
Dólar deve refletir quadro eleitoral brasileiro e decisões de juros do FOMC e Copom
- Altista
- FOMC deve elevar a taxa básica de juros em 0,25 p.p., para o intervalo de 4,00% a 4,25% ao ano, elevando a rentabilidade dos títulos públicos (Treasuries) e favorecendo a atração de capitais externos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.
- Copom deve cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p., reduzindo a rentabilidade dos títulos nacionais e dificultando a atração de capitais externo, o que tende a desvalorizar o real.
- Baixista
- O fortalecimento da percepção de uma disputa eleitoral mais equilibrada, ao ampliar a possibilidade de alternância de governo e de uma condução fiscal mais conservadora, pode reduzir o prêmio de risco dos ativos nacionais e favorecer o real.
Resumo da semana passada
- Na semana, as sinalizações de estreitamento da vantagem do presidente Lula sobre Flavio Bolsonaro nas intenções de voto geraram otimismo entre investidores e fortaleceram o real.
- Além disso, em meio à crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), foi determinada a retirada do sigilo de todas as investigações relacionadas ao Banco Master. Investidores buscam captar possíveis impactos das investigações sobre a corrida eleitoral.
- Nos EUA, as leituras de agosto de inflação ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) aceleraram em linha com as estimativas, puxadas pelos combustíveis, reforçando a percepção de pressões inflacionárias persistentes.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | Diária: +0,53% | Semanal: -0,10% | Mensal: -1,09% | Anual: -6,43% | Em 12 meses: -4,93%
Variações do dollar index | Diária: +0,07% | Semanal: -0,01% | Mensal: -0,28% | Anual: +0,82% | Em 12 meses: +1,65%
O MAIS IMPORTANTE: Cenário político e eleitoral brasileiro
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista
No cenário eleitoral doméstico, os investidores devem seguir acompanhando as pesquisas de intenção de voto para presidente, buscando identificar possíveis impactos da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e seus desdobramentos sobre as campanhas eleitorais.
- Entre segunda (14) e terça-feira (15), serão divulgadas três pesquisas de intenção de voto para presidente, que devem captar os efeitos das últimas notícias do país.
Por que isso é importante: Uma disputa eleitoral acirrada pode diminuir a previsibilidade sobre as políticas econômicas brasileiras para os próximos quatro anos, aumentando a percepção de riscos de ativos nacionais, amplificando a volatilidade e prejudicando o desempenho do real.
- Em particular, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.
- Por isso, uma maior perspectiva de mudança de governo tende a diminuir a percepção de risco de ativos nacionais e favorecer o desempenho do real.
Eleições disputadas: Pesquisas de intenção de voto recentes têm apontado uma tendência de enfraquecimento da candidatura do presidente Lula e de fortalecimento da de Flavio Bolsonaro, apesar dos candidatos seguirem em empate técnico.
- Na pesquisa de intenção de voto mais recente para um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro possuía 46,4% das intenções de voto, ante 46,2% de Lula, configurando empate técnico.
- Nas últimas semanas, investidores se mostraram otimistas com a tendência favorável a Flávio, impulsionando o desempenho de ativos nacionais.
Crise institucional no STF: Em meio à crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira (11), o presidente da Corte, Edson Fachin, solicitou que o ministro André Mendonça retirasse o sigilo de todas as investigações relacionadas ao Banco Master.
- Além disso, também está marcada para próxima terça-feira (15) a audiência do STF para discutir a suposta relação entre o ministro da Corte, Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
- Embora os ministros do STF não tenham uma relação direta com o Executivo, os investidores interpretam que o noticiário do tema tem sido favorável à campanha de Flávio, crítico de longa data da atuação do Supremo.
Flavio Bolsonaro investigado: Junto do material liberado por André Mendonça sobre as investigações do caso Master está o pedido de investigação contra Flavio Bolsonaro por supostos crimes envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”.
- O candidato já afirmou que conversou com Vorcaro, em busca de recursos para o financiamento do filme, mas negou qualquer tipo de irregularidade.
- Apesar da liberação do pedido, o material relacionado à investigação permanece sob sigilo.
- Diante disso, investidores buscam calibrar suas expectativas se houver algum impacto dessas notícias sobre a candidatura de Flavio.
Decisão de juros do FOMC
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 11 de setembro de 2026
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada
Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 16 de setembro
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 11 de setembro de 2026.
O mercado de divisas deve repercutir a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) da próxima quarta-feira (16), que deve aumentar sua taxa básica de juros em 0,25 p.p.
Por que isso é importante: A alta de juros pelo Federal Reserve deve elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favorecer a atração de capitais estrangeiros para o país, fortalecendo o dólar globalmente.
Riscos inflacionários elevados: Tanto o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) quanto ao Produtor (PPI) aceleraram em agosto em linha com as expectativas, puxados pelo aumento dos preços de combustíveis e outros derivados de petróleo.
- O núcleo do CPI, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, aumentou em 0,3% em agosto, acima da estimativa mediana, enquanto os preços de serviços excluindo habitação também subiram mais que o esperado, em 0,5%.
