflito no Oriente Médio, elevando os riscos de pressões inflacionárias futuras.

 

Quebra do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master

Em mais um capítulo da crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça retirou o sigilo da investigação principal do caso do Banco Master, após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.

  • Diante disso, a publicação de novas notícias decorrentes da retirada de sigilo do caso deve permanecer no radar dos investidores.
  • Embora os ministros do STF não tenham uma relação direta com o Executivo, os investidores interpretam que o noticiário do tema tem sido desfavorável à campanha do presidente Lula.
  • Além disso, pesquisas de intenção de voto recentes têm apontado uma tendência de enfraquecimento da candidatura do presidente Lula e de fortalecimento da de Flavio Bolsonaro, com os candidatos atingindo um empate técnico.

 

Por que isso foi importante? Investidores se mostram cada vez mais sensíveis à aproximação das eleições presidenciais de outubro, reagindo com intensidade a notícias sobre o pleito.

  • Em particular, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.
  • Por isso, notícias que possam favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro tendem a elevar o otimismo por uma mudança de governo e diminuir a percepção de risco de ativos nacionais, fortalecendo o real.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 137375Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
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