- Tal leitura sugere que as pressões inflacionárias permanecem persistentes e disseminadas nos Estados Unidos.
- Adicionalmente, a perspectiva de uma longa permanência de restrições logísticas no Golfo Pérsico levou os preços internacionais do petróleo novamente acima do patamar de US$ 100 por barril, sinalizando que os custos de itens energéticos devem permanecer elevados por mais tempo.
- Por sua vez, os números mais fortes do Relatório da Situação do Emprego de agosto apontam para um mercado de trabalho mais saudável e estável, reforçando que o balanço de riscos da economia americana está muito mais inclinado para a inflação do que para o desemprego.
Alta de juros provável: Por isso, os indicadores econômicos recentes cristalizaram as apostas de investidores de que o FOMC deve elevar sua taxa de juros do intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano para a faixa entre 3,75%.
- Contribui para essas apostas, também, a postura mais firme assumida pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, em seu discurso no Simpósio de Jackson Hole, quando descreveu um balanço de riscos assimétrico e inclinado para a inflação antes mesmo dos dados mais recentes.
- Warsh havia sugerido que o banco central americano poderia aumentar os juros se a inflação no país não estiver retornando à meta de 2% anuais “de forma clara e a uma velocidade suficiente”.
- As leituras recentes do CPI e do PPI dificilmente atenderiam esse critério de estabilização de preços descrito por Warsh.
- Dado esse contexto, uma hipotética escolha pelo Federal Reserve em não aumentar juros nesta decisão provavelmente provocaria a mesma reação negativa observada na decisão de julho, possivelmente ainda mais intensa.
Warsh deve ter maioria: Pensando em termos da dinâmica do Comitê, Warsh deve ter certa facilidade em obter uma maioria (sete votos) para a decisão de juros, seja ela uma pausa ou uma alta.
- É praticamente impensável imaginar o vice-presidente do Fed (Philip Jefferson) ou o presidente do Fed de Nova Iorque (John Williams) não acompanhando o voto do presidente do Fed, visto que são as lideranças mais seniores.
- Também parece bastante improvável que Jerome Powell, ex-presidente do Fed, vote diferentemente de Warsh, visto que ele se propôs a ser um membro discreto após a posse de Warsh.
- Isso totaliza 4 votos em uma mesma direção. Como, na decisão de julho, outros cinco membros votaram pela manutenção de juros e três votaram por uma alta imediata, parece bastante provável que Warsh consiga convencer três colegas adicionais, no mínimo, a acompanhar seu voto.
E depois? Se uma alta de juros na decisão desta quarta parece certa, há dúvida considerável sobre quais serão os próximos passos do Fed.
- Warsh é crítico notório do uso de guias futuros (“foward guidance”) e se recusa a comentar sobre cenários e alternativas para a política monetária e, por isso, provavelmente não indicará se outras altas de juros ocorrerão no curto prazo.
- De toda forma, investidores apostam em uma sequência de elevação de juros pelo Fed, com outras três altas até o final de 2027.
Decisão do Copom
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 4 de setembro de 2026
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
Nesta quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 14,00% para 13,75% ao ano.
- Segundo as projeções do último Boletim Focus, esta seria a última mudança da Selic no ano.
- Contudo, investidores buscam por sinalizações da autoridade monetária quato à possibilidade de mais cortes ainda neste ano.
Por que isso é importante: A redução da taxa básica de juros (Selic) deve reduzir o rendimento dos títulos domésticos e prejudicar a atração de capitais externos para o país, enfraquecendo o real.
Inflação e atividade econômica favorecem cortes: A leitura de agosto do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de agosto foi benigna, indicando uma desaceleração da inflação acumulada em 12 meses de 4,44% para 4,22%, mais próximo do centro da meta.
- O núcleo do indicador, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, também indicou alívio das pressões inflacionárias, desacelerando de 0,25% para 0,20%.
- Além disso, nos últimos meses, os indicadores têm indicado arrefecimento da atividade econômica. A variação do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano desacelerou de 1,10% para 0,5%, o que reduziu o crescimento acumulado em quatro trimestres de 2,00% para 1,90%.
- A moderação da inflação e atividade econômica nos últimos meses reforçaram as apostas de mais um corte da Selic pelo Copom.
- Contudo, existem fatores de risco importantes para os próximos meses, que podem levar a uma interrupção do ciclo de ajustes.
Fatores de risco altistas para inflação: Com a recente reescalada das tensões no Oriente Médio, os preços do Brent acumulam alta de mais de 15% no mês e voltaram ao patamar dos US$ 100 por barril, elevando as preocupações de pressões inflacionárias globais.
- No cenário doméstico, a taxa de desemprego a taxa de desemprego está em 5,3%, próxima das mínimas históricas, favorecendo a leitura de mercado de trabalho robusto e possíveis pressões inflacionárias decorrentes de uma demanda mais aquecida.
- Por fim, as projeções de um El Niño forte no final do ano também devem elevar a cautela da autoridade monetária, uma vez que o fenômeno tem potencial de prejudicar a produção de produtos agrícolas.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.